FIGURAS MIPIBUENSES Manoel Gomes de Lima

Por José Alves – Editor do jornal e do blog O Alerta

Nascido no dia 8 de agosto de 1939, na cidade de São Tomé, região central do Rio Grande do Norte, e filho do vigilante da Base Aérea de Natal, Silvestre Paulino de Lima (natural de Currais Novos/RN) com a dona de casa, Tereza Gomes de Lima (natural de Florânia/RN), Manoelzinho, aos três anos de idade, acompanhou seus pais tentarem a vida em São José de Mipibu, onde compraram um sítio na localidade conhecida como Quebra Fuzil.

Manoel Gomes de Lima, também conhecido por Manoelzinho de Japecanga, hoje com 82 anos de idade, tem uma história fascinante que sempre desejou tornar conhecida. “Vou morrer e o jornal O Alerta não publica a minha história”, cobrava várias vezes ao editor responsável pelo jornal que considerou muito oportuno convidar o leitor para conhecer um pouco de sua jornada hoje.

Sete anos depois (1946), seus pais decidiram residir na capital, juntamente com os filhos Geraldo, José, Genibaldo, Juarez e Manoelzinho, para que eles prosseguissem com os estudos. À época, em Natal, residiram na Rua Baraúnas, no bairro do Alecrim, quando dona Terezinha, para ajudar o marido nas despesas de casa, começou a trabalhar no Hospital da Policlínica.

Até os dezessete anos, o protagonista dessa história comprava frutas no interior e as revendia na feira do Alecrim. Nos finais de semana, frequentava as praias urbanas de Natal, como a Praia do Forte e a Praia do Meio, além de estar presente no Alecrim Clube e no Atlântico Clube, onde gostava de “dançar de rosto coladinho”.

Estudou na Escola Estadual Túlio Bezerra até os 18 anos, quando se alistou no serviço militar e foi convocado para servir ao Exército Brasileiro, no 16º Batalhão de Infantaria Motorizado: “Me lembro que o comandante do 16º BIM era o Coronel Veiga e que, anos depois, viemos a nos tornar grandes amigos”, relata.

Concluído o período do serviço militar, o jovem Manoel trabalhou por três anos como balconista no comércio de roupas, calçados, tecidos e outras confecções, na Loja Formosa Síria, onde já prestava serviço o seu, atualmente falecido, irmão Geraldo. Nesse período, considerando-se um rapaz galanteador e “um pão” (na gíria da época, um homem bonito), o rapaz gostava de admirar e paquerar “os brotinhos” (garotas jovens) que passavam com seus pais quando iam comprar na loja.

Como prova desse relato, cito que nesse período uma bonita jovem chamada Maria Salete de Lima, garota de São José de Mipibu, da localidade de Japecanga e que também estudava em Natal, ao frequentar a loja Formosa Síria em companhia da prima e também ‘cupido’, Geni Rose, tornou possível o início de um romance com Manoelzinho, paquera que se tornaria bem mais do que isso.

Da paquera ao namoro, do namoro ao casamento, não durou mais que um ano para que resolvessem juntar as escovas de dente. Após o casamento, residiram na Vila Salete, localizada entre as Avenidas Três e Cinco, em Natal, onde nasceu o primeiro fruto dessa união, a filha do casal, Carla Simone. 16 BIM

Carla Simone, primeira filha de Manoelzinho

Logo que conquistou a confiança do sogro, Francisco Gomes, Manoelzinho recebeu o convite para administrar o Engenho São Francisco, localizado em Japecanga: “Não pensei duas vezes, coloquei os troços da casa em cima de um caminhão e fui passar um ano, para experimentar. Nisso, passei foi trinta e cinco longos anos da minha vida, conta às gargalhadas. No engenho, eu ‘mandava’ em uns quarenta trabalhadores que fabricavam rapadura e mel”.

Engenho São Francisco, em Japecanga – São José de Mipibu

Em 1962 comprou um caminhão Chevrolet 1962 (usado) que transportava tijolos brancos da olaria que tinha em Japecanga para a construção dos conjuntos residenciais na Cidade da Esperança e no bairro da Potilândia, em Natal. Ele lembra que nesse período juntou algum dinheiro, o que o permitiu adquirir três propriedades, todas próximas ao engenho, onde plantava cana-de açúcar e fabricava tijolos.  

Foi na residência principal do Engenho São Francisco que nasceram mais quatro filhos do casal: Rogéria, Ricardo, Rose Sone e Richard. Pouco tempo depois, a história se repete, e todos vieram residir em Natal para que os filhos pudessem estudar nas escolas da capital. E foi ali, aproximadamente quatro anos depois da sua chegada, que sua esposa Salete, tendo passado vinte e oito dias hospitalizada, veio a falecer de câncer.

A morte de um cônjuge é uma das experiências mais dolorosas pela qual uma pessoa pode passar. Sentir-se totalmente perdido ou em estado de choque pode ser comum, como se o mundo parasse de girar. O que todos sabemos é que, para algumas pessoas, um acontecimento dessa natureza é capaz de modificar uma vida.

Por causa disso, Manoelzinho relata muito do seu processo de adaptação da ausência de sua primeira esposa, como uma dor que não some da noite para o dia. Tudo isso gerou impaciência consigo mesmo durante o processo de luto e destaca a preocupação diante da responsabilidade inicial de criar, sem sua esposa, os cinco filhos menores. Assim, pouco após o falecimento, ele retornou à Japecanga, residindo com a cunhada, Maria Gomes, que passou a tomar conta dos seus filhos.

Manoelzinho relata ainda que, em sua tentativa de se reestabelecer emocionalmente, de se reencontrar, começou a participar de farras e a jogar baralho. Isso resultou na sua descapitalização e levou à venda de suas propriedades e de dois caminhões.

