DESCENDO A LADEIRA DA VIDA

Nadja Lira – Jornalista – Pedagoga – Filósofa

No meu último aniversário comemorado neste mês de junho, (dia 25/06), tomei consciência de que atingi o ápice da minha existência. Isto significa dizer, que a partir de agora, minha vida começa a descida vertiginosa da ladeira que me levará ao fim. Mas esta parte ainda demora. Pelo menos é o que eu espero. Enquanto isto, daqui para frente serei uma pessoa bastante especial, passando a ocupar lugares privilegiados nas filas dos bancos e dos supermercados.

A partir de agora terei direito aos assentos exclusivos nos transportes, embarcarei antes de outros passageiros nas viagens aéreas, pagarei meia entrada nos cinemas e nos teatros permanentemente, enfim, terei tratamento diferenciado aonde quer que eu vá.

Chegar a este ponto da minha existência não é tão assustador como eu supunha. Ao contrário: Sinto-me estranhamente calma, em paz e disposta a empreender o resto da jornada que me foi confiada, até o dia em que retornarei à casa do Pai.

Eu, que sempre compartilhei do pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer, quando ele afirma que a vida nos dá uma alegria muito mixuruca, incapaz de superar as tristezas vividas, agora discordo dele: Penso que valeram à pena todas as dores, dissabores, tristezas e desventuras vividas ao longo dos anos da minha existência.

Hoje, olhando para trás, posso afirmar com segurança, que tudo o que vivi, contribuiu para me tornar uma pessoa melhor e para desfrutar a alegria de viver este momento: A comemoração do meu aniversário. Meu aniversário, aliás, foi comemorado em grande estilo e da forma como eu mais aprecio: Viajando com amigas queridas.

Como fui boazinha e comportada, dei-me de presente uma maravilhosa viagem para conhecer as belezas da Cidade de Curitiba – a Capital Ecológica do País, onde conheci não apenas as belezas do lugar, mas pessoas maravilhosas, as quais a partir de agora passam a figurar entre meus amigos.

Confesso que foi muito bom estar entre pessoas que eu estimo e que me estimam, me respeitam e me admiram. Foi muito bom receber felicitações de amigos de perto e de longe. Receber votos de “feliz aniversário” reais e virtuais não tem preço. Saber que eu tenho amigos espalhados por várias partes do mundo, me deixa profundamente feliz e satisfeita, além de me comprovar que eu não tenho vivido em vão. Afinal, eu consegui conquistar muitos amigos fieis, os quais vejo como uma legião de anjos da guarda, todos prontos para cantar “parabéns pra você” no dia do meu aniversário, mesmo não estando perto de mim.

Chegar ao ponto mais alto na escada da minha vida, me dá uma visão privilegiada de tudo o que vivi até agora. Posso olhar para trás e ver o quanto aprendi nesta caminhada. Posso ver os erros que cometi e como, aos trancos e barrancos venho conseguindo consertá-los. Também é muito gratificante perceber, que a minha inquietação diante das dúvidas acumuladas ao longo da minha vida e que me tiravam o sono e a paz, agora se mantém na mais perfeita calmaria, uma vez que eu encontrei, dentro do estudo da Filosofia, muitas das respostas tão ansiosamente procuradas.

“Posso olhar para trás e ver o quanto aprendi nesta caminhada” – Arquivo: Nadja Lira.

Portanto, percebo que chegar ao ápice da existência não é assim tão assustador, desesperador e aterrorizante como eu imagina. Estou iniciando a descida da ladeira da minha vida de forma altiva, serena, digna e com a sensação de que estou cumprindo bem com a missão que me foi confiada pelo Pai Celestial e com a certeza de que sou completamente feliz por uma razão bem simples: Eu tenho tudo aquilo de que preciso e aquilo que eu não tenho, não me faz a menor falta. Aliás, eu nem ao menos sei dizer o que me falta!

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