José Alves Dedé

Governo do RN e Prefeitura de Goianinha firmam parceria para fortalecimento da assistência hospitalar

Ação visa ampliar capacidade da saúde pública no Agreste Potiguar

O Governo do Estado e a Prefeitura de Goianinha firmaram uma parceria nesta segunda-feira (27) que tem como principal objetivo fortalecer os Hospitais de Pequeno Porte (HPP) para assegurar assistência aos usuários nas proximidades do seu território.

Esse reforço na saúde pública da região representa um investimento de mais de R$ 960 mil. “É um esforço conjunto e necessário para atender uma região muito importante para o estado, com o objetivo de trazer um modelo sustentável para o Hospital de Goianinha. O compromisso do Governo e da Sesap é dar todo o suporte”, afirmou a governadora Fátima Bezerra, que assinou o termo de compromisso em conjunto com a prefeita de Goianinha Hosanira Galvão durante reunião na Governadoria, Centro Administrativo do Estado.

O repasse de verbas a ser feito pelo Governo complementará o custeio dos leitos clínicos hospitalares que deverão estar disponibilizados no Regula RN. O acompanhamento da aplicação da verba será realizado em parceria entre a Sesap e a SMS de Goianinha.

Este é o primeiro investimento dentro de um plano de apoio que a Sesap está iniciando para a qualificação e ampliação da rede de hospitais de pequeno porte espalhados pelos municípios do estado, reforçando a capilarização do SUS no Rio Grande do Norte. “Este é o início de um trabalho de apoio que estamos fazendo, um projeto piloto. Futuramente vamos chamar mais municípios para conversar e ampliar essa ação”, explicou a secretária-adjunta da Sesap, Lyane Ramalho.

Os HPP dão continuidade à assistência prestada aos usuários na atenção básica nos municípios, amplia o cuidado e a resolutividade da atenção, evita internações desnecessárias fora da região, atuando preventivamente no cuidado aos usuários antes que se tornem agudos ou nos cuidados aos egressos de internação hospitalar.

A assinatura do termo foi acompanhada também pelo vice-governador Antenor Roberto, a secretária-adjunta do Gabinete Civil Socorro Batista, a secretária de saúde de Goianinha Gabriella Rocha e o assessor político Júnior Rocha.

Fotos: Elisa Elsie

Detran reforça que agendamento de serviços de Habilitação e Veículos é gratuito

Todos os serviços oferecidos pelo Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran) na capital e no interior do estado devem ser agendados pelo Portal de Serviços do órgão (portal.detran.rn.gov.br). O agendamento é gratuito e o cidadão pode realizar o procedimento de qualquer dispositivo eletrônico que conceda acesso à internet, a exemplo de smartphones, notebooks, tabletes, entre outros.

A medida tomada pela Direção do Detran trouxe maior comodidade ao usuário, que pode escolher dia, horário e local para ser atendido sem a necessidade de espera em filas. “Conseguimos organizar o atendimento, melhorando a situação para o cidadão que procura nossos serviços, como também mantendo o atendimento ao público de acordo com a capacidade diária dos servidores do Detran”, comentou o diretor do Órgão, Jonielson Pereira.

Já o coordenador de Habilitação de Condutores do Detran, Jonas Godeiro, informou que recebeu algumas denúncias de pessoal externo cobrando pelo agendamento de serviço do Detran. “Estamos reforçando que o agendamento é gratuito. Não precisa pagar. Basta ter acesso ao computador e fazer o agendamento no portal do Detran, que é bem simples, fácil e intuitivo”, alertou.

Para realizar o agendamento dos serviços de Habilitação, Veículos ou exames médico e psicológico o cidadão acessa o Portal do Detran (portal.detran.rn.gov.br) na aba “Veículos”, clica em “Agendamentos de Serviços”, escolhe a área do serviço e em seguida o tipo do serviço solicitado, escolhendo por fim, o dia e local disponíveis na agenda online do Detran.

O acesso às dependências do Detran somente poderá ser feito por usuários que tenham em mãos o documento comprobatório de agendamento do serviço.

São José do Mipibu terá abastecimento retomado nesta segunda-feira (27)

Um vazamento na adutora de 200mm de distribuir água para diversas ruas do centro da cidade de São José de Mipibu é o motivo para a falta d’água que os consumidores estão reclamando.


A Caern informa que está trabalhando no conserto da adutora que leva água para a cidade de São José do Mipibu. A cidade teve suspensão de abastecimento no início da manhã desta segunda-feira (27), após vazamento na tubulação da adutora.

