FIGURAS MIPIBUENSES Antonio de Lima Revorêdo


Por JOSÉ ALVES – Jornalista e editor do jornal e blog O Alerta

Antônio de Lima Revorêdo, ou como é conhecido o ‘Sargento Revorêdo”, nasceu em 22 de outubro de 1942, na Fazenda Umari, no município de Ielmo Marinho/RN, cidade onde viveu sua infância e adolescência, onde estudou o antigo curso primário. Ainda jovem trabalhou na mercearia do seu tio “Tota”. Quando atingiu dezoito anos, foi servir no Exército Brasileiro, em Natal.

Casou-se com Terezinha de Lima Revorêdo, em 29 de maio de 1964. No ano seguinte, ingressou na Polícia Militar do Rio Grande do Norte.

Recém-casados, chegaram a São José de Mipibu em 1965, mediante determinação do Comando da Polícia Militar, para comandar o destacamento da corporação no município, na graduação de Cabo. Permaneceu no exercício dessa função por nove anos. Na cidade fez o exame de Admissão e concluiu o curso ginasial, no Instituto Pio XII.

Recebendo da esposa Terezinha, o certificado de Sargento da Polícia Militar, em 1975

Paralelamente ao cargo de comandante do Destacamento da PM local, era responsável pelo Posto de Identificação Civil (atualmente Itep), no qual confeccionava documentos de identificação (RG) e Carteiras de Trabalho.

Em abril de 1966, o casal teve o primeiro filho: Levi de Lima Revorêdo. Em seguida, vieram os demais: Lindomar, que nasceu em 1968. A única filha, Lean, nasceu em 1969 e Lindemberg, nascido em 1972. 

A esposa Terezinha, Sargento Revorêdo e os filhos, Levi, a irmã Lean e Lindomar. Na época (1972), só tinham três filhos

A história da família fora fortemente abalada em 1973, quando Sargento Revorêdo fora diagnosticado com câncer de pulmão, tuberculose nas glândulas e tuberculose pulmonar, enfermidades essas que quase o levaram a morte. Após quatro meses e oito dias de internação no Hospital da Polícia Militar, havia sido desenganado pelos médicos, sendo orientado a volta para casa, onde terminaria seus últimos dias de vida.

Segundo o filho, Levi Revorêdo, a “cura sobreveio, após uma madrugada em que Deus o visitou, revelando-o que o havia curado. Ao amanhecer, meu pai já tinha forças para falar, levantar e andar. Após refazer todos os exames no navio Hope (navio americano que estava ancorado em Natal), fora constatado que ele, evangélico e homem de muita fé, estava curado, contrariando a Medicina”, fala emocionado.

Após isso, Revorêdo retornou à normalidade de sua vida. Além das atividades que já desempenhava, passou a ser taxista. Nessa época (1975), nasceu o seu quinto e último filho: Liedson de Lima Revorêdo.

Nesse mesmo ano, realizou o curso de sargentos da PM, sendo aprovado. Como sargento, trabalhou no Palácio do Governo por mais de 20 anos. Também exerceu o cargo de Delegado de Polícia nos municípios de Senador Georgino Avelino, Goianinha, Nova Cruz e concluiu a sua carreira militar como Sub-Tenente, na cidade de Macaíba.

Quando ele comandava o Destacamento de São José de Mipibu, nos momentos de folga do trabalho frequentava a igreja Assembleia de Deus e participava de cultos ao ar livre. Em um desses cultos, em dado momento, apareceu um cidadão montado em um cavalo e ficou assistindo o culto bem próximo. Ao término do culto o homem se aproximou e disse que tinha ido ali para matá-lo, mas algo sobrenatural o impediu de fazê-lo, e ele disse: “Cabo Revorêdo vim aqui lhe entregar minha arma e pode me prender”.

