FIGURAS MIPIBUENSE José Estelo

José Alves – Jornalista e editor do jornal e do blog O ALERTA

José Estelo da Silva, ou simplesmente, Estelo, o pintor, nasceu na fazenda Caeira (atualmente povoado de São José de Mipibu), no dia 30 de novembro de 1953. Sua mãe, Maria Estela da Silva (não conheceu o pai, Manoel Paulino) mudou-se, posteriormente, para a fazenda Saruê, próximo à comunidade de Laranjeiras dos Cosmes, quando ainda tinha cinco anos de idade.

Em sua infância, aproveitava para brincar, tomar banho no rio Trairí e correr sob a chuva, nas estradas de terra. Em noite de lua cheia (como não havia energia elétrica), brincava com amigos (as) de passa anel, coelho passo, bandeirinha, cobra cega…

Já adolescente, trabalhava na agricultura, junto com seu irmão, Roque da Silva. Nos finais de semana, iam vender os produtos colhidos, nas feiras livres de São José de Mipibu e Parnamirim, para sustentar a família.

Ficou internado no Instituto Pio XII, do “Padre Antonio”, onde fez o primeiro ano do antigo curo Primário. Em seguida, cursou a 2ª e 3ª série, na Escola Estadual Terceira Rocha, em Laranjeiras dos Cosmes.

Era o ano de 1967, quando adoeceu de uma febre reumática, não podendo mais andar. Foi levado ao Hospital das Clínicas “Onofre Lopes”, em Natal, onde passou três anos, fazendo tratamento de saúde.

Estelo e sua esposa Margarida

Em 1973, montou uma mercearia, juntamente com seu irmão, na margem da atual rodovia RN-002. Foi lá que conheceu uma jovem que conquistou seu coração. Era Margarida Fernandes da Silva, com quem casou-se, no dia 24 de janeiro de 1976, com quem tiveram os filhos: Flávio, Valéria e Estelo Júnior. Atualmente, veio aumentar a família, com cinco netos e uma bisneta.

Foi em Laranjeiras dos Cosmes, um arruado de casas simples da zona rural, tendo como principal identificação do lugar a capela que tem como padroeiro São Sebastião e um coqueiral nos quintais das casas. Segundo publicou o jornalista Vicente Serejo, na época, repórter do Diário de Natal, numa reportagem sobre Estelo: “Seu universo nada tem de excepcional, mas é bastante para o pintor exercitar a sua incrível capacidade de retratar seu povo e as coisas de sua gente”

Foi nesse arruado que José Estelo reproduziu suas primeiras imagens.

Através de uma amiga sua, que trabalhava do Serviço de Assistência Rural (SAR), conseguiu que seu caderno de desenhos , coloridos à lápis, passasse de mão em mão e finalmente chegasse até o professor Antônio Marques, que à época trabalhava na Secretaria de Trabalho e Bem Estar Social, que lhe apresentou ao professor Cláudio Galvão, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ambos encamparam a ideia de que os trabalhos de Estelo deveriam ser vistos como arte e, somente uma exposição de seus quadros seriam o meio correto para divulgar o seu nome.

E assim, com o apoio que precisava para adquirir o material de pintura (telas, pincéis e tintas…), o jovem desconhecido, pintou aquelas casas simples e sentiu vontade de pintá-las, como quem mostra seu mundo lá fora.

Cândinha Bezerra, Estelo e Margarida, numa de suas exposições

E como um astronauta que busca o infinito, Estelo apresentou seus primeiros trabalhos numa exposição na Biblioteca Câmara Cascudo, em Natal, com o apoio do Centro de Arte, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Mas, a falta de apoio e o reconhecimento, em sua terra natal São José de Mipibu, que não tinha um emprego fixo, levou, como muitos jovens fazem, procurar melhores condições econômicas, migrando para o Sul do país. Isso fez com que a luta pela sobrevivência afastasse o pintor de suas telas. Viajou no dia 5 de junho de 1978, para São Paulo/SP, em busca de dias melhores, deixando sua esposa, Margarida, com um filhinho de colo (Flávio), de apenas sete meses, para dar melhor condição de vida à família. No Sul, exerceu a profissão de cobrador de ônibus, onde trabalhava até 16 horas por dia, sem tempo para desenvolver sua grande paixão – a pintura.

Estelo não se adaptou a capital paulista e retornou a sua terra, em 1982, onde conseguiu um emprego na Prefeitura Municipal de São José de Mipibu. Logo que retornou, manteve contato com os professores Antônio Marques e Cláudio Galvão, que se ofereceram para promover uma nova exposição, dando assim mais uma oportunidade ao artista mipibuense.

Eu ouvi falar em José Estelo, pela primeira vez, quando fazia o curso de História, na UFRN, durante uma aula do professor Cláudio Galvão, da disciplina História da Arte, quando comparava as características que identificam os seguidores do pintor francês Henri Rosseau e a aceitação da corrente “Ingênua”, da pintura.

Professor Cláudio Galvão

E o professor Cláudio citou a descoberta de José Estelo, em Laranjeiras dos Cosmes, como uma aparição de mais um autêntico pintor “Ingênuo”, portador das mesmas características que identificam os seguidores de Rousseau. Para o professor,

Trabalhos de Estelo, do acervo de Elza Freire

 “o ingênuo é, pois, um artista que pinta tão naturalmente como fala, que transforma o simples no mais valioso, que vive num mundo onde a tecnologia e o intelectualismo ainda não penetraram nem poluíram”.

