Dia: 20 de junho de 2021

MEUS CHEIROS AINDA ESTÃO PRESENTES…

  Gutenberg Costa – Escritor, pesquisador e folclorista.

Infeliz do miserável e imperdoável ‘esquecimento’ sobre o que se passou com a geração de um país. O intelectual Mia Couto sempre enaltece em seus textos o saber dos velhos africanos. Chama-os de verdadeiras bibliotecas ambulantes do saber. Ao contrário da cultura africana, aqui pelo nosso pobre e triste Brasil, a velhice é sinônimo de ‘caduco’, ‘mentiroso’, ‘conservador’. O termo classificatório de ‘folclorista’, nem pensar, para muita gente da nova geração. E muitos não gostam dos ditos ‘saudosistas’, como eu, com honras e glórias…

Bem, mas vamos aos meus cheiros do passado. Começando pelo meu pai Geraldo Costa, que desde jovem fora motorista de praça dos americanos que deitavam e rolavam aqui por Parnamirim e Natal, nos anos 40, da Segunda Guerra Mundial. Segundo ‘seu’ Geraldo, o mesmo era obrigado a se apresentar todos os dias aos gringos, engravatado, calça escura, camisa social branca, sapatos pretos engraxados, com brilhantina nos cabelos, muito bem barbeado e até perfumado. Seu inglês de sua Macaíba era bem outro.

Com sua partida, fiquei de herança com seu velho estojo de barbear e ainda estão nas minhas ‘ventas’, como se diz nas feiras, o cheiro do creme, que fazia a espuma e impregnava de cheiro o terraço. Marca ‘Bozzano’, mentol. Como esquecer o cheiro de seu cigarro preferido, o ‘Continental’ sem filtro que eu comprava nas bodegas. Ao recebê-lo, esse era batido no seu isqueiro marca ‘Zippo’, o qual tenho aqui também em meio as tralhas herdadas. Comprar podia, mas fumar não deixava os filhos fazê-lo. Recebi dois ‘traumas’ nunca traguei e sempre enganei com cachimbos e charutos. Com o cheiro ou catinga do óleo e barro de seu caminhão velho, marca Chevrolet, que eu era obrigado a largar os livros e ir lavá-lo, nunca quis negócio com carros algum. Dirigi-los, jamais? Preferi o cheiro dos livros, das bibliotecas e redações de jornais… e diga-se, cheiros bons!

            Já com minha mãe, dona Estela, os cheiros foram outros e muitos. Papai viajando sempre e esta em casa o tempo todo com seus sete filhos. Quando a mesma tomava seu banho, o cheiro saia logo do banheiro e se espalhava sobre toda a casa. O trio era o seu sabonete ‘Alma de Flores’, o talco ‘Cachemy Bouquet’, além do desodorante, ‘Leite de Colônia’. O perfume era qualquer um que a ocasião lhe desse para comprar, mas lembro de um deles, da Avon, marca ‘Cristal’. A dona Estela adorava ser presenteada com sabonetes e perfumes e quando em data de seu aniversário não recebia nada de ninguém, respondia as perguntas, com a inevitável resposta positiva ao seu modo: “Este ano, não recebi nem um sabonete da marca ‘Dorli’…”. 

Uma noite, estando em meu computador digitando minhas coisas, eis que a minha biblioteca se enche de cheiro de seu perfume e talco. Parei o trabalho e fui conferir se alguém havia derramado algo cheiroso ali e aquela hora da madrugada. Demorou desaparecer o cheiro de minha genitora que já havia partido há anos. Contando esse fato estranho a um amigo espiritualista, esse acalentou-me e até alegrou-me com a explicação de que dona Estela teria estado ali naquele momento. Eu que não creio em minha coisa, não duvido de nada…

Um dia em uma feira e sentindo o cheiro de uma feijoada cozida na lenha vindo de uma barraqueira, me sentei pedi a tal iguaria e comecei a ‘soluçar de lembranças’, como repetiu tantas vezes, em suas geniais crônicas o grande Rubem Alves: “O que, pelo amor de Deus, está fazendo o senhor chorar aqui na minha banquinha?”. Ela, a pobre vendedora tão limpa, mestra da arte de cozinhar, não iria entender é que aquele cheiro de sua feijoada, lembrava a de minha mãe. Dona Estela colocava tudo que o dinheiro dava pra comprar e temperar a sua velha panela: pedaços de carne de sol, tripa fina, bucho, osso salgado… Mil milacrias, que quando recebia a primeira fervura, vinham as verduras, o alho e a pimenta, pilados com força, em um pequeno pilão de temperos. Há tempos, guardo esse pilão como grande relíquia de sua fortuna e o cheiro de sua feijoada, principalmente aos domingos, quando a mesa é cheia de familiares e netos.

