Aniversariante do dia: Folha de São Paulo faz 100 anos

Blocos compactos de letras espremidas, como era usual, dominam a capa de estreia da Folha, em 19 de fevereiro de 1921, um sábado.

O cardápio editorial da então Folha da Noite é enxuto: há uma espécie de carta ao leitor, anunciando o “programa” do novo jornal, uma manchete sobre as eleições legislativas do dia seguinte, uma reportagem sobre reivindicações de servidores públicos e uma nota a respeito da indenização a ser paga pela Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Cem anos depois, os textos, claros para o leitor da época, demandam contextualização.

Publisher da Folha, o empresário e economista Luiz Frias, 57, afirma que o futuro do jornal, que nesta sexta (19) completa 100 anos, continuará apoiado nos pilares de seus princípios editoriais e de independência financeira.

“A maior prioridade foi, é e continuará a ser a Redação. Meu pai [Octavio Frias de Oliveira; 1912-2007], meu irmão [Otavio Frias Filho; 1957-2018] e eu sempre acreditamos que antes da independência editorial vem a financeira”, afirma.

Jornal de maior circulação no país desde os anos 1980 baseado no pluralismo de opiniões, no apartidarismo e na crítica, a Folha tem como meta futura, segundo Frias, reforçar esses princípios editoriais e priorizar o seu modelo digital, dando mais peso à receita financeira advinda de assinaturas do que da publicidade.

 Em termos editoriais, o objetivo é aprofundar a curadoria de temas em meio à cacofonia de informações disponíveis na internet.

“Num mundo onde falta tempo, a curadoria do que é importante virou fundamental para a formação profissional e intelectual das pessoas. A edição foi alçada a uma nova dimensão de relevância”, diz.

 Além de publisher da Folha, Frias foi responsável pela criação de novos negócios ao longo dos últimos anos, como o PagSeguro e o PagBank, entre outros, e do UOL (Universo Online), maior empresa de conteúdo, serviços digitais e tecnologia do país.

Frias afirma que a equipe de jornalistas da Folha, frequentemente atacada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), tem sido colocada à prova nesse período de “extrema polar

ização”, com um governo de “turno persecutório”.

“Todo governante quer a imprensa de joelhos. O problema é que a imprensa de joelhos só interessa ao governante, não à sociedade.”

DO BLOG TERRITÓRIO LIVRE

2 Pessoas comentaram
Angela

Resistência e adaptação. Imprensa livre, sempre.

Aécio Medeiros.

Se não fosse a imprensa livre o mundo seria um planeta infestado de criminosos e larápios.

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