CASAS E CASARÕES DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU (6)

Engenho Lagoa do Fumo

Em sua época áurea, São José de Mipibu chegou a ter 32 engenhos em funcionamento. Deste período, o que melhor guarda as características daquela época é o Engenho Lagoa do Fumo. Localizado a cinco quilômetros do centro da cidade, ainda respira os ares e a aparência de 1810, ano em que foi construído. A propriedade pertenceu à família de Miguel Ribeiro Dantas, o poderoso Barão de Mipibu. Com a morte do barão, o engenho foi vendido para o coronel Felipe Ferreira em 1897, cujos descendentes administram  o local até hoje.

Leda Souza Ferreira e Murilo Ferreira, atuais proprietários,  cuidam do engenho como uma joia preciosa, e querem que outros  também possam admirar essa beleza.

O Engenho de Lagoa do Fumo é um documento fiel do Brasil colonial e rural. A casa-grande de 211 anos conserva a estrutura original. É uma ampla construção térrea de tijolos, telhado (original) de duas águas, e diversos ambientes divididos segundo a arquitetura da época. A extensa varanda e seus janelões são naturalmente arejados. Os armários internos, instalados nas paredes, ainda estão conservados. A poucos metros está o engenho, apenas com a fachada conservada, junto com a imponente chaminé. A moenda foi trazida da Paraíba – a original se perdeu no tempo. Ao lado da casa-grande, a capela de São Pedro é uma construção mais “recente”, de 1919.

O engenho de cana-de-açúcar funcionou até 1963. Durante esse tempo chegou a produzir as cachaças Soberana e Riqueza, muito apreciadas pelos degustadores de uma caninha artesanal. Hoje em dia, a propriedade é usada apenas para a criação de gado nelore.

Fonte: Tádzio França – Tribuna do Norte, de 6.9.2013

3 Pessoas comentaram
Terezinha Tomaz

Que bom que preservaram essa historia do Brasil, memória viva.

Antônio Navarro

Muito bonito de se ver! História ricamente preservada! Parabéns a família que possui a propriedade!

IMIS ROSA UCHOA CORREIA

Quando pré-adolescente,nos anos 1960, lá em casa, na Ângelo Varela, trabalhou como babá do meu Sobrinho Ricardo Gaspar, Maria José, uma adolescente cujos pais certamente moravam na faz Lagoa do Fumo. Ela narrava alegremente as aventuras de menina, junto com uma tal Poquita, certamente prima ou irmã. Eu escutava atento e admirado , ansioso para conhecer o lugar. O tempo correu célere, mas esse nome de Lagoa ficou bem gravado na memória, principalmente a experiência, bem cedo, ligada ao fato de que meninas pobres também tem momentos alegres para contar, sinal de vivência em família, cuja necessidade exigiu a saída de um ente querido, a fim de reduzir as despesas domésticas e contribuir com um pouco daquela renda adquirida com o trabalho de Babá.

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