E como estamos em um mês dedicado as tradições juninas, não podia deixar de citar os cheiros do milho moído em um moedor de metal que ficava seguro na mesa. Tenho alguns modelos aqui em casa. Cheiro bom das pamonhas, Mungunzá, canjicões, milho cozido e primordialmente da canjica que era colocada ainda quente nas tigelas e salpicadas de canela ralada. Confesso que minha mãe ficava numa grande aflição, pois como era difícil conter a briga de foice de seus sete filhos disputando o fundo do caldeirão, da sobra queimada da canjica. Haja cheiro e brigas. Até a colher de pau suja de canjica era lambida com felicidade por quem tivesse a sorte e a rapidez de tomá-la de posse.

E tinha os cheiros urbanos também em Natal. Às vezes, andando pelo meu bairro do Alecrim, eu paro em transe e fico sentindo o cheiro forte do café da velha chaminé do ‘Café Vencedor’. Ainda estão no ar as fumaças e cheiros das carnes assando em brasas de ‘seu’ Toinho da Avenida 11 e de ‘seu’ Macaíba, da Avenida 2. Em todo lugar em que eu fui, trouxe inevitavelmente os seus cheiros bons. Vou citar apenas alguns aqui. A ‘panelada’ retirada com fumaceiro e servida no Mercado Velho de Mossoró. O ‘alfenim’ da velha e boa dona Laura de Pendências. As cocadas de rapadura ainda quentes do tabuleiro de dona ‘Xuxa’, também de Pendências. Essa Xuxa era uma negra magra e pobre, apelidada bem antes da famosa branca e chata. Toda vez que vou a cidade de Arez/RN, me chega o cheiro bom do ‘bobó de camarão’, o qual comi em um jantar na casa de dona Nadir Cunha Galvão. O melhor de toda a minha vida. Deixei de lado a vergonha ensinada por minha mãe e repeti o prato…

Quem não se lembra daquele biscoito delicioso que caia no chão e era apanhado rapidamente, sem chamar a atenção dos olheiros: “Pra não dá gosto ao cão!”. Ficava as vezes sem dinheiro, só para apreciar o cheiro do pão das padarias e das fábricas de doces, aonde eu estivesse durante a minha infância. De Salvador/BA, me acompanharam a admiração por Jorge Amado e Glauber Rocha, entre outros. Mais os cheiros das moquecas de peixe, caruru e vatapá, entre outras delicias gastronômicas, deixadas pelo bom gosto das antigas quituteiras africanas. Do Rio Grande do Sul, além dos livros de Mário Quintana e das cuias que trouxe, me veio o cheiro amargo do seu tradicional ‘Chimarrão’. Tomei, mas digo-lhes que prefiro um café bem quente, forte e coado no pano, como fazia minha mãe. Se possível, em bule e servido com pedacinhos de rapadura.

Da linda região de Goiás Velho, trouxe as poesias escritas pela brilhante Cora Coralina e os deliciosos e cheirosos doces de caju, sentido em seus velhos tachos. De seu quintal arborizado, trouxe de presente, dois cajus avermelhados. Em Teresina/PI, fiquei embriagado com o cheiro e o precioso líquido de sua Cajuína. Na região do Pará, fiquei encantado com o cheiro e o sabor de seu Cupuaçu. Só perdendo em um ponto para a Mangaba, de São José de Mipibu, aqui no RN.  

Antigamente, ouvia-se como causa mortis de alguns defuntos gulosos: “Morreu feito peixe, pela boca”. Faltavam completar o diagnóstico: “e pelo cheiro”. Papai dizia quando espiava meu prato na mesa, que eu era daqueles que só ‘vivia para comer’ e não para ‘trabalhar’… e quem danado é nordestino e criado na feira do Alecrim, como eu, que vendo, comendo e sentindo os cheiros de picado, cuscuz feito em prato com pano, peixe frito em fogão de brasa e tapioca no coco de goma fresquinha, resiste aos pedidos tortuosos de sérios endocrinologistas e cardiologistas. Comida que não exalava cheiro forte, não era considerada boa. Os vizinhos sabiam o que lá em casa a panela estava fervendo. Não dava para negar nada a mulher buchuda e menino. Por falar em peixe e tapioca, pense em um casamento perfeito para meu café quando vou as ditas e abençoadas feiras. Santuários de cheiros e bondades humanas!

Confesso que sinto o cheiro de peixe de longe, quando minhas vizinhas o estão fritando. Gato perde pra mim. Tudo isso, minha paciente gente leitora, é parte de nossa grande herança cultural tão elogiada e estudada por nosso mestre Câmara Cascudo, em sua obra, ‘História da Alimentação no Brasil’. Sempre remexido para releituras e consultas quase que diárias.

E podem espalhar essas minhas besteiras para o mundo, que eu não me chamo Raimundo. Aqui aonde procurei viver ainda sinto cheiro de mata verde, cheiro de lagoa, de mar e de bosta fresca de vacarias, as quais lembram os currais de gado de meu materno avó ‘seu’ Hermógenes Medeiros, de Pendências…

O resto hoje é o fedor da poluição e lixões nas grandes metrópoles brasileiras e mundiais. Os urubus rodeando os aeroportos e as riquezas humanas, infelizmente! E como se dizia quando a gente por um azar pisava nas fezes dos gatos, que era o que mais fedia antigamente – ‘Eita bixiga taboca!’

