POUCAS & BOAS

Valério Mesquita ([email protected]

01) Sabe-se que os vereadores são os políticos mais próximos ao povo. Funcionam como veículos dos anseios populares. Agarrado às raízes, o vereador é tema permanente para o folclore político. Conta Caboré que o fazendeiro Nelson Canuto, do velho PSD, certo dia apresentou uma emenda ao orçamento municipal. Na hora da votação o presidente da câmara, como de praxe, indaga ao plenário: “Os que concordarem com a matéria, permaneçam sentados!”. Canuto levantou-se para o espanto dos seus pares. Curioso, o presidente perguntou: “Nobre vereador, V. Exa é a favor ou contra a emenda?”. O indecifrável Canuto, sem entender o que estava ocorrendo, disparou a inquietante interrogação: “Qui inmenda??”.

02) Outra pérola do Legislativo caicoense vem do vereador David Torres, do PMDB. Ao ser questionado por um colega da bancada sobre o seu voto em uma reunião da Mesa o nobre edil desculpou-se de fazer inveja a mineiro: “Eu não votei contra, nem a favor. Pelo contrário acompanhei o voto da maioria!!”.

03)  Falar em mineiro, vale a pena recordar uma história do inesquecível Tancredo Neves. Em certa fase da política das Alterosas, Tancredo teve que se reaproximar do seu arquiinimigo Aureliano Chaves, da antiga UDN. Dona Risoleta Neves, mulher altiva e sincera, represava velhos rancores de Chaves. E resolveu  fazer coro ao lado de uma legião de amigos contra essa conciliação. “Estás lembrado, Tancredo, das perseguições que o Aureliano te impingiu?”. “Sim, Risoleta”, respondeu o velho cacique pessedista Tancredo Neves. “Só que não te disse, também, o que eu fiz contra ele?”. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas da política potiguar é mera coincidência.

04)  Em 1963, a safra de candidatos de prefeito a vereador de Bom Jesus era toda de analfabetos. Pimenta foi logo chamado para ministrar curso de oratória a todos, inclusive ao próprio Lelinho. Nos comícios Pimenta era o soprador oficial e ventríloquo. Certa noite, tomou a decisão de escalar para discursar a raia miúda, isto é, os candidatos dos sítios. E logo foi chamado o famoso Chico Tempero. “Você tá doido, Pimenta?”, protestou Lelinho. Pimenta encheu Chico Tempero de “cana”, botando-o pra falar. Chico começou assim o seu temperado discurso: “Num tô nem aí prá votar em Vicento Terto, pruquê eu tenho tesão mermo é em Lelinho!!”.

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