A previsão é que o sistema seja religado durante à noite desta segunda-feira (27). Após religar são necessárias 48 horas para normalizar o abastecimento na cidade.

Núcleo para Tratamento da Obesidade Infantil do Varela Santiago vai fechar por falta de apoio

O Núcleo para Tratamento da Obesidade Infantil do Hospital Infantil Varela Santiago vai fechar as portas e suspender o seu funcionamento. A decisão foi tomada na última sexta-feira (24) com muita tristeza e preocupação, explica o diretor superintendente da instituição Dr Paulo Xavier Trindade. “É muito triste, mas infelizmente não será possível continuar pois não temos apoio do município, do estado nem da união”.

De acordo com dr. Paulo, o Núcleo foi montado com uma estrutura física muito boa e com um atendimento multidisciplinar, referência no país. “Investimos em um projeto diferenciado e pioneiro no Nordeste, com bioimpedância, o que tem de melhor em tecnologia para tal fim. Reunimos uma equipe técnica de primeira. As crianças eram vistas de 15 em 15 dias. Não era aquele núcleo que você faz uma consulta com um endocrinologista ou nutricionista, eles passam uma receita e o paciente volta com 6 meses. No nosso núcleo elas eram vistas quinzenalmente”, afirma o diretor. 

A ideia, explica dr Paulo, era que essas crianças continuassem sendo vistas de 15 em 15 dias, mas por falta de transporte dos municípios, elas faltavam e o atendimento passou a ser mensal. “Criamos o núcleo para dar, além da assistência técnica, vale transporte e uma cesta para a criança se alimentar naquele período. Não adianta a gente orientar a criança e a mãe qual alimento ela deve dar, ensinar em uma oficina, e ela chegar em casa e não ter esse alimento, nem como comprá-lo. Nossa ideia era fazer uma coisa completa”, diz o diretor. 

Segundo ele, o projeto já começou deficitário. “Tínhamos uma despesa de 20 mil reais por mês. Aguardamos o primeiro ano, segundo ano, não tivemos nenhum apoio. Não suportamos mais e infelizmente vamos ter que fechar. É muito triste, ainda mais em um Estado que amarga o título de segundo colocado no país em número de obesos na faixa etária dos 05 aos 09 anos de idade”, lamenta.

“O mais preocupante é que se essas crianças mantiverem a obesidade até os 10 anos, elas têm uma chance de 80% de se tornarem adultos obesos. Então o problema que já é grave hoje, tende a piorar ainda mais no futuro”, acrescenta a endocrinologista pediatra Iluska Medeiros, coordenadora do Núcleo. 

Até hoje foram realizadas, no Núcleo, oito mil consultas, e tiveram 115 crianças atendidas, com excelentes respostas, acrescenta dra Iluska. “Nos primeiros quatro meses de tratamento tivemos redução de peso em 92,5% dos pacientes e 87,5% deles diminuíram a gordura corpórea.   A média de perda de peso foi de 450g por consulta, quase meio quilo. Em nenhum lugar do mundo a gente encontra números tão bonitos”, comemora. 

Os números também foram muito bons no “pós-pandemia”, explica dra Iluska. “Nos quatro meses após a pandemia, a gente conseguiu fazer com que as crianças mantivessem a perda de peso e redução do IMC, porém num nível menor, com redução na resposta clínica em 30%. Se a gente levar em conta que durante a pandemia a maioria das crianças engordaram, isso mostra que o atendimento multidisciplinar do núcleo foi um sucesso, em manter essas crianças em uma boa evolução do tratamento. Nenhum lugar oferece um tratamento tão completo, nem na rede privada”. 

Acabar tudo isso traz muita tristeza e preocupação, lamenta a coordenadora. “Infelizmente vai deixar uma parcela importante da população sem assistência e provavelmente essas crianças, sem um bom acompanhamento, evoluírem para problemas futuros e com certeza onerar ainda mais o sistema de saúde com problemas cardiovasculares, insuficiência renal, hipertensão, etc. Infelizmente os gestores não enxergam a importância de se tratar a obesidade ainda na infância”, finaliza. 

Portal da Tropical

Inscrições para o Sisu começam nesta terça-feira (28)

Começam nesta terça-feira (28) as inscrições para o segundo processo seletivo de 2022 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Os candidatos às vagas que serão oferecidas pelas instituições públicas de ensino superior deverão ficar atentos porque o prazo é curto, e terminará no dia 1º de julho.

