Poucas & Boas

Valério Mesquita ([email protected])

01) O prefeito Chico da Bomba, de João Câmara, alimentava a esperança no final do mandato que seria indicado para um cargo na esfera estadual. Seus olhos estavam voltados para o Detran. “É um ótimo lugar para eu fazer um pé de meia e minha futura campanha”. Certo dia, Chico descia a ladeira pela calçada do hospital Onofre Lopes, quando uma anciã cruzou o caminho. O choque foi inevitável. Rapidamente, ele ajudou a mulher a se levantar, mas passou-lhe um corretivo. “A senhora tome cuidado! Eu vinha na via preferencial!”. A velhinha quis falar alguma coisa, mas Chico interrompeu: “Não diga nada. A senhora tá falando com o futuro chefe do Detran”.

02) O deputado Vingt, estava de volta a Mossoró, depois de uma bem sucedida cirurgia oftalmológica feita em Belo Horizonte. A bancada da arena estava reunida na Câmara a pedido do vereador Expedito Bolão, que, propôs fosse feito um churrasco para o líder maior. Alguns sugeriram um almoço no Hotel Termas, outros, uma festa na praia de Tibau. A polêmica foi crescendo e não se chegava a um consenso, quando Expedito subiu numa cadeira e bradou: “Para com isso!”. O silêncio foi total. O baixinho continuou: “Vai ser um churrasco, eu vou dar um boi! Tamos conversados”. E fechando o discurso detonou: “Em cabaré que eu não mando, eu fecho…”. Papo encerrado.

03) A atriz Regina Casé, em suas pesquisas e entrevistas, visitou uma grande obra em construção, em São Paulo. Era hora do almoço e ela ficou curiosa em ver o grande número de nordestinos, peões e como consumiam farinha de mandioca. A atriz perguntou: “Qual a importância da farinha no prato do nordestino?”. Muitos riam enquanto mexiam o prato. Um deles, levantando-se, falou: “Dona, a farinha esfria o que tá quente, engrossa o que tá fino e aumenta o que tá pouco”. A atriz gostou da explicação da legítima ambiguidade cabocla. Coisas do nosso nordeste. 

04) Padre Sabino Gentille adotou os bairros de Mãe Luiza e Aparecida, em Natal, para ali implantar sua catequese. Pontualíssimo, o sacerdote chegou à capela de Nossa Senhora Aparecida na hora marcada para a celebração. Aconteceu que as carolas que cuidavam da igrejinha não haviam sequer aberto às portas da santa casa. O vigário não demonstrou estresse. Caminhando cerca de trezentos metros, padre Sabino encontrou um barzinho, pediu uma cerveja e começou uma partida de sinuca. Uma hora depois as mulheres catequistas organizaram o altar e foram chamar o vigário. O ofício religioso teria início às sete e já passava das oito da manhã. Sabino foi enfático quando chegou a comissão: “A missa fica para o próximo domingo. Espero que cheguem cedo. Agora vou tomar umas cervejinhas”. Em seguida encaçapou a bola sete. Sem traumas. Liturgia é uma questão de horário e de temperamento.

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