                           Morada São Saruê/Nísia Floresta.

 

OLHA PRO CÉU, MEU AMOR

Nilo Emerenciano – Arquiteto e escritor

Vítimas da Covid, as nossas festas juninas pelo segundo ano não vão acontecer, a não ser na forma virtual. Pena. Vi nas redes. “Decreto estadual proíbe realização de eventos juninos, uso de fogos de artifício e fogueiras”. Compreendo a proibição de aglomerações, infelizmente, mas as fogueiras e os fogos? Até os traques, os espanta-coió e as estrelinhas? Dá pra imaginar um São João sem balões e sem fogueiras? Falta proibir as bandeirinhas, o milho, a canjica, as pamonhas e as adivinhações. Fico pensando nas moças casamenteiras que não vão ter chance de enfiar a faca no tronco da bananeira por força dessa lei. 

Mesmo com todas as transformações trazidas pela modernidade, o São João ainda guarda o peso das tradições populares nas comidas, canções, danças e festejos. Quem nunca passou esses dias no interior não avalia a força e a beleza dessas festas. A minha lembrança mais forte é a de um São João passado em uma fazenda na Serra do Doutor. No terreiro havia um mastro enorme com um estandarte no alto. No estandarte a figura de São João menino, o São João do carneirinho

Durante o dia era o movimento de pessoas chegando, parentes de todas as partes que acorriam para abraçar os tios e avós e participar da festa. Cedo, a fogueira havia sido acesa e a sanfona já era tocada fazendo rolar os sucessos do Trio Nordestino, Marinês, Elino Julião. Mas só a noite o forró começava de verdade. A tradicional banda de sanfona, triângulo e zabumba ocupava um lugar da sala. Acho que nunca dancei tanto na vida.  Até porque se você estiver só “curiando” alguém se aproxima e passa o par para os seus braços. Sem aviso ou combinação. A ideia é a diversão de todos. Desprevenido, eu, rapaz de cidade, calçava sapatos Motinha, marca de sucesso da época, adequados para as matinês do ABC, mas nunca para um forró de pé de serra. De manhã metade do salto havia sido destruída, relado pelo piso de cimento. Mas valeu a pena, ah, se valeu.

Quem nunca dançou uma quadrilha nem sequer sonhou. Seja ensaiada, com todas as figuras: os noivos (a noiva normalmente grávida), o padre, o pai da moça e os soldados de polícia. Ou improvisada, mais divertida, em que todos participam e os erros são motivos de risadas. E há os efeitos colaterais, ou seja, os namoros que surgem desses pares improvisados. Enquanto isso, em derredor da fogueira, se estabeleciam laços de compadrio. “São João disse/ São Pedro confirmou/ Que fulana é minha afilhada /pois Jesus Cristo mandou.”

As jovens procuravam as senhoras experientes na arte da adivinhação para pingar cera de vela na água de um prato. O objetivo era que a cera formasse a inicial do futuro marido. A faca na bananeira tinha o mesmo objetivo. Uma vez minha mãe, para atender as meninas da vizinhança, prendeu a aliança em um fio de cabelo e sustentou sobre um copo d’água. A aliança balançava e batia nas bordas do copo – tim, tim,tim. Contadas, essas batidas indicavam a idade em que a consulente ia casar. Cismou de fazer comigo (isso é o que eu ganhava por ser curioso e ficar por perto), mas cochilou e a aliança caiu no copo. Acho que por isso fui um osso tão duro de roer.

 Essas quadrilhas tem perdido seu espaço, dando lugar aos grupos, tipo escola de samba, que criam coreografias, figurinos, temas e ensaiam o ano inteiro visando participar de concursos promovidos pelas redes de TV. E aí surgiu a quadrilha profissional, estilizada ou tradicional. E há também, parece, uma quadrilha escrachada, humorística. No começo rejeitei toda a ideia, principalmente por aquele passo de caranguejo que as duplas fazem. Mas hoje acho que vale a pena. Nada é permanente, tudo se transforma, fazer o quê? Afinal, a quadrilha como conheci, também era a versão de velhas danças francesas, dançadas depois na corte do Brasil Império. Mestre Cornélio, ali na Rua Miramez, Rocas, com a Sociedade Araruna de Danças Semidesaparecidas, mantinha vivas algumas dessas antigas danças, polcas, valsas, xote, mazurca e a Araruna, dança ligada à cidade do Natal.

Vamos lá. Viva São João! Estamos todos em um momento de anarriê, de recuo, de perdas. Mas breve, com certeza, haverá de chegar o refluxo e vamos depois de um decidido changê, realizar aquele movimento de seguir em frente, seguindo o grito do chamador da quadrilha: Alavantú!