A consulta para as vagas neste segundo processo seletivo teve início no dia 15, por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Para acessá-lo, clique aqui.

Por meio da consulta, é possível visualizar as vagas ofertadas por modalidade de concorrência, cursos e turnos, instituições e localização dos cursos. Também é possível acessar a íntegra do documento de adesão de cada uma das instituições que aderiram ao Sisu.

O Sisu é o sistema informatizado do Ministério da Educação (MEC) no qual as instituições públicas de educação superior, sejam elas federais, estaduais ou municipais, oferecem vagas a serem disputadas por candidatos inscritos em cada edição da seleção.

Exigência

Para participar do Sisu será exigido do candidato que tenha realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), edição de 2021, obtido nota superior a zero na prova de redação e não tenha participado do Enem na condição de treineiro.

O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 6 de julho. A matrícula ou registro acadêmico devem ser feitos de 13 a 18 de julho. Já o prazo para os interessados manifestarem interesse em participar da lista de espera será de 6 a 18 de julho.

Os candidatos são selecionados para as opções de cursos indicados no ato de inscrição, de acordo com a melhor classificação de nota obtida na edição mais recente do Enem, que, nesta edição, será a de 2021.

AGÊNCIA BRASIL

Empresas gráficas são atendidas por profissionais do SESI na realizados exames de caráter ocupacional

Empresas gráficas associadas, como é o caso da Lucgraf, a Sincronia Gráfica e a Unigráfica, estão sendo atendidas pelos profissionais do SESI, a respeito da execução dos Programas PCMSO, LCCAT e PGR.

Durante as visitas, estão sendo realizados exames de caráter ocupacional, avaliando os colaboradores para que as medidas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no E-Social que é regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), sejam cumpridas.

A iniciativa está sendo realizada através do subsídio de 70% pelo Sebraetec. Diante disso, enfatizamos que os associados e não associados que tiverem interesse em regulamentar sua situação no E-social, devem entrar em contato com o Sindicato.

Pai, Filho e Espírito Santo

Nilo Emerenciano – Arquiteto e escritor

Arrumando os meus livros deparei com um artigo do Mestre Cascudo em uma revista Planeta, de outubro de 1972, intitulado O Catimbó ou a feitiçaria. Nele, o estudioso afirma haver estudado o Catimbó durante 21 anos e haver publicado um livro chamado Meleagro, em 1951. Relendo Cascudo lembrei de uma experiência vivida nos anos 1970, aqui mesmo, em Natal.

A casa era no conjunto residencial Potilândia e nada a distinguia das demais. Muro alto, um portão largo para entrada de carros e um portão estreito para as pessoas. Uma mocinha nos recebia com uma moringa d’água nas mãos. Cabia ao visitante derramar um pouco de água para a esquerda, um pouco para a direita, e recitar algumas palavras cabalísticas que jamais consegui distinguir. Na minha vez eu balbuciava qualquer coisa me fingindo de entendido. À esquerda, no chão, havia uma pequena casinha que depois aprendi ser abrigo de Exu, lugar onde ele recebia a devida homenagem. Sem isso não havia trabalho possível.

A construção ficava nos fundos. Era simples, retangular. A única divisão era feita por uma cortina fina que separava o espaço onde as pessoas sentavam em bancos e cadeiras, do altar (peji) repleto de imagens (ou vultos) de santos de toda ordem, desde um belo Jesus ocupando o ponto central e mais alto, passando por são Sebastião, são Jorge, os irmãos santos Cosme e Damião. Além de Caboclos, Pretos Velhos, a escrava Anastácia e até o padre Cícero do Juazeiro. Um exemplo perfeito de sincretismo religioso, onde há lugar e culto para todos. Flores e velas iluminavam e embelezavam tudo aquilo.  

A mulher vestia larga saia branca. Cumprimentava a todos e começava a percorrer o salão conduzindo um braseiro que exalava uma fumaça aromática. Cantava, enquanto benzia o lugar e as pessoas: “Essa casa tem quatro cantos/ cada canto tem um santo/ Pai, Filho e Espirito Santo”. E quando se dirigia às pessoas: “Nossa Senhora defumou seu bento filho/para ele/para ele cheirar/ eu defumo esses filhos/para Jesus nos abençoar”. Era o prelúdio do que ia se passar e eu ardia de curiosidade.

