AS JANELAS DA ALMA

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Os olhos, conforme estudos da Biologia, são os órgãos dos sentidos responsáveis por nossa visão. Na Medicina existe uma área específica para o estudo e o tratamento dos olhos – a oftalmologia. Esta área estuda, investiga, diagnostica e trata as doenças relacionadas aos olhos e à visão. Para os poetas, os olhos são as janelas da nossa alma e a vitrine do coração humano. Afinal, é através dos olhos que conhecemos os sentimentos de alegria, dor, tristeza, esperança, enfim, todas as emoções que o ser humano carrega no mais íntimo do seu ser.

É através de um olhar especial que se iniciam as mais belas e inesquecíveis histórias de amor. Pelo menos é assim que os romances mais célebres da literatura romântica iniciam suas histórias, as quais atravessam os séculos. Foi assim com a história de Tristão e Isolda, por exemplo.

Alguns artistas de cinema se destacam graças à linguagem que são capazes de transmitir através de seus olhos. A atriz Bette Davis, teve a expressividade de seus olhos destacados numa música de Kim Carnes, que leva o título de Bette Davis Eyes. A música destaca o olhar diferente da atriz Bette Davis, o qual seria capaz de arrancar suspiros, provocar, inquietar, enfim, enlouquecer qualquer um a quem ele fosse direcionado.

Na atualidade, os olhos do ator Antonio Banderas são considerados a versão masculina dos olhos de Bette Davis. Banderas é, segundo suas admiradoras, um homem elegante, cheiroso, dono de um olhar profundamente expressivo e sensual. Banderas é capaz de falar através dos olhos. Tenho certeza de que receber um olhar de Antonio Banderas é o sonho de consumo de muitas mulheres por este mundo a fora.

Não é demais afirmar que um olhar é capaz de expressar diversos sentimentos. Lembro-me de que, na minha infância, meus pais não precisavam me chamar a atenção quando eu fazia algo errado. Bastava um olhar e eu entendia que tinha feito ou dito algo inapropriado. Um olhar sisudo do meu pai ou da minha mãe valia por uma surra.

Existem muitos tipos de olhares: os carinhosos, delicados e amorosos, os autoritários, hostis e ameaçadores, assim como existem aqueles ofensivos, agressivos e invasores. Enquanto alguns olhares podem nos transmitir alegria, felicidade e bem-estar, existem aqueles que nos magoam, ofendem e nos fazem mal. Existem olhares que queimam a nossa pele e fazem mal ao nosso espírito, mas também existem olhares que marcam a nossa história e do qual jamais esquecemos.

Faz algum tempo que vivi uma situação na qual senti-me profundamente abraçada por um olhar do qual jamais esqueci. Este olhar transmitia paz, alegria, bem-estar e uma felicidade profunda. E por transmitir tantos sentimos bons, ele ficou gravado no meu pensamento e no meu coração.

Tudo aconteceu durante um almoço no Convento das Filhas do Amor Divino, em Emaús, no dia 2 de fevereiro/2015, quando participei pela primeira vez, dos festejos alusivos ao Dia da Apresentação do Senhor – ocasião em que as freiras professam sua fé de maneira pública, fazem votos provisórios e votos perpétuos, comemoram aniversário de vida religiosa, enfim, é um dia de festa para as Irmãs, familiares e amigos.

Foto: Ilustrativa

Eu, que jamais havia visto tantas freiras juntas, surpreendi-me com a alegria e com a intensidade de luz emanada dos olhos delas. O ambiente estava impregnado por um brilho intenso, que só depois de muito tempo percebi que era proveniente dos olhos das Irmãs. De tão forte, aquela luz parecia me ofuscar os olhos, da mesma forma que ocorre quando estamos dirigindo em uma rodovia, à noite e os motoristas que vão em direção contrária à nossa, jogam luz alta no nosso rosto.

Porém, um dos olhares que me causou mais surpresa, foi o de uma freira, cujo nome descobri a seguir. Tratava-se da Irmã Maria José de Souza, atual coordenadora do Grupo de Leigos Seguidores do Carisma das Filhas do Amor Divino.

Fui apresentada à Irmã Maria José, a qual sorria de uma forma impressionante: O sorriso dela se estendia de orelha a orelha e se espalhava pelo corpo inteiro, enquanto seus os olhos, de tão brilhantes, ofuscavam a minha visão. Mas eu mantive minha postura. Os olhos de Irmã Maria José brilhavam iguais a um Santo Antonio – um conjunto de faróis de milha colocado no alto de alguns veículos que trafegam pelas estradas. Esse acessório é proibido pela Polícia Rodoviária Federal, justamente por tirar a visão dos motoristas.

Saí daquele ambiente com uma certeza: A de que Jesus Cristo faz maravilhas na vida das pessoas. A alegria e o brilho que as Filhas do Amor Divino trazem no olhar, são a prova irrefutável desta verdade. (NL 21/05/2020)

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