ARTIGO: Enquanto conseguirmos respirar, não devemos desistir

João Ricardo Correia – Jornalista

A tragédia mundo afora provocada pela pandemia que nos sufoca, desde o ano passado, tem um capítulo, digamos, especial no Brasil. Por aqui, as prioridades da maioria das chamadas autoridades públicas são outras. O negócio é garantir a eleição, promover festas para o povo, meter a mão nos cofres públicos e não investir, de maneira eficiente, nos serviços públicos básicos.

A Covid-19 encontra nessa terra descoberta por Pedro Álvares Cabral milhares de pessoas irresponsáveis que são cúmplices do contágio, das mortes; gente do povo que participa de aglomerações, autoridades que liberam uma eleição como se o vírus entrasse de recesso para que elegêssemos “nossos representantes”, políticos que falam besteira pelos cotovelos, a começar pelo presidente da República. São mais de 205 mil mortes! Não é hora de levar uma desgraça dessa para o campo da discussão política. Estamos todos, literalmente, na mira dessa doença. Por essas bandas, os miseráveis continuam jogados nas calçadas, enquanto uma pequena parcela se reúne em suas moradias de luxo e compartilham as ostentações nas redes sociais.

São dois países em um só: o Brasil que presta e o que não serve para nada. O ano de 2021 começa com a falta de oxigênio em hospitais de Manaus e outros municípios do Amazonas, o mesmo estado que atrai turistas do mundo inteiro para ver suas belezas naturais, mas que não tem a mínima responsabilidade em manter vidas de humanos que estão morrendo sem poder respirar.

Não se pode levar a sério o Brasil que gasta milhões de reais para manter o luxo de políticos, ministros do STF, do STJ, do TST, dos membros do Ministério Público, de outros órgãos da Justiça e deixa faltar oxigênio, seringas, algodão, leitos e demais insumos que garantam, ao menos, um sofrimento menor aos pacientes. E essas deficiências ocorrem há anos, ganhando amplitude nesse período pandêmico.

Mas, afinal de contas, como pergunta a antiga música, “que país é esse?”. Somos mesmo um país, uma nação?

Enquanto conseguirmos respirar, não devemos desistir. Enquanto nossos corações baterem, vamos manter a esperança. E enquanto pudermos votar, mesmo que obrigados, vamos tentar melhorar a terra em que moramos, mas com a responsabilidade de cobrar dos eleitos que assumam posições honestas e que invistam em educação, para que nossos filhos e netos não fiquem como nós, que temos bom senso, envergonhados com tanta picaretagem e que não morram por falta de ar.

2 Pessoas comentaram
Santiago

Ótima matéria

Terezinha Tomaz

Excelente artigo!

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