Gutenberg Costa: Pesquisador aposentado concretiza sonho de criar uma biblioteca

O pesquisador, escritor, professor, historiador, folclorista e conferencista (ufa!) Gutenberg Medeiros Costa decidiu, ao encerrar a vida laboral, dedicar-se ao plano o qual já desenvolvia em sua mente há tempos: disponibilizar sua gigantesca coleção de obras literárias em um espaço aberto para todos.

Vida pré-aposentadoria

Aos 58 anos, o natalense revela que “a vida toda foi em Natal e em Nova Parnamirim”. Entre a capital e a região da Grande Natal, afirma ter se dedicado ao desenvolvimento de várias atividades culturais, como publicação de livros, colaboração com artigos, sobretudo, na área do folclore. Em virtude da paixão pelas tradições e pelas manifestações populares, declara “envolvimento com a Comissão Norte-rio-grandense de Folclore”. Quanto às formações acadêmicas, conta com graduações em Direito e Pedagogia e uma pós-graduação em Educação Ambiental, todas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Vida pós-aposentadoria

“Pretendia, depois de deixar de trabalhar, residir em uma cidade pequena. Um amigo me disse que havia duas casas à venda em Nísia Floresta”, conta. Um município pacato e duas casas. O universo parecia estar a seu favor. Diante disso, o ex-docente não podia deixar essa oportunidade passar. Logo, deslocou-se até a cidade com o intuito de avaliar o local pessoalmente. Tiradas as impressões, constatou que ali desejaria passar o resto de seus dias, além de, claro, construir o almejado lugar de exposição de seus exemplares.

Colocando o plano em prática

Adquiridos os imóveis, o próximo passo era adaptá-los às suas expectativas. Resolveu, primeiramente, qual casa reservaria para sua morada e qual transformaria em biblioteca. Feito isso, o espaço foi inaugurado, em 12 de agosto de 2017. Orgulhoso, destaca: “Já vai completar 1 ano”.

“Biblioteca Dona Maria Estela”. Este foi o nome escolhido, em homenagem à mãe, “saudosa, mas que nunca escreveu nada e, se tivesse, seria uma grande contadora de causos e histórias devido a sua boa memória e às vivências em Pendências e Macau, sua terra natal”, confidencia, acrescentando que “ela nasceu ali, mas viveu mais de 40 anos na feira do Alecrim, onde eu cresci”.

Tornou-se realidade

Há mais de 7000 livros disponíveis. Todo esse mundaréu é (era) seu, logo, revela-se adequado aos seus interesses. Voraz leitor, seus livros se constituem, na maior parte, relacionados a história, folclore, cultura, cinema e música. O objetivo era estender o acesso ao conhecimento a todos, “especialmente, para quem deseja, além de ler, pesquisar”, enfatiza.

No entanto, “o público é reduzido. Os jovens, ‘infelizmente’, não se interessam por isso. Não há essa tecnologia que eles preferem, como computador ou videogame. Aqui, há livros e mesas para ler e pesquisar”, comenta com dissabor.

Conquanto a frequência desta faixa etária não se mostre elevada, a de amigos, pesquisadores, poetas, escritores e cineastas que o visitam o deixa otimista. “Muitos vêm me ver e pesquisar. Já tenho anotada a presença de cerca de 100 pessoas”, “ilustres pessoas”, ressalta. Destaca, ainda, os nomes de Daliana Cascudo, Vicente Serejo e Marcos Lopes.

Funcionamento

Está aberta em todos os dias úteis da semana, entre as 14 e as 18 horas (FECHADA NESTE PERÍODO DE PANDEMIA). Entretanto, não é possível levar uma dessas obras para casa. “Todo o acervo é para consulta e pesquisa na própria biblioteca. Portanto, não existe aluguel ou empréstimo. Aos interessados da comunidade, é bom agendar dois dias antes, pois, quando preciso sair, fica fechada”, alerta bem-humorado.

(Com informações do Potiguar Notícias)
 

3 Pessoas comentaram
Gutenberg Medeiros Costa

Querem matar o velho de emoção mesmo. Dizem que emoção, queda e casamento com moça nova, são as três coisas mais ligeiras de matar um velho que está beirando os 62 de carnavais e feiras. Gratidão por tudo amigo irmão Zé Alves. Surpresas boas e homenagens em vida, só os verdadeiros amigos nos fazem, já dizia o mestre Câmara Cascudo! Viva!

Terezinha Tomaz

Que maravilha! É uma pena que as pessoas estão lendo cada vez menos. Insistir sim, desistir nunca!

Antônio Navarro

Parabéns pela realização de um sonho! Com o fim da pandemia espero conhecer parte do acervo e prosear com o nobre cronista!

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