Sobre Estelo, o jornalista Franklin Jorge escreveu: “na sua primeira exibição, não podemos considera-lo por isso um estreante. Pois ele se apresenta com um domínio formal já muito acentuado e não parece ter sofrido influência de quem quer que seja”.

Estelo, por ocasião de uma de suas exposições

E Estelo foi descoberto pelos críticos de arte. Em agosto de 1983, na edição nº 76, o jornal O Alerta publicou, com o título: “Dois mipibuenses expõem na I Mostra de Arte do Rio Grande do Norte”. E no texto traz a informação: “Ao lado de artistas famosos que participaram de exposições individuais e coletivas no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife e até nos Estados Unidos, os jovens artistas mipibuenses Júlio César Revorêdo e José Estelo estão expondo alguns de seus quadros, na I Mostra de Arte Norte-rio-grandense, patrocinada pela Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa”, tendo como organizador Elmano Marques.

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 Depois disso, Estelo participou de diversas exposições individual e coletivas. Segundo ele, “foram umas 12 exposições individuais e outras tantas , coletivas”

Em dezembro de 2010 (edição nº 400), O Alerta publicou: “O presidente da Câmara Municipal de São José de Mipibu, Kériclis Alves, implantou o projeto “Câmara Cultural”. Na ocasião ocorreu o lançamento dos livros de autoria da professora e escritora Lúcia Amaral, “Orgulho Mipibuense” e, “Estelo de Mipibu”, de autoria do escritor e presidente da Academia de Letras de Brasília/DF, José Carlos Gentili.

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Recebendo homenagem na Câmara Municipal de São José de Mipibu

Livro sobre a vida e obra de Estelo

Livro sobre Estelo, escrito por Carlos Gentili

O pintor José Estelo foi agraciado com a comenda de Mérito Legislativo “Pedro Freire’ pelos relevantes serviços prestados na área cultural do município. O evento ocorreu dia 10 de dezembro na Câmara Municipal de São José de Mipibu.

Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Kériclis Alves. Faziam parte da mesa dos trabalhos, além do artista José Estelo, a prefeita Norma Ferreira, o presidente da Academia de Letras de Brasília, Carlos Gentili, o advogado Romildo Teixeira de Azevedo e o jornalista José Maria Gonçalves.

No lançamento do livro “Estelo de Mipibu”, com a então prefeita Norma Ferreira
e o presidente da Câmara Municipal, Kériclis Alves, idealizador do
Projeto “Câmara Cultural”

Prestaram homenagens a Estelo, além da prefeita Norma Ferreira, Tássio Cruz e todos os vereadores presentes à solenidade. Na ocasião, o escritor e presidente da Academia de Letras de Brasília/DF, José Carlos Gentilli fez o lançamento do livro de sua autoria, “Estelo de Mipibu”.

Carlos Gentili discorrendo sobre o livro “Estelo de Mipibu”, de sua autoria

Num discurso que prendeu a atenção dos presentes que lotaram a galeria, Gentilli disse que “esta é uma noite de encantamento para a cultura, onde os deuses do Olimpo homenageavam a figura de José Estelo”. Dizendo-se cidadão do mundo, por conhecer as mais diversas pinacotecas e museus do mundo, o presidente da Academia de Letras de Brasília frisou que “a pintura de Estelo é diferente – é única, que só ele sabe fazer, ele transforma um casarão numa pintura singular”.

Estelo, o presidente da Câmara Municipal, Kériclis Alves e Carlos Gentili

Bastante emocionado o pintor primitivista José Estelo disse que “estava muito feliz naquela noite. Nunca esperei esta homenagem que São José de Mipibu, através de seus vereadores prestava a mim”. Em seu discurso, Estelo fez uma trajetória de sua vida, desde menino pobre e doente até quando foi reconhecido pelo professor Cláudio, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde passou a ser conhecido e participar de várias exposições, até o seu encontro como o escritor José Carlos Gentilli.

O pintor José Estelo

Aposentado pela Previdência Social, Estelo diz o que faz: “vez por outra faço uma pintura ou restauro algumas telas que estão em casa ou que me trazem”, diz Estelo com saudosismo de atuar no que mais gosta – pintar. E acrescenta: “Recentemente, fui procurador pelo promotor Manoel Onofre Lopes, que quer colocar uns quadros meus, num Museu de Martins/RN”.

“Leio, tudo que me chega às mãos. Até pouco tempo estava escrevendo, num caderno, uma autobiografia”, diz.

José Estelo reside na Rua Lírio do Vale, nº 25 – bairro de Tancredo Neves, em São José de Mipibu e pode ser contatado pelo telefone (zap) 99151-4054

2 Pessoas comentaram
Elza Maria Freire

José Alves ! Parabéns! Homenagem mais do que valorosa, significativa e merecidíssima você fêz ao nosso grande amigo MIPIBUENSE, o artista plástico JOSÉ ESTELO , que , sabemos, ” já nasceu pronto”! Essa Crônica , que também é um importante Documentário sobre Estelo, me fêz aprender ainda muito mais, sobre grande parte da trajetória de vida de JOSÉ ESTELO ! Esse oportuno registro do reconhecimento da obra de JOSÉ ESTELO, através de inúmeras pessoas de tão diferentes vertentes , é uma grande oportunidade para que em toda MIPIBU , ele continue merecidamente a ser mais divulgado, conhecido e reconhecido!

Maria Gilvanete

Um amigo, um irmao, um profissional artista plástico que sempre teve minha admiração. JOSE ESTELO, muito reconhecido por artisas critico, ganhador de varia prémios e prestígios, fora de sua terra. Deixo meus sinceros votos que ele seja muito mais reconhecido em sua Mipibu.

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