POUCAS E BOAS

Valério Mesquita (mesquita.valerio@gmail.com)

01) O saudoso amigo João Faustino me falou de Zé de Araque, figura popularíssima de Pau dos Ferros. Integra, ao lado de tantos outros folclóricos como ele, a falange luminosa do humanismo das cidades interioranas. Impressionado com o prestígio dos Torquatos naquele tempo que pontificavam na política da região, assim definiu o quadro eleitoral: “Os Torquatos quando nascem já saem nomeados no Diário Oficial”.

02) Venâncio Freitas, de Pendências, me passou alguns causos hilários de sua região. Ele é irmão do saudoso prefeito Levanir de Freitas, que governou o município por quatro vezes. Chico Barreto, aos 77 anos de idade, era brigado com a esposa. Moravam juntos mas não se cumprimentavam. Briga igual só a de judeu com palestino. Mas, nas horas de refeição havia uma trégua esquisita. Para não chamar pelo nome do marido, assim o convocava à mesa: “Xô galinha, xô!”. Ai Chico Barreto vinha, sentava e comia. Briga é briga. Senha é senha.

03) Chico Barreto sempre comparecia aos velórios e enterros em Pendências, mas costumava nunca entrar no cemitério. O fato se tornou notório. Um dia um curioso observador perguntou-lhe: “Chico, por que você não entra no cemitério?”. Resposta na ponta da língua: “Porque quem não é visto não é lembrado”.

04) Antônio Bino, de Pendências, era casado mas deu um passo em falso. Navegante de longo curso, “furtou” uma moça de Pedro Avelino. Passou a conviver com ela. Dos filhos choveram protestos e meios persuasórios para que o pai recuasse. Os esforços não prevaleceram. Bino sustentou a tese de que era impossível deixar a jovem e pediu aos filhos que cuidassem de Amália, a esposa. E explicou: “Quando eu retirei essa moça da casa dos pais em Pedro Avelino, ela era virgem”. Com essa declaração o tempo fechou. D. Amália que participava da reunião conciliatória, ali mesmo estourou: “Ô Antônio! E você quando me tirou de casa para casar comigo por acaso, eu era moça ou rapariga?”. A reconciliação foi adiada por tempo indeterminado.

05) Quando foi criada a Junta do Trabalho em Macau, muitas questões trabalhistas encalhavam o movimento forense. João Tomaz, agricultor de Pendências sentiu-se também prejudicado pela morosidade da Justiça. Maninho Felipe, seu amigo, que conhecia o “caminho das pedras”, insinuou uma saída estratégica: “Por que você não molha a mão do oficial de justiça?”. Resposta sertaneja de Tomaz, desde o tempo do santo do mesmo oficio : “Tá de molhar e nascer!”.

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