José Alves Dedé

Diferente do que prega o presidente Bolsonaro, Ministro da Saúde destaca importância do ciclo vacinal completo conta Covid-19

Diferentemente do que vem divulgando em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores negacionista contra a vacinação, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destacou a importância das pessoas completarem o ciclo vacinal.

Neste sábado (22), os governos federal, estaduais e municipais realizaram na Região Norte um dia de mobilização para chamar a atenção da população local para a importância da vacinação contra a covid-19.

Foram montados atos em cada capital com participação de representantes do Ministério da Saúde, dos governos estaduais e das prefeituras e realizados mutirões de vacinação , transmitidos pelos canais da pasta.

Em Manaus, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destacou a importância das pessoas completarem o ciclo vacinal.

“Solicito a colaboração de cada um para que leve aqueles que vocês conhecem para tomar a segunda dose da vacina. E aqueles que não tomaram dose de reforço, que procurem receber essa dose. Só assim vamos ser efetivos e evitar formas graves de doença, que pode levar à morte dos nossos irmãos, não só na Região Norte como no Brasil”, disse o ministro.

O ministro lembrou que o público infantil também foi incluído no plano de vacinação, na faixa de 5 a 11 anos. “Vacinas [para crianças] que são aplicadas nos grandes centros do mundo estão disponíveis. E que tenhamos enfrentamento mais efetivo”, acrescentou.

Agência Brasil

Jornalista potiguar que perdeu prêmio no Domingão do Huck já arrecadou mais de R$ 100 mil com “Vakinha”

O jornalista, escritor e palestrante natalense Fernando Campos, pessoa com deficiência visual, e o amigo médico Lucas Lavine, participaram do The Wall, quadro do programa Domingão com Huck, com o objetivo de destinar o prêmio ao projeto de informatizar e ampliar os serviços do Instituto dos Cegos do Rio Grande do Norte.

A frustração se deu quando, no final do jogo, os mais de 185 mil reais que Fernando e Lucas estavam ganhando, desceu pelo ralo após o paredão zerar. Caso tivesse mantido o contrato, a dupla, pelo menos faturaria 35 mil. Mas ele rasgou o contrato.

O apresentador Luciano Huck, através de uma instituição, repassou 35 mil para o Instituto dos Cegos e lançou uma ‘vakinha’ virtual. Até o momento o site já arrecadou mais de R$ 100 mil.

O apresentador Luciano Huck, através de uma instituição, repassou 35 mil para o Instituto dos Cegos e lançou uma ‘vakinha’ virtual. Até o momento o site já arrecadou mais de R$ 100 mil.

Com rede de saúde sobrecarregada, MPRN pede que Governo suspenda eventos de massa no RN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e a Defensoria Público do RN estão pedindo ao Judiciário que determine ao Governo do Estado que proíba grandes eventos de massa. Para isso, o Estado deverá alterar decreto estadual que entrou em vigência na última sexta-feira (21). De acordo com os órgãos, a medida visa o enfrentamento da variante Ômicron, que possui uma alta taxa de transmissibilidade, seguindo uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A ação civil pública (ACP) requer que o Estado cancele todas as autorizações para a realização de shows com grande público, sejam em locais abertos ou fechados. E ainda que o Judiciário obrigue o Estado a se abster de conceder novas autorizações para shows de massa e congêneres em todo o território potiguar, assim como a suspender tais eventos, até que ocorra novo controle da transmissibilidade do coronavírus no RN. Ou seja, até que a pandemia volte a atingir os patamares de contágio alcançados em novembro e dezembro de 2021.

Ainda de acordo com as instituições, as medidas impostas pelo Estado do RN até o momento, apesar de serem importantes para a atividade econômica local, uma vez que buscam preservar o setor de promoção de eventos, são insuficientes para reduzir os índices da Covid-19. “Eventos de massa públicos ou privados possuem aptidão para amplificar a transmissão do vírus, já que grandes aglomerações são identificados como eventos super-espalhadores”, acrescenta. 

Juiz condena desembargador aposentado do RN por crime de “rachadinha”

O Juiz da 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte, Francisco Eduardo Guimarães Farias, ao julgar, nesta data, a Ação Penal nº 0802934-04.2021.4.05.8400, condenou o Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça, Rafael Godeiro Sobrinho, por omitir valores nas declarações de imposto de renda, dinheiro proveniente de uma “rachadinha” com um assessor.