NATAL/RN

Haja fogueira

Rosemilton Silva – Jornalista e escritor. Natural de Santa Cruz/RN

Manhã fria com muita movimentação. Nos roçados, o milho já sendo quebrado, levado pra casa, separado o dos amigos – uma tradição anual em tempos de inverno generoso e de colheita farta -, mulheres começando a tirar a palha, agachadas com seus ralos na bacia para a matéria prima da pamonha e canjica, enquanto os homens vão cuidando das tarefas de levar o milho e separar para a fogueira que vai ser acesa logo mais na boquinha da noite.

Na rua – como dizemos – os sacos de milho vão chegando e sendo distribuídos enquanto algumas pessoas compram um pouco mais ou estão entre aquelas – e são poucas – que não receberam o presente para a primeira festa da colheita, a de Santo Antonio casamenteiro. E aí não há diferença entre as mulheres do sítio com as da cidade. Todas cumprem a mesma tarefa de cuidar dos preparativos para a canjica e a pamonha.

Rapaz e moças se reúnem para traçar a noitada com quadrilha ensaiada ou improvisada. Bandeirolas são feitas com papel crepom e coladas em cordão para enfeitar salões e ruas. Chumbinhos, chuveiros, estrelinhas, fósforos, traques peido de “veia”, bombas de parede, mijão, ratinhos, bombas de parede ou de pavio, foguetões e muita fumaça que ninguém reclama misturando ao gosto do milho assado depois de um farto jantar com coalhada, canjica, pamonha, carne de sol assada na brasa, queijo de coalho e de manteiga feito pela manhã com leite natural produzido com capim e, aqui e acolá, torta de algodão. Há quem solte um balão para a admiração de todos.

A festa começa a ganhar corpo nos seus mais fervorosos detalhes. Gente se arrumando, vestindo roupa para a quadrilha ou para o baile que será tocado por um sanfoneiro, um zabumbeiro e um triangueiro que animam todos até altas horas da madrugada com pouco descanso e muita música. Lá pras tantas é chegada a hora da quadrilha “cantada” em francês rocambolesco do tipo “anarriê”, “anavan”, “balance”, “xangê” e por aí vai na maior animação e concentração pra ninguém “queimar” o bailado que encerra na cobrinha com o famoso “alavantu” e todos obedecem caindo na brincadeira mais esperada sem a necessidade do rigor de prestar atenção no puxador.

E viva São João que, a exemplo de Santo Antonio, também leva casais as fogueiras para a promessa de casamento, apadrinhamento e compadrio, coisa mais inocente do mundo e que muitas vezes é cumprida a risca por muitos de nós. Quem não teve um casamento, um apadrinhamento ou o compadrio na fogueira que não leva em consideração até hoje? Pois é! Poucos!

E aí vem os mais afoitos na fé para atravessarem as brasas espalhadas naquele longo e interminável caminho que testa a coragem de tirar alpercatas e enfrentar o braseiro sendo avivado pelo vento leve que desce serra abaixo nas noites dos festejos juninos mas que não aliviam os pés de quem se atreve a caminhar por sobre as brasas sem se queimar ou reclamar ao final. O perigo mesmo é no dia seguinte, na cinza que parece morta, mas queima muito mais que o braseiro da noite.

Forró pra tudo que é lado. Ano de inverno é assim mesmo. Alegria pela colheita, agradecimento pela fartura dividida com amigos, compadres, irmãos e na certeza de que daqui há pouca mais de uma semana tudo será repetido quando São Pedro abrir as portas do céu pra olhar aqui pra baixo. E por isso mesmo, enfeites e vestes vão sendo guardados para o São Pedro que, muitos não sabem, vem acompanhado com São Paulo e, por conseguinte, mas aí já sem a fartura das comidas típicas feitas com milho o que não esfria a animação. Viva São João do Carneirinho! Viva nossa cultura! Viva nossas tradições que, aos poucos, estão matando em nome de uma tal modernidade!

FOLGUEDOS DE INTERIOR

Igreja São João Batista,em Assu -Foto: Mossoró Hoje

PEDRO OTÁVIO OLIVEIRA – Natural de Assu/RN


Aproximava-se o mês de Junho e, em Assú, em um dos jornais mais badalados do interior do Estado – “A Cidade”, as Casas Pinheiro (de Zequinha Pinheiro) estampavam anúncios publicitários com artigos para o São João: tecido xadrez, fogos, caixas de chumbinhos de pólvora e demais indumentárias que estavam disponíveis para a venda. No mesmo periódico, anos depois, as Casas Gurgel (de Agnaldo Gurgel), Casas Costa (de José Dias da Costa) e as lojas de Evaristo Laurindo de Souza,  de Otácio Freitas e de Francisco de Assis Cunha (Chico Pacaré) também anunciavam os mesmos artigos.

Também preparando-se para a grande festa, Sinhazinha Wanderley, correndo contra o tempo, compunha o magnífico Hino de São João Batista, atendendo a um pedido do vigário da “Parochia de São João Batista da Ribeira do Assú”. 

