Ah, que saudade do Falador!

José Alves – Jornalista e editor do jornal e o blog O ALERTA

Decorridos 32 anos de circulação da primeira edição do”O Falador”, muitos mipibuenses ainda sentem saudades daquele jornalzinho mimeografado que agitava as noites dos festejos juninos na década de 90. A linha editorial do informativo era divulgar as fofocas e fuxicos, além de noticiar fatos fictícios envolvendo pessoas que compareciam aos festejos juninos.

Alguns, principalmente, os mais jovens, perguntarão:

– Mas, o que era esse tal de Falador?

O Falador era um jornalzinho idealizado e editado por Dedé do ALERTA e Sônia Pastel, rodado (impresso) em mimeógrafo a tinta, de forma artesanal e distribuído gratuitamente às pessoas que compareciam as barracas e pavilhão durante a festa do São João em São José.

Somente no ano de 2008, primeira vez, que Dedé e Sônia confessaram, de público, através de matéria publicada no jornal impresso O Alerta (edição nº 370 – Junho/2008) serem os editores do jornalzinho com a ajuda de Marcílio Buriti (in memoriam), que se colocava a disposição para imprimir, no mimeógrafo da Secretaria Municipal de Educação.

Amado por uns e odiado por outros. Entretanto, hoje todos concordam que o Falador deixou sua marca na revitalização dos festejos juninos no município, cuja revitalização foi iniciada na gestão do saudoso prefeito Janilson Ferreira, no ano de 1989.

Saudoso prefeito Janilson Ferreira

Muitos foram os nomes que passaram a ser notícias nas diversas colunas do jornal. Alguns deles, já não estão entre nós, partiram para a eternidade, entre eles, relembramos: Seu Roque, Janilson Ferreira, Vavá (do Canadá), Ramos Barbalho, Uracinda Barbosa, José Honório Barbalho, Luís de Joana, professora Lúcia Lima, Goretti Dantas, Fátima Ribeiro, Luiz Amaral, Monsenhor Antonio Barros, ‘Biba’, John Kennedy, Francisquinha Lima, Valdir Cabral, ‘Lelé’, Djalma Emerenciano, Araken, Esdras de Souza, João Corcino, Hélio Ferreira, engenheiro Marcelo, entre tantos outros que já não estão entre nós, mas, permanecem em nossa saudade.

Montagem das barracas do São João em São José,
em frente da Escola Estadual Barão de Mipibu

O Falador não só agitava, como seus exemplares eram disputados entre aqueles que compareciam aos festejos, para saberem se eram personagens nas notícias. Muitos enviavam exemplares aos familiares, que residiam em outros estados.

Nosso objetivo era realmente perturbar o sossego de alguns, principalmente, aqueles que ficavam, “sarrando”, como se dizia naquela época, no escurinho. Às vezes ficávamos observando as pessoas, como quem não quer nada, mas tomando nota para serem noticia no informativo, no dia seguinte. Havia algumas pessoas que não gostavam de nossas brincadeiras e levavam a coisa a sério, a ponto de querer tomar satisfação com os editores. Não foram poucas as discussões…

São João em São José, vendo-se o palco onde se apresentava as bandas musicais

Para conseguir obter as notícias, circulávamos entre as dez barracas (cinco de cada lado) e o pavilhão central (onde o prefeito recebia os convidados), onde hoje é a Praça Cap. José da Penha (em frente a Escola Estadual Barão de Mipibu). Era nessas barracas  e em locais mais afastados  da festa que se encontrava as informações que seriam notas no jornal.

Barracas já montadas e enfeitadas para o famoso São João em São José

Pela manhã, quando todo mundo estava dormindo ou ressacado da noite anterior, começávamos a trabalhar a edição  do Falador. A cada ano, o informativo era como o complemento da festa. Tivemos que aumentar a tiragem para 500 exemplares. “Recebemos até proposta de representante da cerveja Brahma, para patrocinar o Falador, porém, preferimos continuar com a Antarctica, que ao final da festa, nos presenteava com várias grades de cerveja, para  distribuir com a equipe que trabalhava no jornal.

Público assistindo apresentação das Bandas que se apresentavam à noite

Também o número de colaboradores que preferiram ficar no anonimato aumentou. Passamos a receber “torpedos” (bilhetinhos) contendo informações do que se passava na festa. Muitos desses torpedos, falava da própria pessoa, que queria ser notícia no Falador.

O nosso editorial, já era uma provocação: “ A partir de hoje, estaremos publicando os ti-ti-tis e babados que ocorrem na festa. Os que se sentirem ofendidos em suas honras (e também que não as tem mais) ou incomodados por alguns de nossas fofocas e boatos maliciosos, algumas mentiras deslavadas e calúnias tôrpes e outras pérolas do jornalismo marrom, vermelho e azul (cor de manteiga) que não adianta reclamar ao promotor, juíza, delegado ou ao Procon. Também não adianta se queixar ao Bispo, que tem outras coisas mais importantes para resolver.”