A sentença impôs ao réu condenação a quatro anos e oito meses de reclusão, em regime semiaberto, e a uma pena de multa de 146 dias-multa, sendo cada dia-multa equivalente a 1/10 do salário mínimo vigente à época dos crimes. ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​

Ao fundamentar a decisão, o magistrado asseverou que “a detida análise dos elementos probatórios coligidos nos autos (notadamente a Representação para Fins Penais nº 10469.725308/2015-11) revelou que o denunciado RAFAEL GODEIRO SOBRINHO, nas Declarações de Ajuste Anual dos anos-calendário 2010 e 2011, suprimiu imposto de renda mediante omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada”.

O magistrado observou que os depósitos, que somaram R$ 33.650,00, ao longo dos anos de 2010 e 2011, foram transferidos por Francisco Andrade dos Santos Neto para a conta corrente do réu e eram referentes ao cargo comissionado que Francisco Andrade exercia no Tribunal de Justiça do RN, para o qual foi nomeado pelo Desembargador Rafael Godeiro. Para permanecer no cargo, o assessor “era obrigado a transferir uma quantia para a conta do então Desembargador, sob pena de sair do referido cargo”.​ ​ ​ ​ ​​

Fonte: Portal Grande Ponto

TERCEIRA VIA? Senador Tasso Jereissati revela preferência de tucanos por candidatura de Simone Tebet

Ex-presidente do PSDB por duas vezes e uma das figuras mais importantes da história do partido, o senador Tasso Jereissati  (PSDB-CE) defendeu, em entrevista exclusiva ao Valor, que a senadora Simone Tebet, do MDB, é o nome da terceira via com melhores condições de desbancar o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vencer a eleição presidencial deste ano – e não João Doria, governador de São Paulo e seu companheiro de sigla.

Tasso diz que a avaliação é “técnica”, feita a partir de análises de pesquisas e conversas que tem mantido com especialistas e integrantes do mundo político, entre eles o ex-presidente Michel Temer.

Tebet, diz, ganhou projeção na CPI da Covid e tem baixa rejeição entre os eleitores que já a conhecem – um percentual ainda baixo.

Doria, por outro lado, é muito conhecido pelo eleitorado, mas tem rejeição alta.

“Tem uma alameda onde ela pode crescer. É a mais viável das candidaturas”

Em uma análise racional, não estamos em uma disputa de quem é mais aceito, mas de quem é menos rejeitado”

Tasso também cobra que o MDB dê sinais efetivos de que Tebet será candidata, pois boa parte da dificuldade é a desconfiança gerada a partir do próprio partido.

“O que eu tenho ouvido de muitas pessoas é que a Simone é ótima candidata, e vocês vão dizer: ‘E o MDB vai lançar a Simone mesmo?’ É a falta de confiança de que ela é candidata pra valer. 

Dá tempo de tornar Simone Tebet conhecida a ponto de ganhar de Lula e Bolsonaro?

Tasso: Vou fazer uma referência a vocês aqui e cabe a todos os outros. Boa parte dos jornais, Valor, “O Globo”, têm ao menos duas páginas aí sobre eleições diariamente. Mas a cobertura é concentrada hoje em Lula, Bolsonaro, claro, bastante [Sergio] Moro, mas bem abaixo dos dois, em seguida, um pouquinho do Ciro [Gomes], mas a Simone é praticamente ignorada.

Tem até pesquisa em que ela não entra.

O que precisa? Primeiro, dar a credibilidade de que ela é candidata pra valer. Isso é papel que o MDB tem que fazer. O que eu tenho ouvido de muitas pessoas é que a Simone é ótima candidata, vocês vão dizer.

Do Valor  Econômico

Prefeitos do RN relatam aumento de contaminados por covid com casos de internamentos graves

É grande a preocupação de prefeitos de todo o Rio Grande do Norte com o aumento no número de casos de covid.

Em São José de Mipibu, o prefeito José Figueiredo suspendeu o atendimento presencial na Prefeitura Municipal, por uma semana, tendo retornado os trabalhos, nesta segunda-feira (24).

