POUCAS E BOAS

Valério Mesquita ([email protected])

01) Antônio Emídio reinou no sertão do município de Alexandria e adjacências. Era um coronel à moda antiga, tio do saudoso deputado Waldemar de Souza Veras. Irônico, observador, nada escapava a sua fina observação. Certa vez, escutava o rádio ao lado de amigos no vasto alpendre da fazenda. E como não poderia deixar de ser deleitavam-se com os baiões do velho Luiz Gonzaga. No estribilho de uma toada Lula Gonzaga cantava: “Sertão de mulher séria, de homem trabalhadooor…” Aí o comentário de Antônio Emídio foi inevitável: “Faz muitos anos que esse “cabra” não vem ao sertão!”.

02) Romildo Gurgel sempre foi adepto de um carteado, tanto no Natal Clube como no América. Com aquele formidável corpanzil, muito se parecia com o também gordo ator americano Orson Wells no filme “Hienas do Pano Verde”. Num jogo de baralho, onde as emoções urgem e rugem, tudo pode acontecer. Certa vez, ocorreu um sério incidente, no qual Romildo não perdeu a vida por um triz quando foi alvo de vários disparos. Logo após o fato, Gurgel viajou para um tratamento na famosa Clinica Mayo para emagrecimento. Perguntado sobre a razão daquele novo internamento, explicou: “Preciso me tornar um alvo menos fácil para os meus inimigos…”.

03) O advogado João Batista Pinheiro Cabral é escritor, membro da Academia Norte-Riograndense de Letras. Ao lado do inesquecível professor e amigo José Melquíades constituiu a maior dupla de área do bar do Lourival, ali na avenida Deodoro. Trabalhou no Tribunal Regional do Trabalho assessorando o seu presidente Dr. José Vasconcelos da Rocha. Dedicado e competente iu a hora pegar uma estafa diante dos problemas inaugurais do TRT. Conversador de raciocínio ágil, teve que explicar-se ao pessoal administrativo, certa feita, que admirava a sua obstinação: “Eu sei que vou para o céu face ao tormento que tenho padecido aqui. Mas com uma coisa eu não concordo: é o meio de transporte!!”.

04) O saudoso Luiz Tavares era amigo de boemia do não menos saudoso Raimundo Barros Cavalcante, o Raimundo do Cartório. Lula identificava-se pelo exagero no linguajar, agir, pensar, sem falar na compleição física. Mas, uma figura boníssima, da qual tive também a honra de ser amigo. Numa farra homérica com Raimundo, Tavares exagerou na comida. Mais tarde, acossado por violenta diarréia recorreu com aquele seu vozeirão a D. Marilde, esposa de Raimundo: “Ô Marilde, me arranje aí um envelope de enteroviofórmio!”. A senhora trouxe-lhe um envelope de oito comprimidos. Quando ia lhe entregar dois, Luiz espalmou a mão enorme e disse: “Derrame tudo aqui!!”. Com água de côco Lula deglutiu os oito comprimidos de uma só vez. Ao cabo de cinco dias, com uma prisão de ventre de “vedação com cimento Zebu”, Luiz liga para o Cartório: “Ô Raimundo, que diabo de remédio foi aquele? Não sei mais onde vai caber tanta bosta dentro de mim!!”. Raimundo ministrou-lhe severos laxativos. No sexto dia, assustado, mas aliviado, Lula procura Raimundo no Cartório: “Ô Raimundo, você conhece a dor do parto? Pois eu caguei um paralelepípedo! Áurea, minha mulher, ficou horrorizada com o bojo do banheiro

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