Poucas & Boas

Valerio Mesquita (mesquita.valerio@gmail.com)

01) O juiz aposentado Sábato Barbosa D’Andréa conhece muitas histórias do folclore político do Rio Grande do Norte. Contou-me esta acontecida no velho oeste das lutas políticas do passado entre as famílias Torquato e Nunes. Podia se dizer que ali imperavam eleições fraudulentas mas políticos verdadeiros. Um exemplo típico dessa refrega chega aos nossos dias com o desabafo no confessionário da igreja local de Epifânio Gameleira do Rego ao pároco José Aires, de notória preferência política por uma das facções litigantes. Epifânio, católico fervoroso, estava arrependido por uma prática ilícita cometida no dia da eleição: “Padre, vim confessar um terrível pecado”. O vigário fitou-o, consolando-o: “Nenhum pecado, por mais horrível que seja, não deixará de obter de Deus Pai Todo Poderoso a sua infinita misericórdia. E qual foi o ato que você praticou?”. Ainda aflito e trêmulo, Gameleira segredou: “Padre, na última eleição, como presidente da secção eleitoral, deixei votar um eleitor com o título de outra pessoa”. O clérigo acalmou o paroquiano com doces palavras. Porém, quis saber, qual o partido político que ele havia beneficiado. Epifânio estremeceu, pois sabia a posição partidária do seu confessor. Todavia, ali, estava, também, virtualmente na presença de Deus e a absolvição achava que viria através do sacerdote. E abriu o jogo: “Beneficiei, o lado dos doutores Israel e Licurgo Nunes!!”. “Pois, você vai pagar esse pecado nos quintos dos infernos, desgraçado!”. Vociferou o padre, de pé e dedo em riste.

02) Sem sair do oeste, em Mossoró, o prefeito Dix-Huit Rosado andava as turras com um dos seus sobrinhos e trocavam farpas em suas respectivas emissoras de rádio. Certo dia, o velho alcaide confessou a um amigo dileto suas mágoas e amarguras. “Você já viu um mafioso carcamano de perto?”. Ante a curiosidade do seu auxiliar, continuou: “Vá agora pra calçada da emissora deles. A peça está quase saindo”. “Mas doutor”, disse o amigo. “Não é carne da mesma carne?”. O velho respondeu filosoficamente: “Aquilo é como uma vesícula, um tumor: se extrair não faz falta”. Na política briga de família é pior do que no inventário.

03) Em Macau, Chico de Laura, classe “A” decadente, entregou-se por inteiro ao vício do álcool. Ficou aborrecido com as conversas repetidas, próprias dos ébrios. Chegando em um botequim, deu as ordens: “Bota aí, uma cana pra mim, uma pra você e uma pro meu amigo”. O proprietário João Inácio, colocou as doses, embora só os dois estivessem presentes. Chico tomou duas. João Inácio tomou a terceira. Esse quadro repetiu-se várias vezes. Lá para as tantas, a notícia desagradável: não tinha dinheiro para pagar a conta. Chico de Laura, levou uns tapas, e, foi embora. Uma semana depois, voltou ao bar: “Bota aí duas canas; uma pra mim e uma pro meu amigo”. O dono, com cara de poucos amigos, ameaçou: “E a minha? Não vai autorizar?”. O boêmio Chico de Laura, foi fantástico no controle emocional: “Não! Você quando bebe fica muito violento”.

04) Abraão, velho leão de chácara de Arcelino Costa Leitão, lá em Assu, gostava de comentar na praça do mercado: “Coitado do seu Costa, trabalhou feito um bicho, em favor dessa gente. O homem já nem dorme direito. Vive com os olhos fundos, e, ao redor da vista, olheiras  roxas”. Na verdade, Costa passava noites em claro, torrando dinheiro no carteado. Vigília para o bem do povo.

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