80 anos de Zé do Poço doce (in memoriam)

Valdívia – É Jornalista

Zé do Poço ( a esquerda)

Talvez eu tenha herdado dele esse jeito brincalhão de ser. Solto peido pela boca quando quero tirar onda, faço caretas para descontrair (tipo essa da primeira foto) e adoro uma turminha para sair (quando podia).

Nem sei se ele era assim, porque foi uma fase que durou pouco, a da vida boêmia e alegre. Sua vida foi curta, só viveu 60 anos. Hoje seria seu niver de 80 anos. O que estaria fazendo esse octogenário jardinense?

Mais conhecido como Zé Bujão – muito conhecido, aliás – ele era da farra. Foi não sei quantas vezes Papai Noel, Rei Momo e vascaíno roxo.“Seu pai é aquele gordão?”, me perguntavam na escola, já com receio de me apelidarem. Não sei porquê, mas pessoas gordas ou grandes causam medo nas crianças.Eu achava divertido ele ser assim, pena que só durava enquanto ele estava bêbado ou fora de casa.

No dia-a-dia, era calado e ranzinza com quase tudo e todos. Mas eu o respeitava. E até admirava seu silêncio. Até os últimos dias que conviveu conosco foi na dele.

“Pai, fiz esse jornalzinho sozinha! Se chama house organs, é da empresa onde sou estagiária de Comunicação”, mostrei a ele orgulhosa meu primeiro “filho” jornalístico. Ele riu, mas ficou lendo e quando terminou disse: “tá bom. Você leva jeito”.Essas únicas palavras me encheram de alegria, apesar de estarmos num hospital do coração e ele já estar nos seus últimos meses de vida.

Eu não tive uma história bonita, de conversas longas ou diversos ensinamentos com meu pai. Sinto muito. E sinto tarde porque nunca disse que gostava dele.Como também nunca tinha ouvido até ali algum incentivo dele, seja para o que fosse.

É uma pena escascaviar minhas memórias e só vê-lo feliz nas fotos antigas.Mas quis relembrar seus momentos de diversão e noitadas, de amizades e amores pela pequena cidade de Jardim do Seridó.

Foi um filho dedicado, marido e pai responsável. Andante das calçadas penumbrosas e amante das madrugadas pacatas seridoenses.

2 Pessoas comentaram
Valdívia

Valeu, meu primo! Grata pela publicação. 😘

Aécio Medeiros

Zé Bujão foi meu colega no antigo curso Ginasial. Sempre tive um boa aproximação dele, tanto como seu pai O Sr.Manoel Isaias. Gostava muito de frequentar o comércio e aos sábados, dia de ir olhar sua banca de venda de miudezas no antigo mercado de Jardim do Seridó. Uma grande curiosidade sobre Zé Bujão é que pouquíssimas pessoas sabem é que ele foi um dos maiores leitores, senão o maior leitor de Jardim do Seridó. Gente boa, ótimo amigo.

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