Em Natal, capital do Estado, filhos da terra preparavam suas malas para virem participar dos festejos que já estavam próximos de terem início em sua terra-mãe. Punham-se a postos, pegavam o trem até Angicos, concluindo o trajeto por outros meios – mistos, caminhões ou carros. Ao chegarem à cidade, encontravam, estendida em dois varões de madeira, uma faixa confeccionada por João Chau a qual saudava os visitantes: “Sejam bem-vindos ao São João do Assú!”.

 Aquele era o período em que os hotéis, que tinham pouco movimento durante os outros meses, começavam a faturar, a encherem-se de hóspedes e de algazarra. Assim, Santos Gurgel encarregava Palmira de preparar os quartos e contratar ajudantes para o trabalho que se avizinhava.  A partir de então todos os estabelecimentos passavam a ter frenética rotatividade.

Foto: Açu-Ontem-Assú-Hoje

O salão de beleza de Lilita abria muito cedo.  Às 6h, as portas já estavam abertas para receber as senhoras e as moças que se preparavam para as festas culturais e religiosas, no Clube Municipal e na Igreja Matriz. Posta a dificuldade de adquirirem-se vestidos prontos em boutiques, as modistas e costureiras, como Giselda Wanderley, Maria Madalena (de Antônio Félix), Estela Santos, entravam pela madrugada, desenhando e confeccionando, em alta costura, os vestidos das senhoras e moças da sociedade assuense. Geralmente, cada freguesa encomendava três roupas: para a festa social, novena e procissão. Uma para cada ocasião. Previamente, Corália e Delzir, na sapataria, punham-se de pé para fazer pedidos de mercadorias, prevendo vendas satisfatórias no mês de festa. As mães levavam os filhos para escolherem seus sapatos.

Na Padaria Santa Cruz, os irmãos Solon e Afonso, guardiões da receita do biscoito Flor-do-Assú, intensificavam sua produção. Os visitantes compravam em quantidade para, na volta as suas casas, passarem semanas degustando a saborosa iguaria assuense.

Foto: Blog Assu na Ponta da Língua

 Monsenhor Júlio, com idade avançada, ficava sobressaltado com uma extensa programação a cumprir. Tendo que visitar a várzea assuense durante a festa, avisava a Eloy Fonseca, a quem confiava suas viagens corriqueiras, para preparar o Jeep. Assoberbadas de encomendas de quitutes salgados e doces, Maria Inah e Candoca trabalhavam exaustivamente para atender todos os pedidos. 

Enquanto isso, em Natal, Clarinha Amorim e Francisca Ximenes visitavam os conterrâneos, angariando recursos financeiros e doações para a Igreja do Assú, e aproveitavam o ensejo para convidá-los a formarem uma Colônia Assuense, em Natal e a participarem da novena dedicada aos filhos ausentes.  De porta em porta, com muita simpatia e de agradabilíssima palavra, Dona Martinha vendia suas maravilhas de comidas típicas: alfenim, grude, pé-de-moleque e diversos bolos. 

Para enfeitar o céu que protegia a população, o carpinteiro Nelson Belo e sua mãe, Dona Dadinha, trabalhavam na confecção de belíssimos balões que ganhariam rumo entre as estrelas. Mas Nelson já era um discípulo de seu pai, Manoel Belo, o qual já fora aprendiz do seu tio José Leão, um dos percursores dessa arte, em companhia de Moacir Wanderley. Além de uma tradição local, era uma herança familiar. Com isso, no ambiente familiar, Nilda, filha de Manoel e Dadinha, ingressava na feitura de balões, e foi quem assumiu o posto após o falecimento do irmão. A família era coadjuvante nas comemorações do Santo Padroeiro.

 Os carroceiros estocavam lenha para, nos dias 13, 23 e 28, venderem às famílias adeptas da tradição das fogueiras, que não eram poucas. E um deles era Chico Matias. Diante do calor das fogueiras, aconteciam os rituais de consagração de padrinhos/afilhados de fogueira, depois da reza da jaculatória “São João disse, São Pedro confirmou que Maria fosse minha madrinha que Jesus Cristo mandou”. 

Os artesãos do barro, lá da comunidade Buraco D’água, preparavam os utensílios domésticos para a venda na feira que se instalava religiosamente aos sábados defronte ao Mercado Público. E, de um sobrado de portas altas e largas, encravado no coração do Assú, na Rua Frei Miguelinho, as “Adolfinas”,  Marizinha, Julinha e Julieta, produziam meticulosamente mobílias em miniatura feitas de talos de carnaúba.

 E assim a pequena população de Assú estava cada vez mais perto da abertura da Festa de São João Batista, para a qual todo o clero assuense estava voltado com máximo empenho. Com muito esmero, Antônio Félix estava diariamente na Igreja, cuidando do que fosse necessário, como, por exemplo, marcar intenções para as novenas e tocar o sino. Ele, além disso, dedilhava o órgão da Matriz e cantava em Latim, em companhia do coral formado por Isaura Rodrigues e Cornélia Tavares.

