JORNAL O ALERTA: CHEGAMOS AOS 41 ANOS

Neste sábado, 20 de março de 2021, comemoramos os 41 anos do jornal O ALERTA. Há exatamente um ano, circulava a edição impressa nº 411, quando a pandemia do Covid-19, se instalava em todo o mundo. Resolvemos suspender a edição impressa, que era entregue de porta em porta e passamos a enveredar pela mídia virtual, lançando o blog O ALERTA, para deixar nossos inúmeros cativos leitores atualizados com as notícias, não apenas de São José de Mipibu, mas, o que interessava aos leitores.

Para lembrar a data comemorativa do jornal O ALERTA, republicamos algumas matérias sobre o jornal e a trajetória jornalística deste editor, conhecido por “Dedé do ALERTA”. Um fraternal abraço e boa leitura.

O blog O Alerta ocupa o espaço do jornal impresso

Matéria publicada no Alerta nº 500, de abril de 2019

Depois de comemorar 39 anos, no mês passado, O Alerta agora, chega a 500ª edição de circulação ininterrupta. O leitor conhecerá um pouco da história e evolução por que passou o jornal, desde aquele ‘jornalzinho’ mimeografado, lançado em março de 1980. Vale à pena conhecer um pouco dessa trajetória, que se confunde com a história do editor e diretor, o jornalista José Alves, mais conhecido por ‘Dedé do Alerta’.

MINHAS ORIGENS

Sou sertanejo, de Cerro Corá, cidade do Seridó. Minha infância foi na cidade de Assu e aos 12 anos meu pai que era comerciante e minha mãe, professora, vieram residir em João Câmara, onde fiz o antigo ginasial. Minha adolescência foi marcante como todos os jovens da época. Copiava as tendências dos ídolos da Jovem Guarda, dos Beatles, no vestuário, músicas, indumentárias. Frequentei muitas festas com luz negra. Era o máximo ir vestido de branco para destacar.

 Em 1971 fui morar em Natal, para fazer o Curso Técnico de Estradas, na antiga Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (ETFRN), hoje IFRN. Concluído o curso, em fevereiro de 1975, fui estagiar em uma empresa de conservação de estradas, na BR 101, entre Natal e a Divisa do RN/PB, cujo escritório da empresa,estava localizado em São José de Mipibu. Trabalhei como técnico de estradas, por sete anos.

ATUAÇÃO NA IGREJA

Em São José de Mipibu, atuava nos movimentos de juventude da Igreja Católica, movimentei outros jovens na área de teatro, evangelização, conscientização política, já que vivíamos numa situação política nacional com a ditadura militar e era preciso discutir a realidade política em que vivíamos.

Nos anos de 1980, a moda era discutir sobre “abertura política”. Diversos movimentos de estudantes, operários e camponeses erguerem a sua voz para exigirem direitos individuais. Já que vivíamos a restrição, imposta pelo regime militar. A oposição ao sistema vigente estava articulada: jornalista, movimentos políticos, estudantes, igrejas, intelectuais, movimento pela anistia…

A Igreja Católica passava por um processo de grande mudanças (“era a Teologia da Libertação”) e, posteriormente, a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil, ainda em 1980, foi interpretada como uma força para esse tipo de atitude de engajamento social dos católicos. Grandes figuras, como Dom Hélder Câmara, Dom Evaristo Arns e Dom Pedro Casaldáliga, Frei Beto e Frei Leonardo Boff, defendiam os direitos humano, denunciando as injustiças sociais, exigindo que o governo mudasse suas atitudes.

 Nesse contexto, nasceu O Alerta, jornal idealizado por quatro jovens, eu (José Alves), Paulo Palhano, Gilson Matias e Maria Neli, que participávamos da Juventude Integrada Mipibuense (JIM) – grupo de jovens  ligado à Pastoral de Juventude da Arquidiocese de Natal.