Levi Revorêdo, relembra outro fato interessante ocorrido entre ele e o pai: “Quando eu tinha 10 anos tinha um desejo grande de possuir uma bicicleta e as condições naquela época eram difíceis. Ele prometeu que realizaria meu desejo e eu fiquei aguardando o tempo certo. Ele chamou a minha mãe e disse pra ela: “pegue esse dinheiro, vá com Levi na loja, em Natal, e compre um violão pra ele”. Fiquei surpreso e disse eu queria uma bicicleta, ele falou: “Deus me fez sentir que eu lhe desse um violão”. Eu não questionei, pois sempre fui um filho obediente. Saí com minha mãe e fui até a loja e ao chegar lá olhei para um violão e disse: “pode ser esse?” Perguntamos o preço e era realmente o valor que mamãe tinha recebido dele. Voltamos pra casa e eu comecei mexer no violão, pois não sabia tocar. Mas, logo comecei uma aula de violão com uma irmã da igreja, aprendi os primeiros acordes e esse instrumento foi uma bênção para minha vida, pois até hoje continuo adorando a Deus com meu violão e fui sempre abençoado por Deus em toda minha vida. Logo no ano seguinte meu pai me presenteou com a esperada bicicleta e alegria foi duplicada”.

Levi comenta outro episódio, quando adolescente e estudava na Escola Estadual Francisco Barbosa, em São José de Mipibu. “Impulsionado por alguns colegas de classe, quando estávamos no intervalo, íamos a uma mercearia próxima a escola e um dia comprei o meu lanche fiado. Passado o tempo me esqueci de pagar. A dona da mercearia colocou a lista dos devedores colada na geladeira. Meu pai passou lá e viu meu nome na lista. Perguntou: “esse Levi é meu filho?” Ela falou “sim”. Ele perguntou por que ela havia vendido fiado, se eu não trabalhava. Ela disse que vendeu porque o conhecia. Ele disse: “muito bem, quanto é a conta?” Ele pagou. Ao chegar em casa, meu pai me chamou e perguntou sobre o fato e eu expliquei pra ele, mas argumentou que não tinha justificativa. Deu-me uma surra e disse que era para nunca mais eu comprar fiado a ninguém. Com essa lição aprendi a me organizar minhas contas e ser responsável pelos meus atos. Grande lição.

Na Igreja Assembleia de Deus em São José de Mipibu, serviu como diácono e como presbítero. Em dezembro de 2010, Sargento Revorêdo foi agraciado com o título de Cidadão Mipibuense, concedido pela Câmara Municipal. 

Hoje, passados 57 anos, originou-se uma grande família, composta por cinco filhos, quatro noras, oito netos e um bisneto (com mais uma bisneta a caminho).

Em 19 de abril do corrente ano, sua esposa Terezinha Revorêdo, faleceu vítima da Covid-19.

Atualmente, às vésperas de completar 79 anos, Revorêdo reside em Natal/RN e encontra-se com Alzheimer, aos cuidados de sua filha Lean.

DEPOIMENTOS

Antonio de Lima Revorêdo é um homem de Deus, respeitado por todos os mipibuenses que o conhecem. Falar do meu pai é sempre um grande prazer, pois, hoje eu sou o que sou por causa dos seus ensinamentos, inclusive por ter me ensinado a ser um cristão verdadeiro. Hoje, sou grato a Deus e ao meu pai pelos ensinamentos, que talvez pareça que foi autoritário, mas, serviu para a minha formação profissional e como cidadão que sou para cumprir com minhas obrigações e cuidar de minha família que é uma bênção. Hoje, devido a enfermidade do Alzheimer ele não nos reconhece mais, porém, nós sabemos o homem de bem que ele foi para nós filhos e que seus ensinamentos jamais serão esquecidos. Muito obrigado querido pai. Te amo.
LEVI REVOREDO (filho)

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Nada que eu possa falar será capaz de traduzir o tamanho do meu amor e da minha gratidão pelo meu querido pai, Antônio de Lima Revorêdo.
É um privilégio ser sua filha e ter convivido ao longo desses anos ao seu lado. Obrigada por ser o maior alicerce da minha vida! Sendo sua única filha mulher, (dentre quatro irmãos) me orgulho do pai cuidadoso e amoroso que sempre foi. Infelizmente hoje, acometido pela doença Alzheimer, não posso mais declarar meu amor com palavras, mas, posso declarar esse amor com todos os cuidados necessários a quem tanto cuidou de mim.
Cresci vendo um homem de bom caráter, justo, digno de respeito e sempre uma grande inspiração para todos nós.
O seu coração bondoso e protetor iluminando sempre nosso caminho. Amo e cuido de sua vida, estou fazendo o mesmo que faria por mim, caso eu precisasse dos seus cuidados. Sempre ao lado desse grande homem, a minha saudosa e amada mãezinha Terezinha, que juntos tiveram o propósito de construir uma linda família e dar a melhor educação que poderiam. A minha gratidão ao meu pai e ao nosso Deus.