No grupo da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), são vários depoimentos.

O prefeito de Caicó, Doutor Tadeu, comentou sobre o internamento de quatro pessoas. Uma já intubada e outra em situação já grave e piorando. Central de Covid em Caicó lotada.

Em Touros, o índice de testes positivos ultrapassa os 50%.

Em Lagoa Nova o prefeito Luciano informou no grupo que o aumento dos casos de covid foi do zero para mais de 200, e que o centro de covid está lotado.

Em Brejinho o relato foi de situação grave, com internamentos.

Em Messias Targino a prefeita Shirley, que postou nas redes sociais que está isolada por estar infectada pela segunda vez, a demanda é tão alta que a Secretaria de Saúde chega a só conseguir atualizar o sistema por volta de uma da madrugada.

Em São Gonçalo, no final da semana, em um dia foram colhidos 220 testes, dos quais mais de 180 positivos.

FONTE: thaisagalvao.com.br

PIS/Pasep 2022: Calendário do abono salarial 2022; veja calendário

O abono salarial do PIS/Pasep 2022 teve mudanças em seu calendário, que já foi divulgado e começa em fevereiro.

O abono salarial do PIS/Pasep é um benefício pago anualmente aos trabalhadores. Antigamente, os pagamentos aconteciam da metade de um ano para o ano seguinte.

Em 2021, no entanto, houve uma mudança no calendário do abono salarial PIS/Pasep, fazendo com que ele seja pago em tempo reduzido, de acordo com um calendário divulgado em janeiro de cada ano.

O calendário é dividido. Os trabalhadores do PIS recebem segundo o mês de aniversário e os do Pasep recebem segundo os números no cartão. Além disso, os calendários do PIS e do Pasep são divididos e começam em datas diferentes [você pode conferir abaixo].

Calendário PIS 2022

Trabalhadores da iniciativa privada recebem o PIS, pela Caixa Econômica Federal.

NASCIDOS EMRECEBEM A PARTIR DERECEBEM ATÉ
Janeiro8 de fevereiro29 de dezembro
Fevereiro10 de fevereiro29 de dezembro
Março15 de fevereiro29 de dezembro
Abril17 de fevereiro29 de dezembro
Maio22 de fevereiro29 de dezembro
Junho24 de fevereiro29 de dezembro
Julho15 de março29 de dezembro
Agosto17 de março29 de dezembro
Setembro22 de março29 de dezembro
Outubro24 de março29 de dezembro
Novembro29 de março29 de dezembro
Dezembro31 de março29 de dezembro

Calendário Pasep 2022

Trabalhadores do setor público, que recebem o Pasep, pelo Banco do Brasil.

FINAL DA INSCRIÇÃORECEBEM A PARTIR DERECEBEM ATÉ
0 – 115 de fevereiro29 de dezembro
2 – 317 de fevereiro29 de dezembro
422 de fevereiro29 de dezembro
524 de fevereiro29 de dezembro
615 de março29 de dezembro
717 de março29 de dezembro
822 de março29 de dezembro
924 de março29 de dezembro

DIA DO RISO

Nilo Emerenciano – Arquiteto e escritor

Eu nem sabia que existia um Dia Internacional do Riso. Soube através do meu amigo Gutenberg Costa que me enviou o registro. Ele usa daquelas folhinhas antigas do Sagrado Coração de Jesus, com efemérides, santos do dia, fases da lua e assim sabe tudo o ano inteiro, tipo o Lunário Perpétuo que minha mãe consultava. Assim, fiquei sabendo. Dia 18 de janeiro. Dia de dar risadas de qualquer coisa, inclusive – e muito importante – de nós mesmos.

Umberto Eco escreveu O Nome da Rosa, romance ambientado na Idade Média em uma abadia que guarda uma rica biblioteca. A trama é em torno de um suposto livro perdido de Aristóteles que falava do riso e do bom humor. Para ocultá-lo e condenar o riso algum monge mal-humorado comete assassinatos em série. A revista Seleções do Reader’s Digest que eu lia em criança trazia uma página chamada Rir é o Melhor Remédio com algumas piadas bobas, mas divertidas. Os palhaços, antigos como a civilização, mantêm viva a tradição de fazer rir adultos e crianças. Os bobos da corte tinham a difícil missão de fazer permanente o bom humor do rei. E ai deles se o monarca não entendesse a piada. Triboulet (século XV) foi um bobo famoso. Uma ocasião, condenado a morte, o rei ordenou que escolhesse a forma de morrer. Triboulet não titubeou: – Escolho morrer de velhice.