INTERESSE PELO JORNALISMO

Quando frequentava o curso ginasial, em João Câmara (1967 – 1970), fazíamos um jornal mural, com matérias de âmbito escolar e que eram afixadas em um mural de fácil acesso aos estudantes.  No movimento juvenil também colaboramos com artigos  que eram publicados na sede do Grupo de Jovens, até que surgiu a ideia de convidar outros jovens para fundar um jornal. 

Em 20 de março de 1980 o ideal desses jovens começou a se tornar realidade com o lançamento da primeira edição de um jornal, tamanho oficio, mimeografado.  O jornal era fruto da inquietação desses quatro jovens que pretendiam dar à cidade uma alternativa de informação, divulgando os acontecimentos do município, além de um espaço de reflexão para o momento de abertura política que o país começava a viver.

O SURGIMENTO DO O ALERTA

A tiragem inicial, em março de 1980, foi de apenas 40 exemplares mimeografados. Ao longo desses 39 anos, o jornal passou por transformações gráficas, que deram nova roupagem, proporcionando maior destaque à leitura. Passando a ser impresso com algumas páginas coloridas. Alguns colaboradores participam do periódico, escrevendo e reforçando o caráter informativo proposto por José Alves. As colunas informam os principais acontecimentos da cidade, na política, no esporte, na sociedade, contando a história e as transformações que são implementadas no município, além de esclarecer sobre os direitos e deveres do cidadão. São espaços que privilegiam a informação de utilidade pública.  A melhoria da qualidade foi acompanhada pelo acréscimo do número de leitores, fazendo com que  chegue mensalmente nas residências dos leitores, ávidos pelas notícias da terrinha.

AS DIVERSAS FASES DO ALERTA

Edição nº 1 – março de 1980

De1980 até o presente, o jornal O ALERTA passou por diversas fases. De início, de circulação quinzenal, impresso em mimeógrafo em duas folhas de papel, tipo ofício. Depois, teve o número de páginas ampliado para atender o leitor cada vez mais exigente, que queria mais notícias. Essa fase durou até agosto de 1989. As matérias eram datilografas em máquina Olivetti comum em estêncil, para depois ser “rodado” em mimeógrafo à tinta. Posteriormente, passou a ser impresso em um mimeógrafo mais moderno que imprimia o papel com fotografia. Um avanço para a época.

 A segunda fase já em tamanho 32 cm x 46 cm, as matérias eram digitadas em um micro computador, conhecido por “composer” que digitava as matérias direcionando para uma impressora, utilizando esferas. O jornal obteve uma boa aceitação e contou com colaboração de anunciantes do comércio que acreditou na linha editorial de se fazer um jornalismo sério e imparcial.

Primeiro exemplar de O Alerta tamanho tablóide (agosto/1989)

          No ano de 2002 o jornal é impresso pela primeira vez em policromia, atraindo a atenção dos leitores. Nesse período além da digitação em computador, já eram utilizadas fotografias virtuais.

Primeira edição colorida, que circulou em março de 2002

Toda vez que o ALERTA completa mais um ano de existência, é motivo de uma grande alegria, principalmente, quando transformamos  em notícias os fatos que fazem o dia a dia de nossa comunidade. Este ano (2019) O Alerta  chegou  aos 39 anos. Para chegarmos até aqui, ganhamos a confiança do leitor, ser um veículo responsável, ético, imparcial e comprometido com a realidade dos fatos,sempre procurando ouvir os dois lados da notícia

Edição nº 499, de março de 2019

A REPORTAGEM INESQUECÍVEL

No dia  1º de abril de 1981, a cidade de Campo Redondo, vivenciaria uma data história e inesquecível e que marcaria  para sempre a vida dos moradores daquela cidade. A previsão do tempo não previa uma chuva tão intensa e que culminou na tarde e noite com o arrombamento da parede do açude Mãe D’água, de Campo Redondo. As águas arrastava tudo que encontravam pela frente. O Rio Grande do Norte permaneceu cinco dias sem energia, por conta da queda de postes da Chesf que caíram com a força das águas. No dia seguinte, as água eram esperadas em São José de Mipibu. Uma multidão aguardava a chegada da enchente no vale dos rios Trairi e Araraí. As águas inundaram todo o vale e a previsão  dos técnicos do DNER era que a qualquer momento  as pontes sobre a rodovia BR-101 seriam levadas pela fúria das águas.  Houve o arrombamento em uma das cabeceiras  das pontes, prejudicando, inclusive, a base de sustentação da ponte sobre o Rio Trairi.