Após “limpar” o ambiente e os visitantes, a mulher sentava em um banco e começava a entoar pontos muito bonitos. “Quem vem, quem vem lá de tão longe/são nossos guias que vem trabalhar/Oh, dai-me forças pelo amor de Deus, meu Pai/Oh, dai-me forças pros trabalhos seus”. E emendava: “Abre a porta gente/que aí vem Jesus/ele vem cansado/com o peso da cruz/vem de porta em porta/vem de rua em rua/vem salvar as almas/ sem culpar nenhuma/Oh, meu Senhor do Bonfim/valei-me meu protetor/oh, dai-me forças, meu Pai/nos trabalhos do Senhor”.

Ao fim desses pontos a mulher dava sinais de já estar possuída, e quando falou já não era sua voz nem seus termos, e sim um indígena que saudava a todos e a Oxalá, fazendo a seguir uma bela e edificante pregação. Tratava cada um como se filhos fossem, com carinho, interesse e delicadeza firme e às vezes uma pitada de humor. Na sequência o caboclo dava lugar a uma Preta Velha, símbolo de humildade. As pessoas entoavam em louvor: “Aninha, Aninha, Aninha do Ajeló/ seu lençol tem quatro pontas/cada ponta tem um nó”. A Preta Velha consultava a todos, recomendando remédios e tratamentos, além de exortar à prática da boa moral. Uma vozona. Os pontos de pretos se sucediam: “Pai Joaquim, ê-ê, Pai Joaquim, e-á /Pai Joaquim que veio de Angola / Pai Joaquim de Angola angolá…”

A visita seguinte era de uma entidade chamada Mestre Zé, ou Zé Pelintra. Botava um chapéu, uma bengala robusta, e passava a fazer graça com todos, usando de alguma verve maliciosa com as mulheres. Pedia um charuto enorme (que ele chamava consolo de viúva) e fazia insinuações. Todos riam. E assim a noite transcorria…

Saí dali confuso e maravilhado. O que era aquilo? Que tipo de ritual era aquele? Não era, nem de longe, Espiritismo. Tampouco Umbanda, já que não tinha batuques nem danças ou filhos e filhas de santo. Ao perguntar foi-me informado que era uma Mesa de Senhores Mestres, mas como, se nem mesa havia?

Só muito tempo depois, ao ler Meleagro (1951), de Câmara Cascudo, obra em que o mestre registra a prática do catimbó na Natal do começo do século XX, pude perceber: o que aquela senhora fazia era um tipo remanescente de catimbó, sendo ela própria, embora não soubesse, herdeira dos catimbozeiros extintos à força de perseguição policial. Quais seriam os indícios? A ação de caráter individual, sem colaboradores ou vínculo com instituições. A consulta e o receituário. Os instrumentos. Os patuás.

A solução dos problemas de toda ordem, desemprego, traição do cônjuge, impotência, filhos complicados ou negócios em crise. A presença dos mestres juremeiros e de entes do fabulário nacional, como sereias ou caipora. Uma vez me foi dado conversar com uma caipora (as sereias não falam) chamada Adelina. Recitava: “Sou Adelina caipora/enrolada numa cobra”. E se descrevia como uma garota de 7 anos, criada na mata, nua e com grandes cabelos cobrindo seu corpo. Dava longos assobios e fazia tranças em qualquer cabeleira que estivesse à mão.

Ah, as artes do povo. Hoje tenho a certeza que tive o privilégio de ver, talvez, uma das últimas catimbozeiras em ação, sincretizada é verdade, mas herdeira direta dos mestres de outrora, perseguidos, obrigados a fazer trabalhos dentro das delegacias de polícia para satisfazer a sanha policial. Artes de pobres pretos ou brancos pretos de tão pobres, remanescem sempre heroicamente.

Os bailes da vida

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Nasci em João Câmara – uma cidade encravada no interior do Rio Grande do Norte, localizada a cerca de 70 quilômetros da capital do Estado. A cidade, que cresceu e hoje é conhecida como a “Capital do Mato Grande”, se notabilizou no cenário internacional devido a infinidade de abalos sísmicos registrados em único dia. A João Câmara de hoje guarda poucas marcas do lugar do meu nascimento e onde iniciei meus primeiros passos dentro da vida. Mas conservo boas lembranças do lugar.

De hábitos simples e pacatos, como em toda cidade de interior, sua rotina, pelo menos no meu tempo de criança, era quebrada somente aos sábados, por ocasião da feira livre realizada no meio da praça central e por ocasião das festas. A feira era um grande acontecimento, porque recebia comerciante de várias partes do Estado, se constituindo em uma das maiores realizadas no RN.

