Uma cidade protegida

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa (Apaixonada pelo Batman)

Gotham City é uma cidade fictícia criada no ano de 1940, para ambientar as histórias de Batman – O cavaleiro das Sombras da Noite. A Cidade do Batman apresenta uma paisagem sombria, escura e tenebrosa, onde existe um alto índice de criminalidade e corrupção. A violência extrema, o alto consumo e tráfico de drogas, além da prostituição, são alguns dos problemas cotidianos com os quais a população é obrigada a conviver.

Como toda grande metrópole, Gotham City conta com uma infinidade de prédios tipo arranha-céus cinzentos, que facilitam as ações de Super-Heróis de hábitos noturnos, como os do Homem Morcego. Batman não mede esforços para tornar a cidade de Gotham em um lugar menos inóspito, seguro e mais agradável para se viver. Para isto, ele arrisca sua vida em muitas ocasiões.

Os problemas vivenciados pela população residente em Gotham não é diferente dos existentes na maioria das capitais brasileiras. Um deles diz respeito ao trânsito sempre congestionado, motivado pelo péssimo serviço de transportes coletivos oferecido aos moradores. A falta de um bom serviço de transporte público obriga às pessoas a superlotarem as ruas com veículos particulares.

Em Gotham City, a questão de superlotação de veículos nas ruas da cidade foi solucionada pelo pai de Batman, Thomas Wayne – um renomado médico, que herdou da família um conglomerado multinacional: A Wayne Interprise e a Wayne Fundation Building.

Para solucionar o problema de transporte urbano na cidade, o pai de Batman uniu-se a outros ricos empresários para construir uma rede trens subterrâneos, aproveitando as grutas e cavernas existentes na região. O curioso é que o anel viário da cidade é cortado por pontes suspensas, que dão um ar futurista ao trânsito de Gotham e que poderia ser a solução para os engarrafamentos quilométricos das grandes metrópoles.

Ancestrais de Bruce Wayne – Batman – construíram a Wayne Shopping e a Wayne Chemical e muitas outras empresas, que estimuladas pela Revolução Industrial, criou filiais com atividades diversificadas pelo mundo. Todo o império construído pela família Wayne, permite que o Homem Morcego mantenha sua vida dupla com tranquilidade, sem se preocupar em bater ponto todo dia igual aos reles mortais.

A fama da violência que impera em Gotham City é minimizada pelo fato de a cidade ter a proteção do maior de todos os heróis dos quadrinhos: Batman – um dos poucos super-heróis que não tem superpoderes. Seu grande superpoder, como ele próprio afirma no filme Batman X Super-Homem – A origem da Justiça, “é ter dinheiro”. É justamente por dispor de muito dinheiro, que ele consegue produzir os mais diversos instrumentos para combater o crime.

Este filme, de 2016, mostra a supremacia de Batman sobre os outros super-heróis, uma vez que, mesmo não sendo detentor de superpoderes, o Cavaleiro das Sombras da Noite consegue “matar” o Super-Homem – super-herói dotado de extraordinários superpoderes.

Semelhante a Gotham City, as grandes capitais brasileiras vivem mergulhadas em problemas como insegurança, violência, tráfico e consumo de drogas, roubos, corrupção e assassinatos por motivados por besteiras. Em Natal, por exemplo, a população vive amedrontada. Boa parte vive trancada dentro de suas casas cercadas de câmeras, cercas elétricas e protegidos por cachorros, temendo a ação nefasta dos bandidos. Mesmo dentro de casa ninguém se sente protegido.

Quem se aventura a sair na rua, corre um sério risco de ser assaltado, sequestrado ou morto. Nossos governantes, que vivem protegidos com seguranças pagas pelos contribuintes, parecem nem se dar conta do problema enfrentado pela população, de forma que dá uma vontade danada de morar em Gotham City. Lá, pelo menos a cidade é protegida pelo Batman.

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