Diarista de Macaíba participa de Campeonato Mundial de Xadrez na Polônia e vira destaque: “Ano novo, vida nova”

‘Ano novo, vida nova’. O que para muitos é uma mera expressão trivial, para Cibele Florêncio, natural de Macaíba (RN), é o resumo literal dos seus primeiros dias de 2022. Desde que voltou ao Brasil em 1º de janeiro, depois de ter disputado o Campeonato Mundial de Xadrez, em Varsóvia, na Polônia, a potiguar de 24 anos vive os efeitos de ser uma das melhores enxadristas do Brasil.

Universidades, referências do xadrez e a imprensa disputam um espaço na agenda de Cibele, interessados em saber como ela, que trabalha fazendo bicos de faxinas e auxiliando a mãe no comércio de marmitas, conseguiu se tornar destaque no xadrez mundial. Vice-campeã brasileira, a enxadrista contou com doações para conseguir viajar à Europa.

Cibele conheceu o xadrez aos nove anos, por meio do projeto ‘Xadrez Macaeibense’, que incentivava crianças a praticar a modalidade nas escolas, e subsidiava a inscrição dos jogadores em campeonatos. Na adolescência, o talento descoberto na infância foi sendo lapidado. Porém, as dificuldades para conseguir treinar e competir insistiam em acompanhar Cibele, principalmente quando o projeto foi encerrado em Macaíba.

Hoje, sem ter aulas e sem professor ou treinador, Cibele é praticamente autoditada. Tenta aprimorar o seu jogo praticando xadrez com a sua irmã e jogando em aplicativos no celular. “Quando eu era pequena, algumas meninas mais ricas não me cumprimentavam depois dos jogos. Isso me magoava um pouco”, lembra. “Em torneios abertos, eu percebo que homens chegam a subestimar a adversária por ser mulher. E acabam perdendo”, afirmou.

Em entrevista para o Estadão, Cibele revelou que na última quarta-feira, 5, uma Faculdade de Natal lhe procurou para oferecer uma bolsa de estudos para o curso de sua preferência. A enxadrista disse que ainda está em dúvidas, mas, apesar da incerteza, respondeu com empolgação: “Acho que vou escolher Educação Física”.

O que Cibele mais deseja nesse momento, apesar de estar animada com a Faculdade, é conseguir um emprego fixo que não a desgaste ao ponto de impedir seus treinos à noite, e que ofereça uma boa remuneração para que consiga custear as inscrições nos campeonatos. “Isso já faria muita diferença”, disse. “O meu maior desejo é viver do xadrez e, um dia, ser campeã mundial”, completou.

Na Polônia, a brasileira disputou 20 jogos, sendo alguns contra grandes-mestres ou mestres internacionais. Mesmo não conseguindo vencer nenhum, disputar um torneio internacional, o primeiro da carreira, já foi uma experiência válida para ela. “Participar de um mundial foi um sonho realizado. Foi maravilhoso. Estar entre as melhores do mundo, e com jogadoras que eu admiro, foi uma experiência inexplicável”, avaliou.

Com informações do Estadão

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