A reclusão na pandemia me fez mais velho

Júnior Rebouças, 30/01/2021, São José de Mipibu


Na viagem à Foz do Iguaçu, no final de fevereiro, percebemos que algumas pessoas, nos aeroportos, já usavam máscara. Mas em março, foi que sentimos efetivamente o que viria a ser um confinamento.
Durante sete meses saímos pouquíssimas vezes, mesmo assim, para ir à farmácia ou banco. Quase todas as necessidades de manutenção foram supridas por um mesmo entregador, que findou se transformando em nosso amigo.
Com devida orientação profissional, deixei de frequentar o estúdio da rádio. Em consequência, abdiquei de atuar em uma atividade extremamente prazerosa e necessária para mim.
Nos primeiros meses, escrevi compulsivamente, tanto é que consegui finalizar o livro que teimava em nunca ficar pronto.
Após algum tempo, a vontade de voltar a falar na rádio era tanta, tendo o aval da direção e o apoio de Estácio Isaias no estúdio e eu em casa, apenas com telefone celular e notebook, montei um esquema para voltarmos a fazer, mesmo de forma rudimentar, o jornal matutino que tínhamos iniciado, até então inédito para o horário. 
E assim se deu.
Fomos, diariamente, errando, apanhando e fundamentalmente aprendendo. 
Vagarosamente adquirimos alguns equipamentos básicos, nos apossamos diplomaticamente da cozinha de Mayne e posteriormente do que restou de residência, a partir dali, criava-se o embrião do Estúdio Alpendre Marginal, que atualmente é a “nossa TV web”.
Desta época de reclusão, descobri que sou bem mais defeituoso, ingembrado, comum, intolerante, ranzinza, implicante e egoísta do que imaginava.
Também que o trabalho é fundamental, lazer é importante, mas a vida é imperiosa.
Aquele ser especial, não era tão especial e sim comum como nós todos.
Por melhor estrategista que seja, sem sentimento e emoção, leva-se a tropa para vala qualquer.
Não se tem convivência digna, sem uma companheira que lhe afronte respeitosamente, questione e sugira caminhos alternativos plausíveis.
Saber diferenciar trabalho em casa e a casa do trabalho.
Que a terrível doença, levou minha mãe, sem vê-la, e continua ceifando vidas mundo a fora.
Com a chegada da vacina, os negacionistas negam que negaram.
E nos tempos de hoje, não estamos mais confinados. 
Mas faço questão de proceder e concordo com todos os protocolos de saúde indicados pela ciência.
E devido ao isolamento e suas implicações, rapidamente fiquei mais velho, grisalho, bonito e experiente. 
Abraços.

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