Santo casamenteiro

Rosemilton Silva – Jornalista e escritor – Natural de Santa Cruz/RN

Homi, seo minino, veje você que o ribuliço ta seno grande no mei do mundo mode a festança de Santantoin com dereito a quadria marcada pur Pedo Aleixo e dançada pur uma tuia de gente de idade nova que passo u ano quaje todo sajeitano pra esse dia. Apois bem. Mas hoje tomem é dia dus namorado, coisa que tem serventia pra munta gente presentiá o amou da vida!

A mais tarde, o cabra – e, claro, pode ser a mocinha tambem – sajeita todo, toma banho cum sabonete Alma de Fulô ou Cachimiri buquê, arrocha um profume de Atiquinson, bota um pente Framengo e um espêio redondo no bolso, carça de caqui cum uns remendo de pano quadriculado mode cumbiná cá camisa de manga cumpinda, chapéu de couro na mão, botas de vaqueiro e se atraca cum o presente pra ir na casa da namorada fazê bunitu e ganhá um surrizo do tamãe do mundo todo.

O cabra, se tivé intimidade cum o pai da namorada, chega mais cedo mode ajudá no acendimento da fuguêra do santo casamenteiro, ajeitando os paus, quebrano gravetos mode a danada acendê logo e num dá trabaío. Adispois disso tudo, vá sassentá a mesa e se refestelá cum um prato de cuiada, emendano com uma talagada de canjica e rebate tudo cum uma pamonha entregue ainda inrolada na paia du mii e cum dereito a sapecá uma manteiguinha da terra inriba. E tudo isso, vem acumpunhado de uma boa cunversa e munta aligria.

Triminado isso tudim, a mocinha vai saprontá toda, trajano um vistido de chita istampado todo indo inté as canela, tranças nos cabelo amarrada nas pontas cum um laço de fita ou intonce dois cocó de cada lada cum o mermo infeiti, uma sandaínha rasteira, munto rouge na cara mode ficá avermeiada e uns pontin preto pareceno sarda qué pra mode ficá mais Jovi.

E intonce, todo  mundo arrumado quinem manda a festança, vai saino de casa no prumo do Istitutu pra isperá a noiva que vem num´a carroça puxada pulum jumento e o sanfoneiro arrochano o dedo num´a daquelas marchinhas tradicioná da quadria. E tome foguetão caracaxá no rumo do céu, mijão correno atrás de minino, estrelinha brilhano e caindo faísca in cada rodada, traque peido de veia istota, chumbinho sacudido nos pés duzouto, bomba de parede inplodino e outos foguetório qui sobem a percura dazistrela qui tão piscano prá nóis num namoro infinito da beleza do firmamento qui incanta e qui a gente o prazê de vê já qui a luz do motor é fraquinha e vai primitino u ispetáculo.

E aí cumeça a foimação da quadria. Um pá pra lá, outo prá cá e todo mundo cum um farnizim da gota serena, um friviado cachorro da mulesta mode o maicadô dá o premêro grito no chamamento do formê us pá e o anavan quebrá o sussêgo dano sina mode o sofonêro arrochá uzdedo na sofona com aquela marchinha que vai inté a quadria triminá!

Adispois disso tudo voismicê pensa qui acabô? Oxente! Tá doido é? Agora é qui o tirinête é grande! Vai tê a quadria improvisada que ajunta homi, muié i minino na foimação duzpá e o maicadô manda ôta veiz o sofonêro arrocha ozdedo na merma marchinha e ramu rezá mode ninguém queimá os passu ou troca, u qui todo mundo sabe num sê difici.

Apois bem, em toda rua a foguêra ta queimano. Todo mundo na carçada inredó du fogo, uns ispeto grande mode ficá distante da labareda prá num afuguiá o mii, e a criançada na maió brincadêra de roda inquanto armocin´a se aprepara mode fazê adviação. E quem sofre cum tudo isso é a coitada da bananêra que num tem nadazavê com o terém e recebe facada de tudo qué jeito e lado prá dá u nome do amado da dona Du cutelo novin in fôía comprado só cum aquela distinação. O coitado do Santontoin? Homi, pense num caba que vai sofré tomem!

Vamu vê. Tem mocinha qui amarra o pobe de cabeça pra baixo e só será incalocado de vorta pra tráis quano aparicê um namorado. Mas tem moçoila mas muderada qui bota apenas um laçu de fita nele cum o nome da paixão, mermo que o cabra num saba disso. Apois na véspra do dia do santo, a moça compra um metro de fita azú, iscreve o nome do iscupidu, passa o dia e a noite cum a fita no peito dentu du sutião e antes di drumí, conta sete estrela inquanto faiz o pidido ao santo e de menhã amarra a fita nos pés du coitado e dêxa lá inté o cabra sapresentá. Tem outas qui sapeca um gole d’água, dá sete arrudiada num canto de sala ou quarto, sisconde atráis darguma coisa e ispera modu uví o nome do futuro anmô. E tudo isso, num sabe, cum munta fé!

Viva Santantoin! Viva nóis! Viva nossa cultura, qui teimam em acabá mas nóis luta inté a morte mode mantê!!!

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