Elizabeth Nasser, antropóloga pioneira na luta feminista e discussões de gênero, morre de covid-19 no RN

O movimento feminista no Rio Grande do Norte perdeu uma de suas representantes pioneiras. A antropóloga e professora Elizabeth Nasser morreu nesta quarta-feira (16), vítima de covid-19.  Elizabeth dedicou a vida inteira à causa feminista e foi pioneira na luta e implantação das discussões de gênero nas disciplinas que ministrava no curso de Ciências Sociais, na Universidade federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“Ela é uma pessoa muito importante para o feminismo do Rio Grande do Norte e para a Articulação das Mulheres Brasileiras. Ela foi pioneira, estudou nos Estados Unidos e veio pra Natal muito influenciada pelo feminismo americano. Foi pioneira na UFRN na discussão de gênero e na questão das mulheres. É uma referência para toda uma geração de feministas da década de 70 e 80. É uma perda pra covid muito triste”, lamenta Cláudia Gazola, Educadora do Coletivo Leila Diniz.

Betinha, como era chamada pelas pessoas próximas, também foi fundadora do Coletivo Leila Diniz, uma das fundadoras do Fórum de Mulheres do Rio Grande do Norte, participou das discussões para a fundação do Conselho da Mulher e a primeira presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, o primeiro a ser deliberativo, ou seja, a ter caráter decisório e não apenas consultivo. Elizabeth Nasser participou ainda ativamente da Constituinte de 1988 através do lobby do batom, que é como ficou conhecido o grupo de feministas que fizeram manifestações para a implantação de leis que garantissem igualdade entre mulheres e homens na legislação.

Além de professora, Elizabeth Nasser também tinha uma vasta biblioteca que acabou se tornando referência para quem pesquisava sobre feminismo. Betinha fazia questão de manter as portas sempre abertas

“Como professora sempre à frente do seu tempo, ela enfrentou muitos preconceitos na universidade porque ela era sozinha na luta pela teoria que vinha sendo construída. A biblioteca dela é referência para todas as feministas do estado. Ela sempre foi muito solícita e sempre manteve a casa aberta para as mulheres que quisessem pesquisar. Ela foi uma pessoa muito presente em todas as lutas, sempre muito livre, fez doações à biblioteca do Coletivo Leila Diniz, que começamos organizar ano passado e não conseguimos abrir por causa da pandemia”, ressalta Cláudia Gazola.

Uma de suas grandes amigas de luta feminista desde os anos 70 é Analba Brazão Teixeira, que chegou a chorar, emocionada com a perda da amiga, durante a conversa que tivemos por telefone:

“Ela foi a responsável pelo implantação do debate de gênero e feminismo nas disciplinas que ministrava no curso de Ciências Sociais na UFRN. Foi difícil conseguir isso.  Nos encontramos com ela última vez no ano passado, nos 25 anos do Fórum de Mulheres, quando ela foi homenageada. Ela foi uma pessoa muito importante e ainda bem que foi homenageada em vida, tem o centro da prefeitura que leva o nome dela, fundamos juntas o Coletivo Leila Diniz, que hoje é uma instituição autônoma. Em 1995 participamos da Conferência Mundial da Mulher, em Beijing, foram nove mulheres de Natal. Ela escrevia muito, analisava presença das mulheres no poder, discutia a participação feminina nas eleições, não apenas como laranjas. Ela tem uma história muito bonita, de muita luta, não só para o RN, como para o Brasil”, resume Analba Brazão, sobre os anos de convivência e luta com a amiga Elizabeth Nasser.

Como homenagem ao trabalho desenvolvido pelas mulheres, Elizabeth Nasser dá nome ao Centro Municipal de Atendimento à Mulher em situação de violência da Prefeitura de Natal, localizado na Avenida Bernardo Vieira. O esposo de Elizabeth, o também antropólogo Nássaro Nasser, militante da causa feminista e companheiro da mulher por toda a vida, também está com covid-19. (Mirella Lopes – Agência Saiba Mais)


Elizabeth Nasser nos 25 anos do Fórum de Mulheres, encontro realizado em 2019
2 Pessoas comentaram
HenryEpini

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Regina Freire de Noronha

Nossos sentimentos a familia da Profa. Elizabeth Nasser. Otimo artigo.
😉

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