Foto: Blog do Montoril

A rotina da cidade ainda quebrada durante as festas realizadas nos salões do Baixa-Verde Esporte Clube (BVEC), animadas inicialmente pela Banda de Música local, que hoje leva o nome de “Manoel Rafael de Freitas”, um dos maiores amigos do meu pai. A Banda, aliás, era formada por grandes amigos das famílias mais antigas do município, como Boneca, Bi, Geraldo Alves e o meu pai, Agostinho Florêncio, entre outros. A maioria deles, hoje, faz parte de uma grande orquestra celestial.

Década de 60 no Baixa Verde Futebol Clube, vendo-se Manoel Avelino e dona Efigência – Arquivo: Aldo Torquato

Criança ainda, tive a grande oportunidade de aprender e conhecer música de qualidade, graças aos eventos festivos dos quais participava e onde a orquestra tocava, brindando a todos com a excelência das melodias tocadas. No auge da minha adolescência, as festas passaram a ser animadas por Grupo Musicais e um dos mais assíduos nas festas do Baixa-Verde Esporte Clube, era o Grupo Verdes Canaviais, da cidade de Ceará-Mirim.

Antiga sede do Baixa Verde Futebol Clube – Arquivo: Aldo Torquato

Eu gostava de apreciar os casais dançando, embalados no ritmo ditado pela música. Era um tempo bom, em que os jovens não precisavam se embriagar para conhecer o sentido da expressão “se divertir”. Pelos salões daquele clube foram iniciados muitos romances, que depois se transformaram em casamentos duradouros.

Os bailes do BVEC também revelaram inúmeros “pés de valsa” – pessoas que faziam da dança, uma verdadeira poesia. Guardo na lembrança alguns destes dançarinos maravilhosos, como o meu tio, Ademar Lira, João Bala, João Batista Ataliba e Chico Barros – todos de saudosa memória. Da geração mais nova, figuram nomes como os irmãos Aniceto, Jonas Câmara, Jandira, Conceição Bezerra, Joãozinho Lacerda e Mazinho, entre outros.

Vivi e apreciei uma época em que dançar, era uma arte praticada por homens educados, gentis e atenciosos. Convidar uma moça para dançar, era um belo ritual, através do qual poderia se iniciar uma conquista, um namoro e um futuro matrimônio. Inúmeros casamentos tiveram sua história iniciada em um salão de festas.

Homens elegantemente vestidos, penteados e cheirosos, convidavam as moças para uma dança, que poderia durar a noite inteira. Elas eram conduzidas pela mão, com cuidado e carinho até o centro do salão, onde eles a pegavam, delicadamente pela cintura e iniciavam os passos inspirados pela música.

Para mim, a forma como as pessoas se comportam em um salão de festas, guarda uma enorme semelhança com aquilo que se é, na vida. O salão, na minha visão, é a própria vida. A forma como um cavalheiro se aproxima de uma dama e a convida para dançar, mostra a profundidade do seu caráter.

Assim, a forma como ele faz o convite, é a forma como vai se dirigir a ela ao longo da sua existência. Se consegue tomá-la nos braços e conduzi-la de forma elegante, gentil e segura, assim será a maneira como conduzirá esta mulher pela vida. Se em algum momento, ele erra um passo da dança e consegue rir deste torpeço, pede desculpas e continua a dançar como se nada tiver acontecido, será desta mesma forma que ele vai encarar os pequenos problemas na vida dos dois.

Garotas aguardando um pretendente a convidá-las para dançar

Um homem inteligente, um verdadeiro cavalheiro, ao dançar, jamais aperta sua parceira de dança de forma ofensiva e deselegante. Isto tira todo o brilho da dança, além de ser um gesto deselegante, desrespeito e descortês. Afinal, à medida em que os casais de dançarinos percebem que existe uma química especial entre eles, a aproximação surge de forma natural. Portanto, não há razão para atropelar as etapas durante a dança da vida.

Os tempos mudaram. Hoje, já não existem mais clubes como antigamente e os jovens já não se reúnem para dançar como no passado, o que é uma lástima. Os jovens da atualidade não sabem como exercitar a prática da conquista. Tudo é rápido, fugaz. De modo que, já não existe paquera, tampouco namoro. As pessoas se conhecem em um baile funk e já vão morar juntas, atropelando uma das fases mais bonitas da vida: o namoro.

