São José de Mipibu comemora 175 anos de Emancipação Política

Conheça a história de São José de Mipibu

COLONIZAÇÃO PORTUGUESA

    No século XVI, época das grandes navegações, o ideário do colonizador português estava fortemente ligado à igreja, resquícios da mentalidade medieval. Apesar do cientificismo renascentista e dos questionamentos do protestantismo, a igreja mantinha sua influência sobre a sociedade patriarcal, monárquica, burguesa e mercantil, que ao dirigir-se ao Brasil buscava suprir suas necessidades econômicas e monetárias (pela escassez dos metais preciosos que atingiu os países Ibéricos).

A companhia dos jesuítas, e outras redes religiosas como a dos frades Franciscanos, mandados ao Brasil com a missão de converter os índios ao catolicismo, e assim, “encaminhá-los à salvação”, foi um elemento decisivo para o apaziguamento dos índios e a facilitar o processo de colonização, a partir de aldeamentos. É por este motivo que a fundação dos aldeamentos dava-se primeiramente com a edificação de uma igreja e a ocorrência de uma missa, seguindo o ideário religioso português. Esta definia o desenho do aldeamento, destacando-se pela localização central e pela imponência em relação às demais edificações.

É assim que o modelo de colonização portuguesa se configura; transformar o Brasil em território efetivamente português envolvia a proteção do território de estrangeiros, a tomada do território indígena (e por isso a construção de fortalezas e engenhos que tinham pleno potencial de edificação defensiva) e a produção de artigos lucrativos, como o açúcar (aqui, mais uma vez, o engenho aparece como materialização desta instância de caráter econômico), o café e a criação de gado.

ALDEAMENTO

Em meados de 1630, o aldeamento existente no território de nome Mopebu, era o maior e mais populoso entre as seis aldeias da Capitania do Rio Grande do Norte. Em adiantado processo de organização e sinais de povoação, o aldeamento passou a ser coordenado pelos frades Capuchinhos, no final do século XVII, até o ano de 1762, quando foi instalada a Vila de São José do Rio Grande, em homenagem ao príncipe D. José Francisco Xavier, filho de D. Maria I, os administradores civis assumiram a direção do povoado.

Segundo o trecho do retrato local feito por Frei Aníbal, em seu manuscrito “Viaggio di Africa e America Portugueza”, a aldeia contava com 250 famílias de índios que obedeciam aos missionários como os seus superiores. Os costumes diários eram definidos principalmente pela igreja, iniciando o dia pelos “serviços divinos”. Separava-se homens de mulheres para que pudessem entoar coros e dar início à missa, observados pelos missionários que aplicavam correções. Estes missionários assumiam um papel de educadores da fé cristã, e ao longo do dia conduziam a comunidade da aldeia até o toque de recolher, anunciado por tambores que rufavam por meia hora.

Ainda, segundo o mesmo documento “A aldeia foi edificada sob a direção dos nossos missionários, à maneira de uma praça de armas, com casas todas ligadas entre si à semelhança de um quartel de soldados, numa planície bastante extensa, com casas para os oficiais nos cantos dela estas um pouco mais altas que as demais, com duas portas, uma fronteira à outra, para entrada e saída[…].”

Perdura até hoje esta configuração no desenho da praça Desembargador Sales, onde se observa a Igreja Matriz, em frente ao cruzeiro (antigo pelourinho).

Mipibu é uma palavra de origem Tupi que significa surgir subtamente.. No relatório do bragantino Adriano Wedouche constava que “existiam na capitania cinco ou seis aldeias que reunidas podiam contar de 700 a 750 índios flecheiros e que a principal flecha era chamada de Mopebu”.  Os primeiros habitantes da região foram índios Tupis, que se localizaram nas proximidades do rio Mipibu, que recebeu esse nome por surgir de repente na famosa Fonte da Bica e percorrer por quatro quilômetros, até desaguar no rio Trairi.

O distrito foi criado por alvará de  3 de julho de 1788, e o município, com a denominação de São José, por alvará de 23 de maio de 1758, confirmado pela Carta Régia de 14 de setembro do mesmo ano. A instalação ocorreu em  22 de fevereiro de 1762. A Lei Provincial 125, de 16 de outubro de 1845, elevou a sede municipal à categoria de cidade, com o nome de Mipibu. Dez anos depois, passou a São José de Mipibu. Na divisão administrativa de 191, o município, com a denominação de São José de Mipibu, figurou apenas com o distrito-sede, situação em que permanece.

HISTÓRIA DA ARQUITETURA

São José do Mipibu é uma região onde proliferaram os engenhos em meados do século XVIII, época em que foi oficialmente considerada Vila. Nesta época havia 22 engenhos de rapadura e 25 fazendas, mas este número cresceu consideravelmente em 1845, quando a lucratividade da atividade pecuária decaiu. Neste ano, o número de engenhos no Município chegou a 33. Estes engenhos atendiam às necessidades econômicas de Portugal na época da colonização, uma vez que sua produção e lucro eram bastante elevados. Participavam ainda da questão de ocupação e defesa do território, uma vez que consistiam em edificações de aspecto bastante sólido, além de ocuparem grandes extensões territoriais.

Engenho Lagoa do Fumo, na localidade de Laranjeiras dos Cosmes

OS ENGENHOS

Eram complexos açucareiros, que envolviam não só as construções, mas também os terrenos, localizados necessariamente nas regiões de vales e terras férteis. O quadrilátero principal dos engenhos consistia nos ambientes:

Casa Grande – O espaço construído das casas grandes era produto das necessidades de grandes núcleos familiares, funcionando tanto como fortaleza, na proteção dos residentes em época de constantes conflitos, como adquirira função de hospedaria para viajantes e escritório, atendendo às necessidades administrativas dos donos de engenhos.