No cinema, grandes bufões. Vi todos durante a minha infância. Os Três Patetas faziam rir trocando sopapos. Cantinflas era um ator mexicano que usava a calça caindo pela bunda e um proto-bigodinho nas laterais dos lábios. Jerry Lewis me fez chorar de rir nas matinês do Cine Poti. Acusado do desaparecimento de um cruzador, abriu os braços e gritou em meio aos oficiais: – Podem me revistar…! Genial. Chaplin é hors concours. O maior de todos, com seu chapéu coco e bengalinha. E ainda se dava ao luxo de fazer crítica social como em Tempos Modernos e o Grande Ditador. Por falar em tempos modernos, Jim Carrey é meio que herdeiro de Jerry Lewis nos trejeitos, nas caretas e no talento.

No Brasil havia uma porção de ótimos comediantes. Oscarito, Grande Otelo, Zé Trindade, Mazzaropi, Dercy Gonçalves, cada um em seu estilo. De todos, fui fã de Oscarito. Os mais idosos devem lembrar as filas que se formavam para ver as ditas chanchadas da Atlântida, que apresentavam, inclusive, os cantores-galãs de uma época sem televisão.

A TV absorveu toda essa gente. Ronald Golias e Jô Soares fizeram a família Trapo. Vindo do nordeste, Luís Jacinto criou o ótimo personagem Coronel Ludugero. Do nordeste também, o gênio de Chico Anísio criou Chico City, com uma infinidade de personagens que seu talento dava vida. Coronel Limoeiro, Azambuja, Canavieira, Coalhada, Alberto Roberto… Além disso, com A Escolinha do professor Raimundo deu oportunidade a artistas novos e veteranos. Antes de se dedicar a entrevistas Jô Soares tinha um programa, o Viva o Gordo, também com alguns personagens marcantes. Raul Gil, poucos lembram, começou a carreira contando piadas nos programas de auditório. Renato Aragão e os Trapalhões durante anos foram donos das tardes de domingo, com um humor simples e engraçado.

Lembro-me das sessões do Cinema Rex. Antes do inicio dos filmes havia um jornal, acho que Canal 100. Nele passavam os atos oficiais, desfiles e inaugurações. Um gaiato que havia assistido à sessão anterior marcou o momento em que Juscelino Kubitschek subia as escadas do avião e parava no alto, se voltando para os seguidores. Não fez por menos. Quando o presidente atingiu o alto da escada ele gritou: – Juscelino! Juscelino voltou-se. O gaiato então liberou: – Nada não, nada não. E Juscelino, enfim, entrou no avião para o delírio da plateia do cinema. A Condor Filmes abria as sessões com o enorme pássaro que erguia voo e batia asas até sumir no horizonte. Batata: era sempre enxotado aos gritos pela plateia. Havia um homem engraçado que usava chapéu e nessa hora erguia-se e espantava o condor aos gritos de xô, e agitando furiosamente o chapéu. Tem mais. Ao fim dos trailers alguém sempre gritava: – Eu venho! Alguns respondiam: – Eu também! Mas a coisa evoluiu e passaram a acrescentar: – Traga sua mãe! Até que um espirituoso acrescentou, atalhando o xingamento e acabando aquela brincadeira: – Eu venho e trago minha mãe! Parece besta, mas era divertido, acreditem.

O jornal O Pasquim, durante os anos da ditadura, reuniu um grupo de humoristas e fez do humor uma peça de resistência. Jaguar, Ziraldo, Fortuna, Henfil, Millôr. Millôr que havia sido dono de uma seção da revista O Cruzeiro chamada Pif-Paf, profetizou (errado) no primeiro número: “- Se essa revista for independente não dura três meses, se durar três meses não é independente.” E avisou:  “- Nós, humoristas, temos bastante importância  para ser presos e nenhuma pra ser soltos.” Algum tempo depois a turma toda foi presa pelos agentes do regime.