Ali na sala de sua residência, no quadro da Igreja, Samuel Fonseca, o maior musicista assuense, grandioso em toda extensão da palavra, e Cecéu Amorim ensaiavam os cânticos das noites de novenas. Ele no piano e ela entoando os mais lindos louvores católicos.  A decoração da Matriz ficava por conta das senhoras, que encomendavam a Arabella Amorim, de uma habilidade invejável, os arranjos de flores cuidadosamente trabalhados.

Foto: Paulo Sérgio.

Acabara de chegar à casa paroquial, vindo do Seminário de Santa Terezinha, de Mossoró, Padre Canindé dos Santos, recém ordenado, que iria auxiliar o vigário de avançada idade nas missas e novenas. Posteriormente, Monsenhor Júlio foi aposentado e o jovem sacerdote assumiu a administração paroquial, impulsionando o nosso São João. Com muita irreverência, criatividade e gosto pela notícia fresquinha, Demócrito Amorim (Teté) relacionava as notícias que iriam compor a edição diária de “A Mutuca”, e logo mandava deixá-las para a impressão na Tipografia de Manuel Silvério Cabral (Cabralzinho). 

 Na mesma casa, Demóstenes escolhia as camisas de linho branco, as calças sociais de cor preta e os suspensórios que trajaria na primeira noite de festividades ao santo do lugar, na qual se fazia presente para registrar mais um capítulo do São João do Assu.

Da Avenida Senador João Câmara, Costa Leitão e Maroquinha organizavam as festas que tomariam lugar no Clube Municipal, no andar superior da Prefeitura. A atração daquele ano seria Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que era amigo do casal. 

 Pelas ruas, os devotos descalços, cumprindo suas promessas, rumavam para a Matriz. Lá, os fiéis começavam a chegar, a tomar lugar nos bancos e, dentre eles, estavam Ofélia Wanderley, Maria Augusta Fonseca, Maria das Vitórias Wanderley, Alba Soares e as irmãs Filhas do Amor Divino. Estas supervisionadas por Madre Cristina Wlastinic. A programação era constituída de missa, novenas marcadas pela passagem do ramalhete entre os noiteiros que simbolizava a integração dos diversos segmentos da festa,  retretas, tocatas e alvoradas, que eram brilhantemente protagonizadas pela Banda de Música do Centro Regional dos Escoteiros, coordenada pelo Maestro Cristóvão Dantas.

 A todo tempo, as doações chegavam para a Igreja Matriz: animais, terrenos, alimentos, artigos para missas. Alguns desses donativos seriam destinados ao leilão em prol da paróquia, que acontecia sempre após a subida do balão no palanque montado em frente da Matriz.

No Parque de Vaquejada São João Batista, dentre inúmeros vaqueiros, estavam os gêmeos, Barão e Mariano Tavares, e Chico Germano, disputando o almejado prêmio. Este último, com os braços marcados de fitas (que era o símbolo do ganhador), era ovacionado pelo povo por ser campeão de quase todos os torneios. A disputa também era marcada pelo forró que acontecia lá. Realizava-se, também, o famoso baile do vaqueiro na AABB, que era o momento de eleger a rainha que desfilaria em cavalgada pelas principais ruas do Assú.

Rainha da Festa 1977, Francis Soares Macêdo de Medeiros – Foto: Assu Antigo

Para as crianças e jovens, a diversão era no parque de diversão que se instalava durante a festa atrás da Matriz, de onde surgiam as paqueras, anunciadas pelo vozeirão de um locutor vindo de alguma terra desconhecida, “de alguém para outro alguém com amor e carinho”. Assim eram oferecidas as músicas. 

Com muita empolgação e alegria, Zulmira Dias, que se satisfazia em ter sua casa repleta de amigos, deu início a primeira quadrilha de rua, saindo da Manoel Montenegro com destino à Praça Getúlio Vargas. A Rádio Rural de Mossoró fazia a cobertura da festa por meio da voz inconfundível de Edmilson da Silva. Depois, nasceu em Assú a Princesa do Vale, da qual ele se tornou um entusiasta confesso.

Rainhas do São João, década de 1950. Da esquerda para direita: Tarcísio Amorim, Costa Leitão, Renato Caldas, Almaísa Pessoa, Arilda Pessoa, Elizabeth Tavares, Fernando Tavares Filho, Edson de Assis e Alexis Pessoa. Foto: Arquivo Pedro Otávio

 Era notório que todo o Assú envolvia-se na concretização dos tradicionais folguedos juninos que têm seu início num recuo de tempo de 294 anos. Todas as agremiações sociais e instituições da cidade tomavam parte nas funções dos eventos que compunham a festa de São João Batista, desde o Colégio Nossa Senhora das Vitórias até o Lions Club. Os agropecuaristas, representados pela Cooperativa Agropecuária do Vale do Açu, que tinha Francisco Amorim como presidente e Edmilson Caldas como gerente, também participavam das manifestações religiosas na noite dos criadores e fazendeiros. Entre tantos, eram eles Walter de Sá Leitão, Epifânio Barbosa, Miga Fonseca, Joaquim Carvalho, Sebastião Diógenes (Tião), João Leônidas de Medeiros, Sandoval Martins, Edgard Montenegro.

