Poucas & Boas

Valerio Mesquita ([email protected]

01) Mossoró, década da luz na política do Rio Grande do Norte, onde pontificou e reinou o líder Aluízio Alves. A Rádio Difusora local pertencia a Renato Costa. O jornalista David de Medeiros Leite que me repassou a história, contou-me que o vigia Mourão, aluizista de pé roxo, notabilizou-se pelo seu fanatismo na briga do vermelho e do verde. Com a notícia em 1966, de que Aluísio teve os direitos políticos cassados não se rendeu às evidências. Ao ouvir o comentário de que o filho do ex-governador, Henrique, ia suceder o pai na política, Mourão, saiu-se com essa: “Ora, se o pai era forte com dois “A”, imagine o filho “Anrique”? São três “A”,  menino!!”. 

02) Uma figura especial do folclore político de Mossoró foi D. Hilda de Medeiros Leite, doze filhos, considerada “senadora”, também do movimento político das mulheres mossoroenses pró-candidatura de Aluízio Alves, nos anos 60. Completou 90 anos em dezembro de 2020. Professora e comerciária, foi casada com Aldemar Duarte Leite, já falecido. Histórias, fotos e depoimentos sobre D. Hilda, no desempenho político em favor da “Cruzada da Esperança” constam do livro “Dona Hilda, Simples em Todos os Aspectos”,  organizado pelas filhas Maria de Fátima, Maria Helena e Valdete Medeiros Leite. David Leite, na conversa do cafezinho, me falou que a fidelidade política de sua genitora (ele é o filho caçula), desde o tempo de Aluizio, era tanta, que até a posse do senador Garibaldi Filho em Brasília, ela estava lá,  firme e forte, no testemunho da herdade política dos Alves.  Na eleição de Gari (Garibaldi) para governador, ela fez promessas publicamente que faria um farto e suculento café da manhã oferecido aos garis de Mossoró, caso ele ganhasse a eleição. Promessa feita, promessa cumprida. O que foi de gari na cidade empanturrou-se no banquete. Ao final, ela escutou uma pergunta inocente de um deles: “Dona Hilda, quando é que vai ter outra “inleição”?”.

03) O saudoso prefeito Dix-Huit, certa vez,  autorizou o secretário da pasta a viajar a São Paulo e lá pesquisar vários transportes que serviriam à frota da prefeitura. O vereador Expedito Bolão, ciente da história, prontificou-se a fazer companhia ao auxiliar municipal e assim, “conheceria “Sum Palo”. Os dois emissários iriam via Fortaleza e de lá, embarcariam de avião. Expedito, num misto de alegria – era o primeiro voo – e de medo, pensou por bem “encher a cara” antes do embarque. Depois de meia hora no ar, ele tanto roncava, como bufava. O colega de lado, pensou pregar-lhe uma peça. “Expedito, Expedito!”, disse o amigo. “Acorda, homem! O avião faltou gasolina!”. Bolãozinho, sem sequer abrir os olhos balbuciou cheio de “mé”: “Mande encostar aí num posto, que eu dou cinquenta contos pra ajudar no combustível”. E voltou ao seu sono. 

04) Um caso inusitado aconteceu em Natal. Um guarda municipal, conhecido por fazer parte dos “amarelinhos”, encostou a moto (instrumento de trabalho), e foi dar uma informação a um motorista. Ao voltar, a surpresa: furtaram a moto! Comunicaram o acontecido à secretária do gabinete da prefeitura, que, por sinal, estava ao lado de Carlos Eduardo. Naquele momento o prefeito dava uma entrevista coletiva, porém não perdeu a calma. Pediu licença aos repórteres, sublinhou com seriedade que o caracteriza: “Quero abrir um parêntese em face de uma ocorrência agora mesmo e fazer um apelo: senhor ladrão! Por favor, devolva-nos essa moto, pois a situação da prefeitura é pior que a sua. Muito obrigado!”. E tocou pra frente a entrevista. O veículo foi encontrado, abandonado num matagal. Aconteceu, virou manchete…

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