É isso. Acho que humor é sempre contra o estabelecido. Humor a favor não tem graça nenhuma. Humor subsidiado, oficial, chapa branca? Já observaram que líderes autoritários são sempre mal-humorados, casmurros, truculentos? E esquecemos o ataque cruel à revista francesa Charlie Hebdo? Talvez por isso eu não consiga rir com nada que a TV me apresenta hoje. O último bom programa foi Casseta & Planeta. Ou talvez porque o país esteja também mal-humorado, sem graça, triste, macambúzio. Difícil rir com as figuras que estão aí, rir da miséria, do desemprego, dos absurdos, da ignorância institucionalizada. Não há como rir do vírus.

Mas a gente insiste em manter o bom humor e buscar motivos pra boas risadas, seja em uma conversa com amigos, partilhando boas lembranças, na esperança de qualquer dia desses podermos rir de verdade, ou, como diziam antigamente, a bandeiras despregadas. Parodiando o poeta amazonense Thiago de Mello que nos deixou no dia 14 deste mês: Faz escuro, mas eu rio.

O autor dessa crônica, Nilo Emerenciano e sua família (a foto postada é de total responsabilidade do editor do blog)

NATAL/RN

Meu encontro com a genial Elza Soares

Gutenberg Costa – Escritor, pesquisador e folclorista

Já disse que cresci, infelizmente sem uma radiola em minha casa. Hoje tenho duas, sem traumas e culpas alguma ao meu passado de menino pobre. Minha boa memória ainda recorda, como se fosse hoje a primeira vez que vi e ouvi um disco de Elza Soares, mostrado e explicado como uma aula, pelo saudoso amigo e mestre Chico Elion (1930-2013) quando eu trabalhava na minha adolescência em seu espaço musical famoso – ‘Beco da Música’, no Alecrim: “Meu jovem você vai ouvir uma belíssima voz feminina do Brasil. Uma das maiores intérpretes da nossa MPB. Uma voz que foi elogiada pelo feroz crítico musical Ary Barroso!”. E contam os historiadores de nossa música, que pouca gente era aprovada pelo velho e exigente Barroso, (1903-1964).

Lá na frente a jovem pobre, negra e magrinha, ganharia o ‘Grammy Latino’ de nossa Música. Um verdadeiro Oscar. A mesma também foi homenageada em vida por nomes consagrados no mundo artístico e musical e até por Escolas de Sambas. Viveu como quis e além de seu tempo. Parece que aprendeu a superar as descriminações vividas, com a vida da grande maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga, (1847-1935). Outra, além de seu tempo! E a nossa Elza, carioquíssima, nascida em 23 de junho de 1930, veio para cantar e encantar o mundo.

Elza Soares leva Grammy Latino

Desde os anos 60/70, que eu vinha acompanhado o seu romance conturbado com o grande jogador de futebol Mané Garrincha (1933-1983), pelas páginas das principais revistas de minha juventude. Fase curiosa, que lia tudo sobre os artistas daquela época, e que até colecionava em álbuns de figurinhas, as fotos dos tais. Depois adquiri a biografia do famoso jogador da nossa Seleção, o Garrincha, escrita por Ruy Castro. Depois, continuei guardando tudo o que saía relacionado a trajetória da cantora nas principais revistas e jornais. Entrevistas, reportagens, fotografias e lançamentos de seus Discos e Cds.

Desde então, fiquei esperando uma oportunidade para me encontrar com umas das minhas preferidas cantoras. Fui logo comprando seus discos disponíveis nas lojas e me familiarizando com seu vozeirão alegre. Esperava já algum tempo assisti o show musical da inimitável cantora Elza Soares, em Natal, no nosso velho teatro da Ribeira.

Sabendo da vinda de Elza Soares a Natal para uma única apresentação, fui com bastante antecedência, me preparando e separando em minha casa os seus Cds para serem autografados. O amigo fotógrafo Evaldo Filho já estava avisado e assim que terminou o seu grande espetáculo musical eu corri para o seu camarote, sendo o primeiro a conversar com ela e ser fotografado naquela noite. Fui o único, porque a mesma logo depois, foi levada a um hospital com a pressão baixa e outros sintomas, causados devido a reação as suas estripulias no palco e sua idade já avançada para tais malabarismos e danças com demasiadas extravagâncias.  