“Você sempre esteve presente, cuidando e amando e por isso meu respeito e amor são todos seus, pai! Que possamos cuidar de quem cuidou de nós com amor e paciência!”

LEAN REVORÊDO (filha)

Por meio deste breve relato quero falar um pouco do meu pai. Homem digno, de caráter íntegro com uma conduta ilibada, cumpridor dos seus deveres e obrigações mas, principalmente, temente a Deus, e sendo Seu servo, soube nos ensinar a trilhar segundo os princípios estabelecidos na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, para que hoje como adultos pudéssemos, com suas orientações e conselhos, ser, também, pessoas íntegras seguindo o caminho do bem.
Hoje, já com idade avançada e saúde debilitada, nos faz sentir sua falta quando lembramos que ainda crianças/ adolescentes/jovens e até mesmo já como o pessoas adultas, nós filhos, desfrutávamos da segurança que ele nos transmitia como um pai zeloso, responsável e bravo guerreiro o qual sempre se dedicou à família e ao trabalho. Se preocupava com cada detalhe da vida dos seus filhos, pois diante dos percalços da vida e das dificuldades enfrentadas junto com a nossa querida e saudosa mãe, na labuta diária, procurou superar todos os  obstáculos para prover e suprir as nossas necessidades e nos proporcionar assim melhor qualidade de vida.

Tenho certeza que a melhor herança e o legado que ele pode deixar para nós, seus filhos, não são bens materiais, mas sim, o seu bom exemplo de caráter, humildade e de um cidadão de bem que sempre procurou dar o melhor de si contribuindo com seu comportamento e suas ações. Sempre com disposição em ajudar o próximo, fazendo dessa forma uma verdadeira lição de vida. Por isso e muito mais nos orgulhamos de tê-lo como pai e agradecemos a Deus por ter nos dado um genitor com essas suas características e qualidades.

LINDOMAR REVORÊDO (filho)

Como sua primeira neta, represento aqui meu irmão Líverson e primos Rebeca, Micael, Laís, Lilian, Letícia, Júlia e o bisneto Heitor. Falar sobre meu avô é um grande prazer. Tive a oportunidade de aos oito anos de idade dividir morada com ele e minha saudosa Vovó Terezinha. Falar sobre ele é, também. lembrar a figura dessa valorosa mulher que ao seu lado construiu um grande legado de amor e fé. Ela me ensinou sobre o amor e perdão. Vovô Revorêdo me ensinou sobre integridade, lealdade e compaixão…
Seu amor e cuidado sobre todos que o cercavam. Me ensinou sobre ser um ser humano melhor, honrar com a palavra acima de toda e qualquer condição; me fez ter consciência que eu teria que conquistar meu lugar ao mundo de forma justa e com muita sabedoria.
Hoje, mesmo diante de ter sido acometido pelo Alzheimer, onde suas memórias foram apagadas, sabemos quem ele é para nossas vidas, o que nos resta agora é somente desfrutar de sua inocente presença. Ele sempre estará gravado como aquele bravo e fervoroso homem que do pouco fez-se muito e construiu uma linda história baseada na fé e honradez. Com amor.
LIVIA THAISE REVORÊDO DANTAS(neta)

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4 Comentários

  • Crisolita THE Bonifacio disse:

    Que linda História!!! Louvado seja Deus por esta Santa Família.🙏🏻

  • Didi Avelino disse:

    Sargento Revorêdo, um homem admirável e merecedor de toda nossa admiração, respeito e carinho.
    Na minha adolescência já conhecia Revorêdo como um homem de fé e, extremamente, família. Muito querido por todos, superou dificuldades com a saúde e, ao lograr as graças e bênçãos de Deus, seu restabelecimento foi comemorado por toda cidade que sempre o admirou.
    Um belo exemplo de cidadão !

  • Liege Machado disse:

    Família maravilhosa.

  • Márcio Coelho Macedo disse:

    Tive a oportunidade de conhecer a família Revoredo bem como trabalhar com eles, quando estava lendo a matéria, me emocionei bastante, diante dos relatos dos filhos e netos.

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