Bolsonaro, libera a maconha. Em nome da liberdade!!!

Túlio Lemos – É jornalista

A discussão que polemizou o Brasil, como tantas outras, envolveu diretamente o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Vida ou liberdade? A liberdade é mais importante que a vida? Existe liberdade sem vida?

O presidente disse que há casos, como o contexto da vacina contra Covid, em que a liberdade é mais importante que a vida.

É um avanço expressivo verificar Bolsonaro defender a liberdade, numa escala em que supera a própria vida.

Claro que é um avanço. Apesar do contexto. Mas é um avanço.

Afinal, Bolsonaro é um entusiasta da ditadura, a quem denomina de revolução e já parabenizou publicamente alguns carrascos conhecidos dos tempos de chumbo, famosos justamente por torturar e matar quem ousava usar a liberdade para lutar pela liberdade e pela democracia.

Mulher conta o que viveu nas mãos do Cel. Ustra, homenageado por Bolsonaro – Foto: Pragmatismo Político

Portanto, parece não ser a mesma pessoa que defende o mesmo valor inestimável. Mas é.

Jair Messias Bolsonaro virou propagandista e defensor da liberdade. É paradoxal e até incompatível. Mas aí é outra história.

O tema aqui é liberdade.

Os defensores da não vacinação contra Covid fundamentam seus argumentos na defesa da liberdade. ‘Eu quero ter liberdade de não me vacinar. É um direito meu. Eu escolho me vacinar ou não’. É mais ou menos assim.

Momento em que Bolsonaro afirmou que não ia tomar vacina – Globo.com

Será que ‘essa liberdade’ é relativa ou podemos usá-la de forma abrangente, como valor inegociável? Vamos acreditar que os defensores da liberdade realmente são defensores da liberdade e passemos para uma situação mista de realidade com hipótese.

Quem gosta da cannabis, da erva, da maconha, pode ter o ‘direito’ de ter a liberdade de fumá-la? Digo fumá-la em local público sem ser incomodado pelos ‘homens da lei’.

Para os amantes da maconha, infelizmente, a turma não pode ‘fazer a cabeça’ em paz. Além de ser chamado de ‘maconheiro safado’, o usuário também corre o risco de ‘ir em cana’.

No Brasil, por influência da Lei Seca nos Estados Unidos, em 1938, foi implantada a lei de fiscalização de entorpecentes, que tratou de criminalizar o consumo da maconha.

Houve alguns avanços e retrocessos. Marcha da Maconha, movimentos que defendiam a liberação da droga, foram reprimidos com violência em alguns estados. Até que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu que não havia ‘apologia às drogas’, mas atividade amparada pela liberdade de expressão. Liberdade. Aí está ela de novo.

Em 23 de agosto de 2006, foi implantada a Lei 11.343, chamada Lei de Tóxicos, que passou a prever novas penas para usuários de drogas. O crime de uso foi mantido, mas a pena foi abrandada. Porém, é crime o consumo de maconha no Brasil.

Numa cartilha de 55 páginas, o governo federal, já sob a gestão “Pátria Amada, Brasil”, do presidente Bolsonaro, apresenta um texto “Argumentos contra a legalização da maconha”, em que aponta como ‘malefícios’ do uso da cannabis, o “desenvolvimento da esquizofrenia, aumento na incidência de acidentes automobilísticos, prejuízo no desempenho no trabalho e escolar”, entre outros pontos.

Há vários estudos internacionais que apontam os benefícios do uso medicinal da maconha.

Sem entrar no mérito dos benefícios ou malefícios da maconha, fumar ou não é uma escolha.

E toda escolha é feita amparada na liberdade.

Eu preciso ter liberdade para não me vacinar, mesmo sabendo que posso contrair Covid, ser internado e morrer pelos efeitos da doença. Mas é uma escolha minha e precisa ser respeitada em nome da liberdade. Afinal, a liberdade é mais importante que a vida.

No mesmo sentido, eu posso fumar maconha, mesmo que isso produza efeitos negativos em meu organismo, assim como acontece com o cigarro e com o álcool. Mas é uma escolha minha, fruto da liberdade.

Portanto, já que a liberdade é um bem maior até que a vida, por que não liberar a maconha?