Fora esse incidente, naquela noite memorável eu realizei um antigo sonho de chegar perto e até conversar com aquela estrela de nossa boa música. Digo que foi uma imensa alegria está com a grandiosa e consagrada Elza Soares. Uma negra linda de corpo e alma. Sorriu muito ao conversar comigo, apesar de tantas tragédias passadas na vida. Menina sofrida e criada em família muito pobre. Casada adolescente e viúva bem jovem. Mãe de sete filhos, com alguns destes falecidos ainda crianças. Teve vários relacionamentos amorosos, mas foi ao lado de Garrincha que ela viveu e sofreu seu grande e eterno amor. Até gargalhou quando eu a disse que minha admiração por ela era quase igual a de seu Garrincha.

Apesar da idade, com mais de 70 anos, na ocasião desse seu show no teatro Alberto Maranhão, esta cantou e dançou tal qual uma adolescente de 16 anos. A ouvimos com atenção e a mesma recebeu calorosos aplausos quando cantou seus antigos sucessos, entre eles, os clássicos: ‘Maria vai com as outras; Se acaso você chegasse; Mulata Assanhada; Salve a Mocidade; Lata d’água na Cabeça e Marambaia’.

Finalizando seu grandioso espetáculo musical, corri para o seu camarim e fui o primeiro e único fã a ser fotografado, pois a cantora não se sentiu bem de saúde e teve que ir ao hospital para tomar soro e reanimar-se. Já estava um pouco cansada dos anos vividos e não uma garota para pular e sambar como nos velhos e bons tempos. Sorriu muito agradecida quando eu lhe disse que tinha a biografia do seu amado Garrincha, muito bem escrita por Ruy Castro e era seu admirador desde a minha adolescência. E ficou comprovada a minha declaração, quando teve que autografar vários CDs: “Eu estou vendo que o senhor é um ferrenho apaixonado pela Elza Soares. Disso não duvido!”. E imaginem, se eu tivesse levado debaixo do meu braço as dezenas de Vinis deixados em casa.

Elza foi biografada em vida pelo jornalista Zeca Camargo e respeitada pelo mundo aonde se apresentou. Um orgulho para nosso Brasil tão estrangeirado, que prefere ouvir o que nem traduz! Antes mesmo, dessa desgraçada pandemia, a vi já sentada cantando no programa televisivo dominical de Rolando Boldrin. Fiquei triste e lembrando da alegre cena do nosso encontro aqui em Natal. Nem precisa dizer que até chorei de emoção ao vê-la agora, chegando aos 90 anos, já bem ‘acabadinha’ pela idade.

A voz era a mesma. O carisma pessoal também! Elza, encantava a quem chegasse perto da mesma. Já não cantava mais em pé e muito menos pulava no palco, como a vi décadas atrás. O tempo na velhice é muito cruel, e parece que ataca principalmente, os famosos e famosas!

E a nossa Elza Soares, partiu tranquila e resistente, quase aos 92 anos de idade. Digna e merecedora de todas as homenagens do nosso mundo musical, tão carente de vozes e interpretações como a da sua geração.

Encantou-se no dia de São Sebastião, padroeiro de seu chão carioca e por uma grande coincidência, no mesmo dia da partida de seu amado Garrincha!

                      Morada São Saruê, Nísia Floresta/RN.

Meninas boas vão para o céu

Nadja Lira – Jornalista ֳ Pedagoga • Filósofa

Assim como acontece com a maioria das meninas da minha geração, eu também cresci ouvindo histórias fantasiosas de reis, rainhas, fadas, sapos que são transformados em príncipes e heróis que salvam mocinhas colocadas em perigo por terríveis vilões. Cresci acreditando que o bem sempre vence o mal, que meninas boazinhas vão para o céu e que em cada mulher vive uma princesa a qual, em algum momento de sua vida encontrará um lindo príncipe montado em um cavalo branco, o qual a levará para um mundo mágico de amor e felicidade.

Hoje, depois de adulta, percebi que toda essa fantasia não passa de uma tremenda enganação, cruelmente imposta às crianças do sexo feminino. Isto porque, enquanto as meninas são preparadas para serem princesas, vivem na ilusão de que são princesas e esperam por um príncipe, os meninos não são preparados e tampouco desejam assumir a figura desse príncipe.