 Todo esse clima envolvente preparava a pequena cidade para o dia mais esperado, 24 de junho, com a celebração da Natividade de São João Batista, em que havia festa desde as cinco horas da manhã, com uma fabulosa alvorada. Além disso, havia também a retreta. Fechando o ciclo de comemorações alusivas ao santo padroeiro do Assú, acontecia a procissão. O andor era conduzido por homens devotos que trajavam ternos, caminhando pelas principais ruas da pacata cidade, precedidos pelo clero, políticos e por João Pio, carregando a Santa Cruz. A população via também aquelas pessoas que, movidas pela fé, carregavam pedras na cabeça. A extensão do cortejo demonstrava, e ainda demonstra,  a devoção que o assuense tem pelo seu santo protetor.

Procissão do Padroeiro São João, em Assu, na década de 50 – Foto: Arquivo Pedro Otávio

 Imersos nas disfunções sociais que a pandemia do Covid-19 vem causando, os devotos de São João Batista não estão participando da tradicional e antiga festa que culminaria hoje. Contagiados pela saudade, em suas residências, em seus corações, cada um faz sua festa como pode, com súplicas pedindo o fim do vírus. O Hino do Santo Padroeiro, neste ano, tem um tom mais emotivo. A Igreja Matriz está apática por não estar colorida pelas vestimentas dos seus frequentadores. No entanto, São João está mais atento aos nossos pedidos, volvendo seus “olhos clementes ao povo deste lugar”, verso que Sinhazinha Wanderley imortalizou com sua composição do Hino de nosso Padroeiro.

Assim como diria Castro Alves, “a praça é do povo como o céu o do condor”, e assim era em todos os anos nas tradicionais festividades juninas. Especialmente hoje, transportemo-nos espiritualmente para lá e, com os olhos marejados pela emoção, fiquemos silentes diante daquela maravilha de templo católico que abriga o nosso São João do Carneirinho e que carrega consigo a história de um povo festeiro, hospitaleiro e religioso. 
Nota: a presente crônica evoca lembranças de eventos, figuras e acontecimentos relacionados ao São João do Assú de diversas épocas


IMPORTÂNCIA DA ESCOLHA DO NOME

Nadja Lira – Jornalista – Pedagoga – Filósofa

O nome de uma pessoa é o que lhe dá identidade e o que a torna conhecida entre muitos. Além de servir para identificar uma pessoa, o nome também serve para dar personalidade ao ser. Nome, de acordo com os dicionários, é uma denominação. É uma palavra ou expressão que serve para caracterizar ou designar alguém. O nome de uma pessoa é sua digital. É sua marca registrada. E gostar desta marca é muito importante para o desenvolvimento da pessoa.

A identificação das crianças é uma tradição que existe muito antes de Cristo, quando o nome guardava uma característica muito forte das famílias. Nos primeiros livros da Bíblia, por exemplo, pode-se encontrar os mesmos nomes para pessoas ou montanhas. Isto porque os nomes eram escolhidos conforme o fato ocorrido naquele lugar. Em algumas histórias também é possível encontrar figuras que tiveram seus nomes alterados pelo próprio Deus. Cada nome, portanto, tem um significado e vai acompanhar a pessoa até os seus últimos dias de vida.

A Bíblia também relata que Deus modificou o nome de alguns personagens, dando-lhes novos significados de acordo com a missão que eles iriam desempenhar no futuro. Assim, Abrão, passou a se chamar Abraão, Jacó teve seu nome mudado para Israel e Simão para Pedro, por exemplo.

Escolher o nome para um filho tem um significado muito profundo e esta tarefa de dar nome as coisas e as pessoas, coube a Adão e Eva, segundo a Escritura Sagrada. Dar o nome a alguém significa cuidar desse alguém, que lhe foi confiado por Deus. Vem daí a origem de carregarmos nossos nomes de família.

Alguns pais escolhem os nomes dos filhos valendo-se de alguns modismos momentâneos. Desse modo, quando um personagem de novela ou um cantor popular está fazendo muito sucesso, várias crianças vão receber o nome daquele artista. Às vezes, o escrivão do Cartório no qual a criança vai ser registrada, não sabe escrever o nome ditado pelo pai ou pela mãe, e isto vai gerar um problema grande e oneroso para a pessoa resolver no futuro.

Quando eu era criança, meu pai me contava muitas histórias e uma das que mais me agradavam era justamente a que falava sobre a escolha do meu nome. Segundo ele, meu nome foi escolhido quando ele era um adolescente e contava com aproximadamente 16 anos.

Depois que ele aprendeu a ler e se tornou um apaixonado pelos livros, leu uma história cuja personagem principal era uma bruxa residente numa aldeia perdida nos cafundós da África. Esta bruxa fazia muitas maldades, mas tinha um lado que poucos conheciam: Depois de fazer suas bruxarias, ela adorava brincar de boneca e sua boneca preferida se chamava NADJA.

