Advogado potiguar encontra sucesso no agronegócio em Goiás

HERÁCLITO HIGOR NOÉ AO LADO DO PAI HERÁCLITO NOÉ

Os caminhos de Heráclito Higor Noé, filho do ex-vereador de Natal e delegado Heráclito Noé, poderiam tê-lo conduzido a uma promissora carreira jurídica e também política em solo potiguar. Porém, os pensamentos de herança política nem sempre são os mesmos em todas as famílias.

Advogado do Agronegócio – Especialista em Direito Público e Tributário pela UFRN, Pós Graduado em Gestão Patrimonial pelo INSPER, Pós graduação em Contratos Agrários pelo IBDA – Sócio do Amaral & Melo Advogados, Consultor da AgriCompany em Crédito Rural e Gestão Patrimonial. O currículo de Heráclito é bem diferenciado dos que herdam o ofício do direito de seus pais.

“Como todo filho se espelha de certa maneira no pai, desde criança eu tinha uma inclinação para a área do direito, tanto é que no ano do vestibular eu comecei a ter dúvidas. Comecei a pensar: será que isso não é influência só do meu pai? Será que realmente é a minha vontade? Comecei a me questionar muito! Pensei em fazer medicina, pensei em fazer engenharia civil. Até brinquei quando fui fazer a inscrição para o vestibular e disse ao meu pai que tinha feito para engenharia civil. Mas efetivamente fiz direito. Passei no primeiro vestibular na UFRN e desde então me sinto muito realizado na profissão.

Ele, [o pai] sempre foi um grande influenciador, ríspido e crítico, nesse sentido de estar sempre ali incentivando e criticando no sentido de exigir mais dos estudos. Sempre foi muito exigente, desde a escola, com notas, desempenho e aprendizado. Sempre foi muito rigoroso nesse ponto. A gente sabe que só cresce saindo da zona de conforto. Ele foi me incentivando a nunca ficar na zona de conforto”, recorda.

Heráclito Higor Noé deixou o Rio Grande do Norte em 2018 para seguir carreira como advogado do Agronegócio no município de Jataí, em Goiás.

“Sempre tive interesse pelo Agro. genericamente falando, sempre admirei este setor da economia e sua importância para o cenário nacional e internacional, mas de uma forma mais contundente, no segundo semestre de 2018, quando numa viagem de lazer para visitar minha cunhada que estava morando em Jataí-GO, isso foi despertado de uma forma mais clara nos 15 dias que passei na cidade.”, conta o advogado sobre a decisão de assumir o posto longe de casa.

Religioso, ele fala sobre o momento em que teve certeza de que Goiás seria o novo rumo da sua carreira. “Algo me tocou enquanto estive aqui [Em Goiás] e como tenho muita fé e uma relação mais íntima com Deus nos últimos anos, Ele falou comigo e mostrou através de diversos sinais e situações que eu deveria realmente vir para região. Acreditei, confirmei nesta direção e comecei a me aprofundar e me especializar no tema com cursos e muita leitura direcionada ao agronegócio e seus reflexos jurídicos”, conta.

Casado há 18 anos e pai de duas meninas, ele lembra ainda do peso de uma decisão como esta que, obrigatoriamente envolve a família. “É uma das coisas que pesou na decisão também foi a busca pela qualidade de vida, e segurança. Minha esposa ficou meio temerosa. Em específico, porque tivemos, antes de vir em família, alguns episódios que traumatizaram inclusive minhas filhas, uma com 11 e outra 6 anos, então infelizmente isso é algo que dificulta”, conta.

O pai sempre foi um grande incentivador, mas coração de pai sempre aperta no momento em que um filho decide trilhar desafios difíceis de se prever o futuro. Com o ex-vereador Heráclito Noé não foi diferente. Quando o filho comunicou a partida para outra região ele resistiu. “Com relação a essa minha mudança, ele nem incentivou nem participou dela. Foi algo que aconteceu em um curto intervalo de tempo. Quando eu decidi eu comuniquei que estava vindo. Ele, e toda a família, tiveram aquele primeiro impacto: bom, não tem ninguém lá. Uma mudança muito radical de local, de estilo de vida, de região do país. Incentivaram e apoiaram com ressalva. “tá tendo esse sonho, essa visão, tá dizendo que Deus tá abençoando, que dê tudo bom”. Mas no fundo no fundo tinha aquela dúvida”, rememora.

