CONVERSA DE POLÍTICO

Foto Ilustrativa

Bom dia, meus povo! Estava eu ali na esquina da Cooperativa ouvindo conversa mole de Lindolfo, Zé Balelê, Lela, Jeová e Zezé Profeta, quando chega Patinhas, pede a bênção ao pai, Lindolfo, e me diz que minha cumade Maria Gorda estava numa reunião de urgência com Gonzaga e Michael para tratar de assuntos ligados ao futuro das meninas, que tiveram uma noite de sábado agitada, com muito forró e uma freguesia ensandecida.

Pois bem, ele apressa em dizer que minha cumade pediu para assim que acabasse a reunião gostaria que eu estivesse lá no cabaré para conversar comigo alguns assuntos. Fiquei por ali com a pulga atrás da orelha e Zé Balelê querendo saber o que andava se passando que ele e o grupo não soubesse.

Nisso, vem subindo a Eloy de Souza o doutor Jácio Fiuza e seo José Ferreira, aí os pensamentos foram ganhando asas, voando em imaginações politiquentas. Os dois juntos? Alguma coisa está acontecendo. Deixo o grupo não sem antes prometer que contarei as novidades tão logo termine a conversa e vou me encontrar com minha cumade Maria Gorda.

Fico sabendo que houve discussão nos salões na noite anterior porque Canindé Boca de Cascudo anunciou que seria candidato com o apoio de Dedé Celourão e ia tentar conversar com Pedro Severino, Antonio Mangaieiro e a cega Matilde. Zé Romão, que estava ouvindo a conversa, cansado da madrugada anterior da matança de boi, caiu na besteira de dizer que Pananana também andou se manifestando e queria o apoio de Sebastião Germano, pai de Pibite. Bastou alguém dizer que votava nele pra Rita Loira pedir a Zé Galdino pra tocar Vassourinhas, tema de muitas paródias de campanhas políticas na cidade.

Eis que de repente Migué Doido chega com um cartaz nos peitos onde se lia “Eu também sou candidato”. Como ele não sabia ler nem ouvia, alguém fez a maldade, mas ninguém tinha coragem de encostar um dedo nele dado o avantajado corpo e braços de quem carrega um saco de cimento sem muito esforço. Mas, ficou o mal estar. Minha cumade me diz que ficou acertado entre eles que as meninas vão poder participar das alas moças de quem quisesse, desde que não contrariassem o interesse de cada um dos estabelecimentos.

A reunião era pra isso? Era, confirmou minha cumade. Não acreditei muito, mas ela nunca me mentiu. Ela me disse ainda que Canindé Boca de Cascudo já andava até pensando em pedir a Marlene Lima ou Alzenir para fazer uma paródia que embalaria a campanha, enquanto Pananana estava pensando em pedir a Jovita e Gézia Cury para formarem a ala moça e também fazerem uma paródia para a campanha.

Minha cumade me chama num canto de parede e me diz que nem ela nem Gonzaga estão pensando em ser candidato, até porque a situação não permite dado o acirramento mesmo antes de começar, mas garante que a campanha de Canindé Boca de Cascudo vai ser animada porque ele pode contar com a música de dois bons sanfoneiros do Paraíso, cumpade Dé e Zé Guilherme, enquanto Pananana pode chamar Zé Galdino, mas não é garantia de que ele vá, já que ele manifestou o desejo de, se Migué Doido for mesmo candidato, tocar até de graça pra ele.

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Theodorico Bezerra ( segundo, da esquerda) – Foto: Território Livre

Minha cumade me disse que quando a discussão começou e os ânimos se acirraram foi preciso chamar cabo Migué, que trouxe Andorinha mais o reforço de Pacheco e, como sempre, ninguém preso e tudo pacificado. Isso porque Pananana não estava lá. Aliviada, ela me diz que ia precisar que eu fosse à capital falar com Theodorico, Odorico, Gentil e Aluizio, já que Jácio e Fiuzinha estavam na cidade. Confirmei que podia ir levar o recado dela, mas que precisava, primeiro, comprar uma mala em Alexandre Maleiro e reservar um lugar na sopa de Culête.

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