Figuras Mipibuenses (2) Miguel Alves

 Nascido em 15 de março de 1916, Miguel Alves da Silva, foi o terceiro filho de uma família de quatro irmãos. Seus pais, Oscar Gesteira Alves da Silva e Maria de Pio Monteiro de Brito. O pai, agricultor e a mãe, do lar.  Moravam na antiga rua das Louceiras, hoje, rua Dr. Paulino (alusão as diversas mulheres que complementavam a renda familiar  na produção de louças de barro (panelas, jarras, potes, etc..), inclusive a sua mãe.  

Os pais, católicos fervorosos, o incentivaram às práticas religiosa  e Miguel logo passou a acompanhar nas missas  do padre Paulo Herôncio, antigo pároco de São José de Mipibu, que contribuiu de forma significante na sua formação o incentivando a estudar (artigo quase exclusivo às classes média e alta) inclusive,  pagando uma professora particular.

Aos 18 anos conheceu Severina Peres da Silva (dona Biu) uma jovem que morava na estrada da lagoa do Bonfim, nas imediações da estação de trem. Aos 19 casou-se passando a morar no sitio de seus sogros onde construiu uma casinha de taipa.

Pastor Evangélico, o Dr. Carlos Matheus logo começou, paralelamente, à Base Aérea de Natal, a construir a primeira Igreja Batista Regular, em São José de Mipibu (alguns dizem ser a primeira da congregação, no Brasil). Como a construção da Base Aérea empregava um grande número de pessoas de São José, muitos fieis católicos se converteram à Igreja Batista, logo tornou-se um obstáculo à Igreja Católica (segundo relatos dos mais velhos houve muita perseguição nesse período, inclusive, o Dr. Carlos Matheus chegou a ser preso).

Trabalhadores na construção da antiga Base Aérea de Natal
Base Aérea Americana, em Natal, durante a Segunda Guerra Mundial

Miguel Alves já tinha se estabelecido como funcionário público, passando a residir no centro de São José de Mipibu, onde, comprou uma casa na rua Santana.

Com o passar do tempo a amizade entre as famílias do Dr. Carlos Matheus e a sua foi crescendo a ponto dos seus filhos frequentarem a sua residência, visto que a esposa de Miguel Alves, dona Biu, era uma excelente doceira, principalmente, na arte de fazer doces de cajú (guloseima muito apreciada pelos jovens americanos).

Após a construção da Base Aérea a maioria dos trabalhadores foi efetivada como funcionários nos diversos seguimentos profissionais (pedreiros, carpinteiros, pintores, almoxarife, motoristas, etc…), sendo o Miguel Alves efetivado como motorista.

Com o fim da Segunda Guerra, em 1945, Dr. Carlos Matheus precisou retornar aos Estados Unidos. Porém a sua Igreja Batista permaneceu ativa, sendo seu filho Ricardo Matheus, ficado responsável para conduzir os trabalhos.  Ele vinha, periodicamente, até o final dos anos sessenta.

Com o passar do tempo começou a haver desentendimento entre os fiéis e a igreja se dividiu em grupos. Um grupo com cerca de um terço dos fieis liderado por Miguel Alves se desligou da Igreja passando a fazer cultos nas residências do fieis ou de pessoas que solicitam o ofício religioso.

Em 1968, já gozando de certo prestigio na cidade ingressou na política, candidatando-se a vereador e conquistando uma das cadeiras, ao lado de amigos com Palmiro Peixoto, Alberto Vilar, Djalma Emerenciano (candidato derrotado), e José  Abhat. Esses,  faziam uma oposição ferrenha ao então prefeito Hélio Ferreira.

Em 1973, por intermédio do Sr. Ricardo Matheus, o mipibuense Miguel Alves conseguiu uma verba junto a igreja Batista, nos Estados Unidos para aquisição de um terreno para construção de uma congregação. Dessa forma foi adquirido um terreno já com uma estrutura física na rua 26 de Julho.  Após uma reforma foi edificada ali uma congregação Cristã. Antes, também, por intermédio do Sr. Ricardo Matheus, conseguiu um convênio junto a uma entidade filantrópica Norte-Americana(ONG), onde o mesmo recebia diversos gêneros alimentícios para ser distribuído aos mais humildes da cidade.

Vinham dos Estados Unidos, alimentos como: arroz integral, fubá, feijão… e, também vestimentas, artigos muito apreciados, na época, inclusive pela alta sociedade mipibuense,  visto que as peças seguiam o padrão do modismo americano. Todos esses gêneros eram distribuídos gratuitamente entre os fiéis e a população carente. No final dos anos 70, com a introdução de outros impostos e o preço do frete, ficou inviável para Miguel Alves manter esse convênio.

Em 1982, já aposentado da Base Aérea, apoiou a candidatura do agropecuarista Leonel Luiz dos Santos, candidato a prefeito de Sçao José de Mipibu. Com a vitória de Leonel, foi convidado a fazer parte da equipe de seu governo passando a exercer o cargo de Fiscal do Mercado Público, da feira livre e do Matadouro Municipal. Com o fim da administração de Leonel Santos, em 1988, se desligou da política passando a exercer apenas a atividade pastoral e a atividade agrícola. Visto que tinha uma chácara nas proximidades da lagoa do Bonfim.

Nos anos 90 já com a idade avançada e a saúde debilitada passou o comando da congregação Cristã à Igreja Batista Cristã em Parnamirim. No entanto, permaneceu frequentando a mesma igreja  onde viu ali ser erguida a  Primeira Igreja Batista Cristã em Mipibu.

Posteriormente foi demolido a sede onde, por muitos anos funcionou a Congregação Batista Cristã, bem como a Primeira Igreja e foi erguida a moderna igreja, que existe na rua 26 de Julho.

Em fevereiro de 1998, aos 82 anos, bastante debilitado por problema de saúde, após diversas internações, veio a falecer no Hospital Monsenhor Antonio Barros, em São José de Mipibu, deixando um legado de lutas e vitórias para seus entes queridos e aqueles que o admirava.  (Texto e fotos gentilmente fornecido pelo filho Levi Alves

Dona Biu, esposa de Miguel Alves, com neta e bisnetas
2 Pessoas comentaram
Antonio Navarro

Trabalho de uma riqueza de detalhes imensa! Condensado num artigo de fácil e deliciosa leitura! Parabéns Zé!!!

Ricardo

Bela história, e Muito importante esse resgate do passado.Parabéns.

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