A ansiedade de viver é urgente em tudo. Parece que a juventude da atualidade quer beber a vida de um único gole. Penso que é justamente por atropelar as fases da vida de maneira demasiadamente urgente, que existem tantos suicídios entre os jovens e tantos casamentos desfeitos após três meses. A juventude de hoje precisa urgentemente descobrir e participar dos antigos bailes da vida.

Aventura que me faz ter orgulho do roteiro da minha história

Mariana Rodrigues

Amar você é igual a comer chocolate quando se tem cárie. Dói, mas ainda assim é muito bom. Acho que é o típico amar apesar de…

Não temos tantas fotos assim, mas sei que até nisso você me ensina que o melhor registro é o da memória. Meu amor amigo, não posso ficar parafraseando Roberto Carlos, dizendo que “você é a brincadeira mais séria, mentira sincera, o maior dos enganos, o melhor dos meus erros, a maldade que só me faz bem ou a mais estranha história que alguém já escreveu”.

Somos complicados e simples na mesma intensidade. Você testa minha paciência ao mesmo passo que me faz ser mais leve com pequenas coisas. Eu tento lhe mostrar que amar você não me impede de lhe odiar, desde que o amor vença no final. Gosto do que a gente tem porque é da ordem da crueza da relação humana.

Você esculhamba com tudo e chora ouvindo Elvis cantar Sinatra. Eu choro ouvindo bolero e treino ser menos frágil diante do mundo. Nossas paredes têm buracos como nossas almas; e da mesma forma que emolduramos a parede, apreciamos nossas faltas sem tentar tapá-las.

Respeitamos a loucura um do outro e abraçamos nossos medos, até que se tornem coragem. Cada instante que compõe o infinito particular de cada um, me faz ter a certeza que entre mortos e feridos, sustentar uma aventura como a nossa me faz ter orgulho do roteiro da minha história.

AdVIVInhações juninas

Papo Cultura

O escritor e folclorista potiguar Veríssimo de Melo era chamado de Vivi por familiares e amigos. Em 1949, escreveu um plaquete intitulado “superstições de São João”. Superstição é nome que quase todo nordestino conhece simplesmente como “adivinhação”. Veríssimo nos conta alguns desses presságios que povoam (ou povoaram mais intensamente no passado) a mente das pessoas simples, de tradição rural, especialmente nas festas joaninas.

O grande compositor paraibano Antônio Barros, por sua vez, gravou, dentre outros sucessos do seu cancioneiro, a marchinha junina “brincadeira na fogueira”, que retrata as adivinhações citadas por Veríssimo.

Duas delas considero bem marcantes desse período: a adivinhação da bananeira e a do reflexo da água.

Tem tanta fogueira

Tem tanto balão

Tem tanta brincadeira

Todo mundo no terreiro

faz adivinhação;

Meu São João, eu não

Meu São João, eu não

Eu não tenho alegria

Só porque não vem

Só porque não vem

Quem tanto eu queria (bis)

A adivinhação da bananeira, bastante utilizada pelas moças, destinava-se a descobrir a sorte do casamento: saber quem seria o futuro marido. O santo invocado é Santo Antônio, conhecido como o santo casamenteiro.

A pretendente chegava até uma bananeira e, utilizando uma faca não usada (virgem), rezava a oração Salve-Rainha até o trecho “nos mostrai”. Em seguida, cravava a lâmina no tronco. No dia seguinte, de manhãzinha, a esperançosa retirava a faca da bananeira e as iniciais do nome do futuro esposo apareciam no “leite” que escorria da planta:

Danei a faca

No tronco da bananeira

Não gostei da brincadeira

Santo Antônio enganou

Já a adivinhação do reflexo da água pretende tirar uma dúvida sobre a sobrevivência futura: a pessoa quer saber se viverá para ver as próximas festas juninas. Pois bem. Caso alguém se levante no dia de São João e, sem dirigir a palavra a ninguém, olhe para o fundo de um recipiente qualquer com água sem que veja a sua cabeça no reflexo do líquido vital, morrerá antes de um ano. Na tradição, o depósito de água é geralmente uma bacia:

Sai correndo

Lá pra beira da fogueira

Ver meu rosto na bacia

A água se derramou.

Veríssimo (Vivi) de Melo e Antônio Barros nos brindam com a pujança e a beleza das tradições orais, das crendices contadas e cantadas ao lume das fogueiras do nordeste brasileiro. Viva Vivi, viva Antônio Barros, o São João e as adivinhações juninas!


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