Curraisnovense José Xavier Cortez, fundador da Editora Cortez, morre em São Paulo aos 84 anos

O editor curraisnovense José Xavier Cortez, morreu na madrugada desta sexta-feira (24), em São Paulo. Ele tinha 84 anos e a morte foi confirmada no perfil oficial da Editora Cortez: “Com imenso pesar comunicamos o falecimento de José Xavier Cortez (1936-2021), nosso querido fundador”, inicia o texto.

Cortez saiu aos 17 anos de Currais Novos/RN, e ingressou em 1966 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde iniciou sua carreira no mercado editorial como livreiro e editor.

Ele dedicou sua vida à Educação Brasileira, garantindo a estrutura editorial para que autores importantes continuassem conectados ao ensino básico.

Em entrevista publicada na SAIBA MAIS, em dezembro de 2018, o jornalista Carlos Magno Araújo conta a trajetória de Cortez e ressaltou o posicionamento dele contra o movimento da ‘Escola sem Partido’: “Educar é um ato político, ensinar é um ato político e é evidente que os professores têm de tratar de política em sala de aula”, defendeu ele.

Cortez nasceu em 1936, num sítio em Currais e entrou na Marinha aos 19 anos, em Pernambuco, onde fez a escola de aprendiz de marinheiros.

Foi expulso em 1964 ao participar de um movimento considerado subversivo já quando servia no Rio de Janeiro. “Na verdade, o que queríamos era mais respeito, já que os marinheiros eram tratados com muito desprezo pelos superiores”, disse ele em 2018.

Foi então para São Paulo, onde virou lavador de carros. Conseguiu entrar na faculdade de Economia da PUC em 1966 e a partir de então a vender livros para se manter e bancar os estudos. Seus clientes, intelectuais de vanguarda.

Daí foi um pulo para tornar-se livreiro e depois editor.
Cortez é nome de escola na zona sul de São Paulo, no bairro do Grajaú, e tem, entre vários títulos, o de cidadania paulista.

Nas entrevista, ressaltou que jamais esqueceu os conselhos dos pais, no sertão potiguar, de ser honesto, responsável e manter a palavra. Costumava dizer que o amor pela leitura e pelos livros mudou sua vida. “Foi a leitura que me levou a ser o que sou hoje”.

Sem ela, dizia, jamais seria editor, jamais entraria na PUC. “O balanço que faço é que, acho, deixarei um legado bacana para o país, para minha família e para quem esteve perto de mim”.

Durante a pandemia, Cortez escreveu o primeiro livro

Em reportagem publicada pelo site G1SP em novembro de 2020, Cortez falouo sobre as mudanças que a pandemia havia imposto. Então com 83 anos e fazendo parte do grupo de risco, ele teve que interromper os exercícios físicos, o trabalho na editora Cortez e o convívio com os três filhos e netos. Mas nesse novo cenário, ele se desafio a escrever o seu primeiro livro, depois de editar mais de 1,3 mil títulos de outros autores. O nome da obra é “Tempos de isolamento”, que mistura memórias e reflexões sobre a vida em pandemia.

No texto publicado no site de SP ele conta que a ideia surgiu após ver um recado no elevador, deixado por vizinhos do prédio que se ofereciam para fazer compras para os moradores mais velhos, ação de solidariedade que se tornou comum na pandemia.
Ele disse que o objetivo do livro também era mostrar a importância da sala de aula para pessoas de sua idade – antes da pandemia ele era aluno em um curso universitário voltado para terceira idade. “As pessoas que estão envelhecendo – que criaram seus filhos, que deram todo seu tempo, todo seu trabalho, todo seu suor, em benefício de determinadas cidades do país – merecem esse tratamento especial.”, explicou.

Viúvo, Cortez morava sozinho em um apartamento em Perdizes. A escrita do livro ocupou seu tempo por cinco meses e foi lançado em outubro de 2020. “Foi uma experiência singular que, posso assegurar, me manteve ativo mentalmente e entusiasmado a ponto de me apartar de qualquer resquício de depressão e tristeza nestes meses de confinamento.”

Leia a entrevista completa publicada na Saiba Mais:

Cledivânia Pereira – Da Agência Saiba Mais

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