UM MITO CHAMADO CHICO DA BOMBA

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Francisco Paulino de Almeida mais conhecido como Chico da Bomba foi prefeito da Cidade de João Câmara, antiga Baixa-Verde, e se notabilizou na história política do Estado, por causa do seu vocabulário simples e por sua facilidade em responder às provocações de seus adversários políticos. Chico também se destacou pelas situações hilárias que protagonizou enquanto viveu na cidade que o acolheu.

Natural da região do Seridó, Chico da Bomba mudou-se para João Câmara ainda jovem e lá viveu até seus últimos dias. Pobre, semianalfabeto e trabalhando como motorista de caminhão, ele surpreendeu a todos quando se candidatou a prefeito da Cidade sendo eleito com mais de mil votos de diferença. A disputa para o cargo não foi fácil, porque ele concorreu com candidatos de grande poder aquisitivo. Ele, porém, por ser um sujeito simples e conhecedor das necessidades do povo humilde, logo conquistou a simpatia desta parcela da sociedade elegendo-se prefeito do município.

Chico da Bomba não deixou grandes obras realizadas na cidade, mas sua história o imortalizou, de modo que ele é lembrado, não por sua atuação política, mas como protagonistas de histórias engraçadas, que ultrapassam as fronteiras da cidade e até do Estado.

Eu passava férias em Recife e num dia de sol intenso, degustava uma água de coco na praia de Boa Viagem, quando encontrei alguns conterrâneos residentes nas terras pernambucanas e passamos a relembrar as histórias vividas em João Câmara e que envolviam Chico da Bomba.

Uma das histórias que mais me chamou a atenção foi contada por Ademar Santana, genro do Senhor Torquato Lira, figura muito conhecida em João Câmara. Segundo Ademar, tão logo assumiu o comando do município, Chico da Bomba demonstrou uma grande preocupação com a população mais pobre, especialmente quando alguém adoecia e precisava de internação hospitalar, o que ocorria no Hospital Miguel Couto, hoje Hospital Onofre Lopes.

Ocorre que um cidadão residente na comunidade de Morada Nova adoeceu, ficou internado no hospital, mas não resistiu à gravidade da doença e acabou morrendo. A família, então, recorreu ao prefeito, que logo se comprometeu a enviar um carro para fazer o translado do corpo para o funeral na cidade. E foi o que fez. Chamou um dos motoristas da prefeitura e deu a ordem para que ele fosse ao Hospital Miguel Couto e levasse o corpo para João Câmara. O motorista dirigiu-se prontamente ao hospital, cumprindo as ordens que recebera.

Nessa época havia uma corrente no final da rua Felizardo Moura, no bairro das Quintas, local conhecido como Gancho de Igapó, onde os guardas rodoviários fiscalizavam todos os veículos que se dirigiam à ponte de Igapó, com destino à algumas cidades do interior. Ao chegar na corrente, o motorista da prefeitura e seu ajudante foram parados pelos guardas de plantão e eles perguntaram para onde aquele corpo seria levado. O motorista respondeu: “Para João Câmara”. Um dos guardas, então, pediu o atestado de óbito, mas o motorista não sabia que documento era esse. “Ninguém me falou que para transportar o defunto era necessário esse documento”, disse o motorista. O guarda, por sua vez, explicou que sem o documento, o defunto não poderia sair de Natal.

Foto ilustrativa

O motorista desceu do carro e chamou o ajudante. Estranhando a situação, o guarda perguntou: “O que o Senhor pretende fazer? ” E o motorista, com a cara mais inocente do mundo respondeu: “Vou deixar o caixão aqui, já que ele não pode ir a sua cidade. Vocês providenciam o enterro”. Os guardas ficaram no maior desespero, porque os dois já se preparavam para tirar o caixão da carroceria do caminhão, sem ouvir os apelos dos guardas. Depois de muita conversa, perceberam que não havia muito o que fazer e acabaram por liberar a viagem sem o atestado de óbito.

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