POUCAS E BOAS

POLÍTICA E POLÍCIA


Valério Mesquita – [email protected]


01) O bairro de Lagoa Seca, de Natal dos anos 50, era carente de tudo. O vereador Sebastião Malaquias, se intitulava representante daquela gente. “Queremos água! Água para Lagoa Seca!”, bradava Sebastião aos quatro cantos. O prefeito Creso Bezerra, silente e paciente, em entrevista, um dia falou: “Vamos perfurar um poço em Lagoa Seca. Quero encher a lagoa, encher a barriga do povo e calar a boca de Sebastião Malaquias”. Nada mais foi perguntado.


02) Na Câmara Municipal de Mossoró, a sessão pegava fogo. O vereador Expedito Bolão levava a pior, na aprovação de uma matéria de sua autoria. Os vereadores se recolheram aos gabinetes. Nesse intervalo Expedito, descobriu que “rolava dinheiro” nas negociações. Na volta ao plenário, o baixinho apelou feio: “Senhor presidente, eu vou me retirar desta Casa. Tô sabendo que tem arrumadinho por baixo do pano. Assim não dá! Meu pai já dizia que um jumento carregado de açúcar, até os c… dá refresco!”. Bolão juntou seus papéis e retirou-se com seu exótico xarope.


03) Roque vendia sequilhos e grudes nos vagões do trem, que fazia o percurso Natal/São Rafael. Certa vez, o prefeito angicano Pedro Moura, com o seu impecável paletó, lia seu jornal, sem ligar a mínima pro resto do mundo. Roque ofereceu: “Vai aí um grudinho senhor?”. O prefeito acenou com um “não”.  Cinco vezes seguidas, o grude foi oferecido, e o vendedor só ouvia não. Por fim, Pedro Moura falou chateado: “Já disse que não! Eu não como essas coisas, principalmente grudes sem procedência!”. O velho Roque foi saindo e resmungando: “Pensa que eu não conheço… Lá em Angicos o povo chama ele de Pedro Pé de Grude; Papagaio Velho! Vive “grudado” nos pés de Aluízio Alves”. Vingança de eleitor não atendido sempre foi rogar praga.


04) O tenente Clodoaldo, respeitado xerife da região Oeste, tinha como cliente habitual um descuidista que atendia pelo codinome de Farinha com Sal. O ladino ia preso, apanhava, sofria castigos, mas, no dia da soltura, amanhecia varrendo a calçada do delegado, lavava o seu jeep, etc. O sargento Valdir, do mesmo destacamento, certa vez, comentou: “Esse não tem jeito, né tenente?”. Clodoaldo respondeu, como um sábio do semiárido: “Valdir, o bom malandro, não rompe com a lei. Ele passa por suas brechas. Na próxima vez, não bata nele não. Tranque-o apenas…”.

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