Por que eu quero ter direito a não me vacinar e o maconheiro não pode ter direito de fumar um ‘baseado’? A liberdade não é a mesma?

A história não revela funerais em massa, internações de milhares e morte média diária de 5 mil pessoas por uso de maconha. Nem aqui, nem em nenhum lugar do mundo.

Já a Covid matou mais de 600 mil somente no Brasil. Se não fosse a vacina, caminharíamos para completar 1 milhão de mortos pela Covid. O freio nasceu da ciência.

Brasil já ultrapassa 600 mil mortes por Covid – Foto: Rede Brasil Atual

A vacina não evita o vírus. Reduz seu poder destruidor e evita que mate em série. Quando eu faço apologia da não vacinação, eu sou favorável à facilitação da ação letal do vírus, cujo poder de matar é indiscutível.

Ou seja: Quando eu não me vacino, deixo meu organismo aberto para uma luta contra um inimigo invisível e poderoso. Ele pode me matar por nocaute. Mas, e daí? Eu quero ter a liberdade de poder morrer em paz, defendendo o que penso.

Eutanásia? Suicídio? Nada disso. Apenas quero usar minha liberdade e provar que ela pode ser maior que a vida. A morte é minha; não sua. Respeite minha liberdade.

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Então, digamos ao maconheiro que pode utilizar a mesma tese. Ele usa a droga para ‘relaxar’, para se ‘inspirar’, para ‘curtir’, para dormir. Se fizer algum mal, é somente a ele. Quem tem alguma coisa a ver com isso? E a liberdade dele, onde fica? Será que o cara não pode fumar sua maconhazinha em paz? Ele precisa ter sua liberdade respeitada.

Portanto, presidente Jair Messias Bolsonaro, em nome da liberdade, que é maior que a vida, libera geral o uso da maconha. Deixa que o cidadão tenha a liberdade de usar ou não. É um direito da pessoa fumar ou não fumar. Um direito amparado pela liberdade.

E agora? Será que a liberdade mantém o mesmo ‘status’ de permitir que o cidadão seja o senhor de seu próprio destino, proprietário de sua existência? Dono de sua vida?

Será que as mesmas pessoas que defendem a liberdade de não se vacinar, também defenderiam a liberdade de quem quer fumar maconha?

Detalhe: Se Bolsonaro liberar geral o uso da maconha, prometo que vou usar minha liberdade com o maior prazer e continuar sendo ‘careta’, fazendo a ‘cabeça’ com a jurássica cervejinha, que só faz mal ao meu fígado.

Mas isso é comigo. Eu tenho liberdade de beber e ninguém tem nada com isso.

Assim como tenho liberdade de me vacinar; o que já fiz. Tenho a liberdade de estimular que minha família se vacine e tenho a liberdade de defender a vacinação em massa.

Você tem a liberdade de achar que tudo que falei é um monte de bobagem. E, mesmo que eu discorde, tenho a liberdade de defender sua liberdade de expressão.

Ou seja: Liberdade é tudo. Mas, apesar de ser mais importante que a vida, não esqueça: A liberdade só pode ser usufruída por quem estiver vivo. E, geralmente, ela só sobrevive na democracia.

E viva a liberdade!

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2 Comentários

  • Angela disse:

    Também sou completamente a favor da Liberdade, mas não a “Liberdade ” quando interessa. Se o vírus e a maconha fizessem estragos somente na própria pessoa, beleza, mas sabemos que não é assim.

  • Enio Rodrigues disse:

    Boa tarde a todos.
    Há muita diferença entre a cannabis sobre o álcool e o cigarro. Diferenças de estragos enormes.
    Não se compara uma flor de cannabis orgânica bem curada e seus efeitos. Ao álcool e ao cigarro que são causadores de tanto mau.
    O maior avanço do ser humano,é reconhecer e apoiar totalmente a liberdade de plantar esta planta sagrada.
    Quando você coloca uma planta no sol, logo cedinho as folhas se abrem e se erguem para cima, como se estivesse agradecendo. Ela tem a forma da palma da mão, ela está aqui desde o princípio. Então se o nosso presidente voltar atrás e fazer o que já deveria ter feito. Ele é capaz de se reeleger.
    Pois o Lula deixou a desejar na época.
    É isso.

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