Foi durante a campanha política de 1976 que ele começou a paquerar uma jovem de família tradicional de São José de Mipibu, Maria Nativa Dias Lima, e esse romance logo se transformou em namoro.

Nesse período, o irmão de Manoelzinho, conhecido por Juarez, era proprietário de uma loja de eletrodomésticos em Natal, a Credi Lima. E em uma conversa entre os dois, Juarez sugeriu ao irmão que montasse uma loja em São José de Mipibu. O ano era de 1978 quando a empresa Credi Móveis foi iniciada, instalada no sobrado (vizinho a agência do Banco do Brasil). Depois disso, resolveu construir um prédio próprio, no centro da cidade de São José de Mipibu, adquirido de dona Margarida, esposa do Coronel Veiga: “Chamei Ernani Almeida, um dos melhores construtores de São José de Mipibu, e construímos o imóvel com um pavimento superior, onde hoje residimos. Foi lá que nasceram nossos filhos Kaline e Kleber”, diz referindo-se aos frutos da nova união. No térreo desse mesmo prédio passou a funcionar a Credi Móveis, vendendo móveis e eletrodomésticos para os clientes dos municípios vizinhos como Nísia Floresta, Monte Alegre, Goianinha, Brejinho…

Manoelzinho, com suas palavras, diz que nesse período ele também estragou tudo com farra. Lembra que seu companheiro nessas aventuras era ‘Zezinho do violão’ e que entravam em todo bar que tinha as portas abertas. Chegou a comprar três violões, mas nunca aprendeu a tocar. Hoje, é fã do cantor sertanejo Sérgio Reis, principalmente do seu sucesso “Galopeira”.

Em uma de sua data natalícia, cantando “Galopeira”, para os convidados

Manoelzinho aposentou-se pela Previdência Social após ter realizado uma cirurgia de ponte de safena. Perguntado pelo motivo de sempre estar vestido com roupas e sapatos brancos, foi direto: “Meu sonho era fazer uma faculdade na área de saúde. Admirava aqueles jovens vestidos com roupas brancas e, como não foi possível, comecei a me vestir de branco (sorri)”.

Manoelzinho é uma pessoa que todos querem bem em São José de Mipibu. Sempre com um sorriso nos lábios. è contador de estórias e causos de personagens da vida cotidiana da cidade. Mas, também faz suas presepadas.

Manoelzinho por ocasião de uma homenagem prestada pelo Exército Brasileiro, por seu apoio à instituição, em São José de Mipibu

Dia desses os convidados de um churrasco ficaram sobressaltado com a presença do personagem de Tv, conhecido por ‘Zé Bonitinho’. Era nada mais do que ele caracterizado pelo personagem da Escolinha do Professor Raimundo.

No Carnaval, vestido de Sheik pelas ruas de São José de Mipibu
O escritor e poeta, Júnior Rebouças, em seus escritos e comentários, ‘patenteou’ Manoelzinho de “Coronel do Agreste”.
Sendo entrevistado pela Tv Rebouças

POLÍTICA

Em 1976, recebeu o convite do ex-prefeito Hélio Ferreira (prefeito pela Arena) para sair candidato a vereador, quando conquistou trezentos e vinte votos, tendo como reduto principal a comunidade de Japecanga.

Foi vereador quatro vezes e vice-prefeito na chapa de Carlos Marques, que saiu vitoriosa na campanha de 1992 com mil e sessenta e nove votos de maioria (35% dos votos válidos) sobre o seu principal opositor, o ex-prefeito Leonel Santos.

A chapa Dr. Carlos/Manoelzinho venceu com cinco mil, cento e trinta e quatro votos. Leonel, do PMDB/PDT, recebeu quatro mil e sessenta e cinco votos (27,7%), Ricardo Ferreira, do PTB/PRT, obteve dois mil, quinhentos e vinte e nove votos (17,2%) e Francisco Adilson, do PT conquistou quinhentos e trinta e três votos (3,6%).

Vereador Crisostomo Barbosa entrega o titulo de Cidadão Mipibuense ao ex-vereador Manoelzinho, ao lado da filha, vereadora Simone.

Prefeito Carlos Marques recebendo o governador Lavoisier Maia, tendo ao lado, o vice-prefeito Manoelzinho
Visita de cortesia a então prefeita Norma Ferreira
Manoelzinho com o ex-prefeito Arlindo Danta

Manoelzinho deixou a vida pública, mas, a filha Carla Simone (atual presidente da Câmara Municipal de São José de Mipibu), passou a ser sua sucessora política no município.

Manolzinho com a filha Carla Simone, atual presidente da Câmara Municipal de São José de Mipibu

Manoelzinho deixou a vida pública, mas a sua filha Carla Simone, atual presidente da Câmara Municipal de São José de Mipibu, passou a ser sucessora no que diz respeito à política no município. Ele lembra que, na política e na vida pessoal, ajudou muita gente que necessitava de apoio: “Hoje, quando estou na praça principal da cidade, de dez pessoas que passam, oito falam comigo. Esse reconhecimento não tem quem pague”.

Vivo Firmino, Manoelzinho e Nilton do leite

Fez muitas amizades. Lembra de alguns amigos, como: Ubirajara, Nilton do leite, Jaime do PA, Zé de Chiquinha… alguns já se foram para a Eternidade. Outros ainda o acompanha nas ‘brincadeiras’.

Com filhos(as), netos e bisnetos

Manoelzinho enaltece sua família, formada pela esposa Nativa, sete filhos, 15 netos e quatro bisnetos.  “Só tenho a agradecer pela minha família, que são todos unidos. Só tenho que agradecer a minha primeira esposa e Nativa, pela família que tenho”, fala emocionado.

Em Japecanga, sempre em companhia de familiares e amigos

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