Meninas são preparadas para serem esposas, mães, recatadas e do lar, mas nenhum menino é preparado para ser marido, pai e responsável pelos compromissos inerentes à formação de uma família, por exemplo.

Diferentemente daquilo que é ensinado às meninas, meninos são preparados para assumirem a figura do Don Juan, do conquistador, do garanhão. Meninos são instruídos a se portarem como marinheiros, que tem uma mulher a espera deles em cada porto onde seu navio atracar. Existem pais que ao nascimento de um filho afirmam em alto e bom som: “prendam suas cabritas porque meu bode está solto”, num profundo desrespeito a forma como as meninas devem ser tratadas. São raras as exceções.

Não consigo entender e mesmo ver com bons olhos, a forma diferente como se trata homens e mulheres em relação aos filhos. À mulher se imputa toda a responsabilidade pela guarda dos filhos, como se estes não precisassem da presença masculina para sua produção. Considero profundamente injusta a carga que a maternidade impõe às mulheres, porque se levarmos em consideração o esforço masculino na produção de uma vida pode-se dizer que este se resume a um mero instante de prazer.

Nesse momento em que o País inteiro volta seu olhar para a questão do aborto, observo que no Brasil, a única parte responsabilizada por tal ato é a mulher, como se esta fosse capaz de fazer um filho sozinha. Ora, onde estão os pais dos filhos abortados? São homens apenas para fecundar uma mulher e não o são suficientemente para assumir as responsabilidades dos seus atos?

Uma boa parte dos homens são educados para, ao se tornarem adultos e donos dos seus próprios narizes, serem também donos, senhores e proprietários das mulheres que cruzarem os seus caminhos. São raros os relacionamentos nos quais não existam problemas com a infidelidade masculina. Eles adoram posar de machões e para provar sua virilidade precisam ter várias mulheres. Quando encontram uma mulher que lhe dá o troco, então espancam, sequestram e matam a infeliz, perpetuando desta maneira, o velho ditado popular: “homem tem que lavar sua honra com sangue”, como se as mulheres também não tivessem honra, dignidade, sentimentos.

Num passado bem recente, a própria lei garantia ao homem o direito de matar a mulher que por alguma razão traísse o marido. Tal absurdo parecia natural aos olhos da população que não via estranheza no fato de um homem traído “lavar sua honra com o sangue da traidora”.

Um fato de feminicídio ocorrido nos anos 80 marcou minha memória, quando o cantor Lindomar Castilho matou a cantora Eliane de Grammont, com quem havia casado, mas se encontrava separado havia um ano. Lindomar, segundo os jornais da época, era um sujeito de temperamento agressivo, violento, ciumento e costumava agredir a esposa. O casamento durou dois anos, porque a mulher não aguentava conviver com as agressões.

Ele jamais aceitou a separação e imaginava que Eliane mantinha um caso com o primo dele, o violonista Carlos Randal. Uma noite, enquanto Eliane fazia um show acompanhada por Carlos Randal. Castilho chegou ao local e disparou vários tiros contra os dois. Um dos tiros atingiu Eliane, que chegou morta ao hospital. Outro tiro atingiu Randal, mas ele sobreviveu. E qual foi a tese usada pela defesa do assassino? Legítima defesa da honra motivada por profunda emoção.

É fácil perceber que pouca coisa mudou nos últimos tempos. A lei já não garante o direito de os homens lavarem sua honra com sangue, mas parece que o costume criou raízes dentro deles, que continuam matando mulheres pelos motivos mais estúpidos possíveis.

Em pleno Século XXI vê-se as meninas boazinhas sendo mandadas para o céu, apesar das afirmações de que existe igualdade de direitos e que as mulheres são seres empoderados. Na prática, porém, o que se vê é que os ranços culturais não perderam suas forças.

Penso, portanto, que as meninas boas não deveriam apenas ir para o céu, mas para Salvador, Campos do Jordão, Montevidéu, Buenos Aires, Dubai, enfim, conhecer e desfrutar as belezas que o mundo oferece e esquecer do príncipe encantado. Afinal, sapos só se transformam em príncipes nas histórias infantis.