Meu pai achou o nome lindo e disse para ele mesmo, que quando casasse, queria ter uma filha com esse nome. E assim aconteceu. Quando ele começou a namorar com minha mãe, já combinaram que iriam casar e que o nome da primeira filha seria NADJA.

Anos mais tarde, ao ouvir a história que sempre me encheu de orgulho por saber o quanto fui esperada, desejada, planejada e já com o nome escolhido, fui procurar a origem do meu nome. Descobri duas origens: A primeira diz que, NADJA é um nome eslavo e significa esperança. Para os numerólogos eslavos, a pessoa que tem esse nome gosta de estar envolvida em várias coisas ao mesmo tempo. É ágil, curiosa, dinâmica e adora viajar.  

A pesquisa ainda me revelou que NADJA é um nome derivado de NADYA, tem origem árabe e significa terna e delicada. De acordo com a numerologia árabe, NADYA, é uma pessoa romântica, sedutora, alegre, extrovertida, sociável e transmite muita confiança aos que estão ao seu redor. Ela ainda é criativa e comunicativa.

Jornalista Nadja Lira

Confesso que reconheço em mim, algumas das características reveladas em ambas as pesquisas. Porém, conservo o orgulho de reproduzir a história da escolha do meu nome, da mesma forma como era contada pelo meu pai. Ele e minha mãe souberam selecionar muito bem o meu nome, que para mim soa forte, valente e vigoroso. Gosto do meu nome e sinto-me uma verdadeira NADJA. 

OBS. As fotos que ilustram essa crônica foram postadas pelo editor do blog.

CASAS E CASARÕES DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU

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Por volta do ano de 1919, essa bela residência, que confrontava com as demais da época e chamava atenção dos que visitavam a cidade, teve como primeiro proprietário, o casal Desembargador Félix Bezerra de Araújo e senhora Amélia Carneiro de Souza Bezerra.  Dr. Félix exerceu os cargos de Promotor Público e, posteriormente, Juiz de Direito, da Comarca de São José de Mipibu. Em alguns portais são preservadas as letras “F” e “A”, iniciais – de “Félix e Amélia”.

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Com a mudança deles para a capital, o moderno casarão, foi adquirido pelo senhor João Alves Gesteira e sua esposa, Palmira Varela Gesteira, onde passaram a residir, a partir de 1948, vindo de Ceará-Mirim, onde moravam com a família. Uma das filhas do casal, a professora Neusa Varela Gesteira, chegou a assumir a direção do Grupo Escolar Barão de Mipibu, no período de 10.02.1956 – 30.11.1960, indo no ano seguinte lecionar na Escola Doméstica de Natal.

Residiram também no belo casarão, anos 50/60, o dentista Dr. Floriano Cavalcanti de Barros e sua esposa Maria Lourdes Peixoto de Barros. Dr. Floriano participava ativamente da política da cidade, convivendo com os políticos influentes da época, entre eles, Jessé Freire, Djalma Marinho e Aluizio Alves. Este último, tinha um grupo da “Cruzada da Esperança”, representado pelo casal, em São José de Mipibu. Já a professora Lourdes, foi diretora do Grupo Escolar Barão de Mipibu, no período de 09.02.1961 a 28.07.1969, tornando-se uma das figuras de destaque na Educação do município.

Também residiu no imóvel, o Juiz de Direito da Comarca, Altemir Borges, cunhado do prefeito da época, Hélio Ferreira.

Outro inquilino do casarão, foi o Capitão Barbosa, do Batalhão de Engenharia do Exército, durante os trabalhos de pavimentação asfáltica, da rodovia federal BR 101.

Em seguida, o servidor público Aldo Carvalho, funcionário dos Correios e Telégrafos alugou a casa, transformando um dos compartimentos, na Agência dos Correios de São José de Mipibu.

Atualmente, o casario é de propriedade da família Valfredo Araújo Costa (in memoria), conhecido por “Vavá do Canadá” e senhora Lucy Cavalcante Costa. que vem dando continuidade à preservação de toda a estrutura arquitetônica, inclusive, interiormente.

Colaboração: Elza Freire com colaboração dos familiares citados no texto do livro “Orgulho Mipibuense, da professora Lúcia Amaral e Toinho Fagundes

De volta ao passado… (57)

A professora Janilza Ferreira, de tradicional família mipibuense, recebendo o certificado da conclusão do curso de Magistério, ao lado do padrinho, seu irmão, o saudoso prefeito de São José de Mipibu, Janilson Ferreira. A solenidade ocorreu na capela do Colégio Imaculada Conceição (CIC), em 1967. Em seguida, ocorreu a recepção, com presença dos familiares (dona Lucilda, mãe de Janilza, estava presente) e convidados, nas dependências daquele educandário. Observe que as formandas caprichavam no vestuário e no cabelo para esse grande dia, em suas vidas. Lá se vão 54 anos… Arquivo: Janilza Ferreira