O apoio efetivo aconteceu em 2019, quando o pai decidiu fazer uma visita surpresa com intuito de matar e saudade e convencer o filho a retornar para Natal. “No final de 2019, meu pai veio para Jataí, fez uma surpresa, chegou na minha casa sem eu saber e disse que veio com duas missões: uma era matar a saudade e a outra era me levar de volta para Natal.

Mas depois dos dias que passou comigo aqui, ele disse: filho, realmente, a primeira missão eu cumpri, que era matar a saudade, mas a segunda, você não sabia que eu vinha também com essa missão em nome da família para lhe convencer a voltar, eu vi que não vou lhe convencer a voltar, porque eu vejo as coisas que estão acontecendo aqui no curto tempo que você está aqui, vejo o brilho no seu olhar, vejo o quanto você está feliz aqui e satisfeito com as coisas que estão para acontecer e eu acho que seu caminho, realmente, é aqui. Hoje, o apoio dele e de toda a família tem sido crescente”, relembra entusiasmado.

O advogado conta que recebeu excelentes oportunidades na região, chegando a ser convidado para ser sócio de um dos maiores escritórios do Sudoeste Goiano, com mais de 15 anos de atuação no Agronegócio.

“E como nada foi por acaso na minha trajetória, Deus abriu portas incríveis numa região onde não tinha amigos e parentes, mas ele fez surgir oportunidades incríveis para que minha preparação e talento fossem enxergadas na região e fui convidado para ser sócio de um dos maiores escritórios do Sudoeste Goiano, com mais de 15 anos de atuação no Agro. Daí p frente tudo tem evoluído de uma forma exponencial nos últimos 3 anos.”, recorda.

Sobre o crescimento em sua trajetória, ele fala que não acredita em sorte, mas em oportunidades. “Muitos conceituam, e eu concordo com isso, que a sorte é o encontro da oportunidade com a preparação. Às vezes você tem oportunidade, mas não está preparado para ela, ou às vezes você tem preparação, mas não tem oportunidade. Então, efetivamente, todo meu estudo, minha preparação jurídica, meu talento, encontrou oportunidade. Deus abriu portas, eu acredito muito nisso, porque tudo o que Ele tem feito comigo nesses 3 anos aqui é algo surreal. Só Ele para abrir tanta oportunidade. Encontraram minha dedicação, meu empenho, meu talento na área jurídica, meu esforço em buscar me especializar numa área em que eu não atuava fortemente e houve uma guinada profissionalmente e financeiramente falando, que eu nunca imaginei num curto intervalo de tempo”, conta.

Como especialista do setor, ele fala sobre os desafios do RN. “O RN tem potencialidades para o Agronegócio ainda subexploradas. Vendo a realidade que temo aqui em termos de tecnologia, de agricultura de precisão, coisas que a gente não vê por aí [RN], de equipamento e maquinários. E ainda tem uma terra barata, se comparado ao que vemos no Centro-Oeste. Você vê terras aqui, nas regiões de maiores produções de Soja e milho, mais valorizadas do que no Texas. O maior desafio, é que no RN existe uma proteção agropecuária muito voltado para mercado interno, o que não deixa de ser importante, mas há ainda espaço para expansão e aumento para produção visando o mercado internacional que economicamente é mais importante porque impulsiona a economia numa escala muito maior. Hoje, além da fruticultura, que no RN é muito forte, Soja, milho e proteína animal quando produzida com foco para exportação são alavancas econômicas importantes.”, afirma.

Questionado sobre considerar Goiás seu novo lar, ele não hesitou: “Muito realizado profissionalmente, e moro numa região com qualidade de vida e que me acolheu de uma forma muito bacana. Tenho ido sempre a passeio [para Natal] porque nossas praias e belezas naturais são inigualáveis”, comenta.

Sobre saudades, ele lembra as belezas naturais do RN e a culinária local “Das praias e a estrutura de lazer e culinária. Os restaurantes, camarão e comidas nordestinas. Isso não tem igual. Só mato a saudade no Mangai de Brasília e do camarão no coco bambu em Goiânia mas nada como nosso Camarões que será o primeiro lugar que irei ao chegar na cidade”, diz.

Do Blog Túlio Lemos

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