Casa Grande, no Engenho Olho D’água

Moita – Seu caráter funcional era claro; a forma era definida exclusivamente pela função ao qual o engenho estaria submetido, evidenciando os espaços para as moendas, caldeiras e casa de purgar.

Engenho Belém

Senzala – Era uma espécie de habitação ou alojamento dos escravos brasileiros. Elas existiram durante toda a fase de escravidão (entre o século XVI e XIX) e eram construídas dentro da unidade de produção (engenho, mina de ouro e fazenda de café). As senzalas eram galpões de porte médio ou grande em que os escravos passavam a noite. Muitas vezes, os escravos eram acorrentados dentro das senzalas para evitar as fugas. Costumam ser rústicas, abafadas (possuíam poucas janelas) e desconfortáveis. Eram construções muito simples feitas geralmente de madeira e barro e não possuíam divisórias. Os escravos dormiam no chão duro de terra batida ou sobre palha. Costumava haver na frente das senzalas um pelourinho (tronco usado para amarrar o escravo para a aplicação de castigos físicos).

Capela – Funcionava como o ambiente de reunião social, integrando a comunidade citadina com os residentes do complexo de engenho.Havia várias possibilidades de implantação, mas sempre intrinsecamente relacionadas à Casa Grande. Alguns exemplos adquiriram portes tão relevantes quanto as Igrejas. Era comum um certo tipo de Alpendre, que funcionava como o espaço de transição entre aqueles não batizados, proibidos de entrar na capela, e aqueles tidos como dignos de estarem no interior do espaço sagrado

Capela São Pedro – Engenho Lagoa do Fumo

Igreja, sobrados e casarões em estilo colonial e barroco

 São José de Mipibu um dos primeiros municípios que foram emancipados no Rio Grande do Norte, em 16 de outubro de 1845. A cidade se destaca dentre outras tantas da região Agreste, pela imponência de sua Igreja Matriz, seus sobrados e casarões centenários existentes no centro e ruas adjacentes.

A beleza dessas construções caracteriza-se pela predominância de adornos, enfeites e figuras exóticas ou geométricas em algumas fachadas, onde se destacam os estilos barroco e neoclássico. Segundo dados compilados do livro que relata a história do município, foram os padres capuchinhos, oriundos da Itália que deram início à construção da nave principal do templo religioso por volta de 1740, provavelmente no mesmo local onde existia a primitiva capela do povoado, erguida pelos missionários jesuítas, ainda na primeira metade do século XVII, tornando-se consequentemente, o prédio mais antigo da comunidade.

A parte externa da Matriz apesar de ter sofrido alguns acréscimos em sua estrutura, entre as quais, elevação das duas torres, construção dos corredores, altares laterais, sacristia e consistório, não descaracterizaram o seu estilo primitivo.

Não há dados concretos sobre a época em que foi dado início à construção dos sobrados e casarões. Os mesmos devem ter sido erguidos a partir do final do século XVIII e durante todo o século XIX, por fidalgos ou abastados senhores de engenho radicados no município e que naquele tempo dominavam entre outras culturas, a da cana de açúcar, cujos derivados; açúcar mascavo, cachaça, rapadura e melado, além de abastecer o comércio local, eram exportados para a capital e outras cidades do Agreste nordestino e também para outros estados da federação.

Sobrado na Praça Desembargador Celso Sales

No centro da cidade e em algumas ruas adjacentes, pode-se observar algumas construções – comercial e residencial – que ainda conservam em suas fachadas molduras ou saliências que acompanham as partes superior e lateral das portas e janelas, adornos em alto relevo e desenhos geométricos, caracterizando assim os já citados estilos colonial e barroco.

Os sobrados existentes na praça central da cidade, apesar de manter intactas suas estruturas externas, sofreram em décadas passadas e na atualidade, alguns reparos e obras em seus interiores para instalação de comércio ou de órgãos público e privado. Algumas dessas fachadas permanecem intocáveis desde o tempo de suas construções, mais ou menos há dois séculos, com exceção de portas e janelas, substituídas por outras de material mais moderno.

 Dos antigos casarões, alguns permanecem com a sua parte estrutural inalterada. Outros foram reformados e se tornaram casas de comércio e os demais demolidos. Em seus locais foram construídas residências modernas e mais confortáveis, acompanhando a transformação que se fazia presente em todo o território nacional a partir do término da Segunda Guerra Mundial. Em consequência, algumas edificações antigas das áreas nobres da cidade sofreram substancial transformação descaracterizando suas estruturas primitivas e desfigurando aquilo que sempre foi o orgulho dos nossos antepassados, por serem imóveis centenários e relíquias do passado, alguns do tempo do império.

 Merece menção especial a atual Escola Estadual Barão de Mipibu, único imóvel da cidade tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual. Em 1879 o aristocrata e rico fazendeiro Miguel Ribeiro Dantas, mandou construir e doou à cidade de São José de Mipibu, o prédio onde se instalou a primeira e única escola primária da época, denominada “Casa de Instrução”.

Miguel Ribeiro Dantas – Barão de Mipibu

Logo após a morte do barão (título honorífico concedido pelo governo imperial),ocorrida em 14 de julho de 1881, como homenagem póstuma, em reconhecimento por tão meritória iniciativa, as autoridades municipais, da época, determinaram que o referido estabelecimento de ensino passaria a se chamar Grupo Escolar Barão de Mipibu, denominação que permaneceu até a sua transferência para o controle estadual.

FONTE: Pesquisa e fotos da Internet

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