Tudo isso foi presenciado por mim com amplo acervo fotográfico. Acompanhei as reuniões e as providências com a presença de homens do DNER e da Companhia de Engenharia do  Batalhão do Exército que, logo em seguida, montaram pontes para as pessoas e pequenos veículos transitarem.

Essa matéria me deu algum trabalho, pois também exercia um cargo na empresa que trabalhava na restauração da rodovia. Ao final, o jornal saiu e logo se esgotou a edição, pois muitos queriam enviar o jornal para familiares que moravam em outras regiões do país, tudo por conta das ilustrações fotográficas sobre o assunto.

REPORTAGENS QUE FICARAM MARCADAS

As matérias sobre o falecimento do Monsenhor Antonio Barros, que atuou por 53 anos na paróquia de São José de Mipibu e do líder político, Janilson Ferreira, que chegou a ser prefeito de São José de Mipibu por três vezes, foram  acontecimentos muito triste para toda a região. Para mim, foi difícil fazer as matérias, unido com sentimento de amizade que me unia aos personagens. Mas, em cada edição do Alerta há uma história sobre as matérias que escrevemos.

A matéria que mais teve repercussão foi sobre a duplicação da BR-101, ressaltando a construção de um muro entre as duas pistas da rodovia. Esse muro além de “dividir” a cidade de São José de Mipibu, iria dificultar o deslocamento dos moradores de uma parte da cidade para o centro. Tão logo o jornal circulou, começou a indignação  e reação da população. No mesmo dia reuniões foram agendadas e realizadas com autoridades. Como não se chegou a uma conclusão, segmentos da comunidades convocaram a população para um ato de protesto contra a construção do muro e a reivindicação de um retorno ( que não estava previsto no projeto). O bloqueio da BR-101 ocorreu e, logo em seguida, os representantes do Dnit atenderam os anseios da população, discutindo o traçado do projeto de engenharia, que posteriormente foi executado. 

EMOÇÃO

Dia desses uma leitora me chamou na residência dela e me apresentou um uma edição do Alerta com folhas amareladas pelo tempo. É que em 1988 eu havia noticiado o nascimento de sua filha . Até hoje, ela guarda com carinho o jornal. Essas coisas não têm como não conter a emoção.

Residia em São José de Mipibu o leitor, Ubirajara Freire, que colecionava as edições do Alerta, desde o primeiro número. Como foi residir em Natal, não sei que paradeiro deu a sua coleção.

Ultima edição impressa, antes de ser suspensa sua circulação, por conta
da pandemia do Covid-19, em março de 2020

HOMENAGENS

Em todos esses anos, com 411 edições ininterruptas, trazemos aos nossos leitores algumas imagens  das homenagens prestadas por diversas entidades, pela contribuição que O ALERTA  prestada a nossa história e ao desenvolvimento de São José de Mipibu.

Título de Cidadão Mipíbuense,por proposição do vereador José de Figueiredo, em 1995

Agradeço as inúmeras homenagens que recebi, juntamente com O Alerta, pela Câmara Municipal (recebi o título de Cidadão Mipibuense, por proposição do vereador José Figueiredo Varela), Lions Clube, Maçonaria, e outras entidades. Sempre tenho dito dito: “se querem me homenagear, que o façam enquanto estou vivo”.


