Vestibulando

Por Haroldo Varela

Nada de formatura. Depois de algumas tentativas, fui aprovado no vestibular para o curso de Filosofia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A emoção foi geral. Só escutar Martinho da Vila cantando “Felicidade, passei no vestibular…” Ainda mais numa universidade federal. Era tudo na vida.

Porém, tinha um pequeno detalhe: o curso não tinha nada a ver comigo. Hoje, até que seria bem-vindo, pois gosto muito. Mas, na época, era o que tinha, e veio a calhar. Mudei de status. O que nos dias de hoje seria simples, na época, “universitário”era Upgrade garantido, e para mudar de status era só o tempo de escrever e datilografar um novo curriculum e depois, tirar xerox. Não havia rede social.

Nem precisa dizer o final da história. Nunca entendi por que fui jubilado Quem me conhece sabe como sou imediatista, queria concluir o curso em um ano e não terminei. O novo me fascina e os desafios me instigam. Gosto de superação, porém, a monotonia de uma sala de aula não dá, não tenho muita paciência para reflexão, pensamentos… até tentei segurar a onda durante um breve período, mas abandonei o curso.

Pelo menos hoje quando me perguntam o grau de instrução, respondo: “Superior incompleto” mas, pelo que já passei, gostaria de responder: – PHD. A vida só não dá certificado, mas ensina muito.

Hoje, só sou reconhecido como “doutor” apenas quando vou à feira, pois a patente é outra.

Me perguntam:

o que o “doutor” vai levar hoje?

Respondo: – Dois pés de coentro e um de cebolinha.

Sou cozinheiro.

Vida que segue.

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