Voltando às aulas

Por Haroldo Varela.


Que bom, as aulas estão voltando e a saudade também. 

Tudo era festa, rever os amigos, falar das férias e recomeçar o novo ano letivo. Novos professores  e mais um ano de desafio. O bom mesmo era  a preparação, cadernos novos, comprar livros, mochilas, uniformes, tudo era festa.

Nossas mães  se desdobravam. As livrarias de Natal (Universitária e do Estudante) eram palcos dos encontros e dicas sobre onde encontrar tudo mais em conta…. Se não encontrava, a dica: “procura no Alecrim, né?” 

O bom era chegar em casa e organizar tudo. Encapar os cadernos e livros com papel madeira e durex garantiam tardes de trabalho e longevidade do material. Lapiseira era o que tinha de chic. Lembro daquelas de madeira que a tampa recolhia toda e daquela caneta de tinha quatro cores.

Imagine que até confiava naquela borracha que de um lado apagava escritas em lápis e do outro ,  caneta. Rasgar o papel era inevitável…sem falar que ainda se colocava um pouco de saliva para garantir o desastre.

Toda família que se prezava tinha que ter uma Enciclopédia Barsa ou Delta Larrousse, sinônimo de sucesso nas pesquisas escolares. Se a coisa complicasse, a pesquisa podia ser feita no nosso “Google da época”. Ou seja, perguntar aos pais, amigos ou então ir à Biblioteca Câmara Cascudo, em Petrópolis. 

Antiga Biblioteca Câmara Cascudo – Foto: Tribuna do Norte

E os uniformes? Se comprava na Casa do Atleta ou  Loja do Colegial, uma pequena loja na Ribeira. Sapato, tênis (‘O máximo era usar kichute’), roupas de ginástica, calça comprida e camisa de gola pólo… Tudo isso dava um prazer danado comprar tudo novo.  Algumas muitas vezes, ainda, dava para aproveitar o uniforme do ano anterior mas não tinha graça, ‘amarrava logo a tromba’.

O bom mesmo era a inocência. Não existia maldade, competição, tudo era muito mais  simples…

Tempo que não voltará mais.

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