A Escola Estadual Barão de Mipibu prestou homenagem ao Jornal O ALERTA durante o desfile cívico de 7 de Setembro, na gestão do diretor João Maria Freire.
Comenda ‘Amigos da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de São José de Mipibu’
Honra ao Mérito do Lions Clube entregue ao editor d’O ALERTA, José Alves
Homenagem no I Encontro de Mídia Mipibuense e Região
juntamente com a blogueira Thaísa Galvão
Homenagem da Loja Macônica São José nº 14
 
Comenda do Mérito Legislativo, pelos relevantes serviços prestados à comunidade de São José de Mipibu. Gestão do presidente Kériclis Alves
Moção de aplauso pelos 39 anos do ALERTA, de autoria da
vereadora Verônica Senra e subscrita pelos doze vereadores
– Gestão do presidente Jean Nerino , em 2019

AS PLATAFORMAS DIGITAIS

A mudança na logística do processo de produção de informações jornalísticas abre a possibilidade alterações relevantes na forma como são produzidas as notícias. Agora qualquer pessoa com acesso à internet e com um sítio web pessoal, mesmo sem formação jornalística, pode publicar informações que julga importantes sem passar pela filtragem de jornalistas, procedimento antes sem espaço no modelo convencional de jornalismo centralizado.

O jornalismo impresso está em crise.   Está difícil atuar nessa mídia. As mídias sociais estão tendo uma atuação que atende o mercado publicitário. Já os jornais impresso estão fechando no Brasil, Aqui no Rio Grande do Norte, nos últimos anos fecharam O Diário de Natal, O Poti, Dois Pontos, Novo Jornal, O Jornal de Hoje, Novo Jornal…  (todos em Natal) e ainda,  O Mossoroense e a Gazeta do Oeste (em Mossoró). A situação é que o custo para colocar um jornal nas ruas não acompanha com o faturamento.  Esse é o dilema do jornalismo impresso. Mesmo tendo um público cativo que ainda gosta de folhear o jornal, o jornal impresso não conseguirá superar o imediatismo da internet. Essa é a desvantagem que leva o jornal impresso.  Mas, vamos levando O Alerta ao público cativo, enquanto eu puder editar.

4 Pessoas comentaram
JOSE OLAVO RIBEIRO

PARABÉNS pelo belo trabalho que representa o ALERTA.

Terezinha Tomaz

Parabéns! Uma linda história 💞!

Didi Avelino

Caro José Alves, nosso querido Dedé,
desde a primeira edição de O Alerta reverenciamos a grandeza da iniciativa de criar um periódico que informasse, divulgasse e, mais que isso, promovesse as coisas mipibuenses.
Colaboradores e incentivadores não lhe faltaram, embora o desafio fosse, particularmente, seu.
E você o encarou de frente, por amor a São José de Mipibu e à sua gente. Testemunhamos a sua luta e sabemos que não foi fácil, sobretudo, no início da jornada, quando tudo ainda era incerto e carecia de credibilidade pública para sua continuidade e afirmação.
Não demorou muito para que você comessasse a colheita daquele projeto jornalístico plantado com tanto amor e idealismo.
Alguns anos se passaram e a consolidação do jornal se deu tanto pelas tiragens, sucessivamente, crescentes, mas pela visível satisfação dos leitores conquistados.
Enfim, após tanta labuta, tanto empenho e absoluta entrega a “O Alerta”, no seu décimo aniversário, já contava com a estima, credibilidade e confiança dos mipibuenses. Isso significava a consolidação de um veículo de imprensa que nasceu do esforço idealista de um cidadão que nunca deixou de crer no sucesso do seu projeto.
A utilização das novas tecnologias permite agilidade e contemporaneidade a O Alerta. O leitor agradece.
Fui colaborador e assinante, daí, conheço um tanto de história desses quarenta e um anos de existência d’O Alerta e alegra-me ver a perspectiva de vida longa desse que é, hoje, um dos mais longevos jornais do nosso estado.
Parabéns ao Alerta é ao seu criador e editor-chefe, José Alves (Dedé).
Que venham mais décadas de vida, de eficiência e serviços prestados à São José de Mipibu, à toda coletividade, e
que Deus nos permita testemunhar mais do seu sucesso.

Edilson Avelino (Didi Avelino)

Chagas

Parabéns por essa conquista. Vc é um grande batalhador.

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