E continuava: “A go-za-ção e o humor negro (por que não branco?!?) sempre foi o ponto principal deste pasquim. Ridicularizar coisas ou fatos supostamente sérios e transformá-los em gozação é o nosso objetivo. Calma! Não adianta ficar com raiva. O Falador só irá circular em quatro edições. Por isso se você ainda não foi notícia, aguarde sua vez sentado, pois em pé irá cansar”.

O Falador tinha o patrocínio de alguns comerciantes e da cerveja Antarctica, por meio do distribuidor Rossini, além do saudoso livreiro Carlos Lima, através da Gráfica Clima, Prefeitura Municipal de São José de Mipibu, nas gestões dos prefeitos Janilson Ferreira e Carlos Marques e alguns comerciantes locais.

Com o passar dos anos, o São João em São José foi crescendo, deixando de ser uma festa para os mipibuenses, passando a ser uma grande festa da região Agreste. “Diante da grandiosidade que tomou conta dos festejos, ficou impossível de editar o Falador, que em 1996 circulou pela última vez, deixando saudades  para aqueles que frequentaram os festejos juninos em São José de Mipibu.

Depoimento de Sônia Pastel

“Falar do falador é recordar o início do São João em São José. Da iniciativa nossa com José Alves (‘Dedé do ALERTA’), que procurava informar os acontecimentos de cada noite da festa, onde as pessoas ficavam na expectativa de chegar até a ficar escondido para que seu nome não fosse notícia, no dia seguinte. Tivemos “problemas” à época, com algumas pessoas, mas atualmente superadas.

Era divertido os fofoqueiros de plantão. Nossa maior fonte de fuxicos era na Cigarreira do Bastinho e na residência da professora Núbia Monteiro.

Como trabalhávamos na Prefeitura Municipal, era comum, na manhã seguinte nos procurar para “passar as notícias”, já que utilizávamos as máquinas datilográficas e o mimeógrafo (não existia, ainda computador) da municipalidade para editar o jornal.

Difícil é recordar as pessoas, que colaborava conosco, prestando informações dos acontecimentos e das fofocas ocorridas nas barracas, entre elas o Sr. Roque (que gostava de dançar todas as noites e procurava “aparecer” para ser notícias no Falador.

Que saudades das barracas como a de Laranjeiras dos Cosmes, sob a coordenação de Uracinda, de Margarida Ribeiro, de Rosália(de Figueiredo), dona Maria José Nerino e tantas outras…

Quantas saudades de Nenem e Vavá , do Canadá, Fátima Ribeiro, Raminho Barbalho, Luiz Amaral e tantas outros nomes que foram notícias no Falador.

Sônia Pastel

As colunas do Falador: amadas por uns e odiadas por outros

As colunas publicadas no Falador eram motivo de gozação. Enquanto uns levavam  para o lado  brincadeira , outros  detestavam. Eis os nomes das colunas:  Kurtas e Kentes, Caiu na boca do povo, Bolinho humano, Flashes, Conselhos do Falador, Super-promoção. Vende-se, Variadas, Burrinho perdido, Amar é…, Loteca, Novelas, Você sabia que…, Flagra, Mexericos…

Para que não conheceu o jornalzinho, eis alguns exemplos das notas publicadas no Falador

O Falador tem dó

“De Cid Ferreira, que levou um puxão de orelhas de sua esposa Rejane, para ir tomar banho e trocar de roupas, para vir aos festejos do São João”

Juro que vi

“Zé Figueiredo dançando com Rosália, parecendo mais um réu, quando recebe uma sentença de condenação do juiz”.

Frases

“De Luzia Barbosa: Será que o vocalista da banda,  não vai anunciar o meu aniversário?”

Destaques da Festa

“O mais cafona – Evandro Gomes  / A mais charmosa – Fátima Ribeiro”

FOFOCA’S

“José Sales sendo arrastado pelos familiares para comparecer a festa. Ele estava com medo do Falador. Num morde não,”Seu” Zé Sales…”

Meninos, eu vi e ouvi

“Arlindo Dantas concentrado na leitura do Falador que parecia que nem estava na festa”

Perdidos e achados

“Quem encontrar um monte de cabelo, deixar na Casa Paroquial, pois pertence ao monsenhor Antonio Barros”.

“O restante da altura de George Ferreira e Deputado Carlos Marinho (Cacau), favor entregá-los mas suas respectivas as suas esposas”.

Cala-te boca

“Dr. Gilberto (Emater) estava sendo procurado pela esposa. Ele saiu para fazer xixi e duas horas depois não havia retornado à mesa”.

FILMES NA TV

Caçada Imperiosa – Silvana Sena dando um bote em cima de um visitante

Perseguidor Implacável – Bastinho

Pelo buraco da fechadura eu vi…

Dema, da Farmácia São José se “abestalhando” com as gatas. Pena que Tereza não lhe deu tréguas”.

OBS. Todas as edições do Falador, que circularam, durante seis anos, posteriormente, foram apresentadas a um professor do curso de Jornalismo da UnP. Porém, durante a mudança do curso para a nova sede, na Av. Roberto Freire, o envelope pardo, contendo todas as edições, foram extraviadas e nunca foram encontradas.

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