SINTE discute processo de retomada das aulas presenciais e reafirma compromisso com a vida

Os coordenadores do SINTE/RN em São José de Mipibu, Laelio Costa e Francialdo Rocha, se reuniram na sexta-feira (23), com a secretaria Lúcia Martins e a adjunta, Thimuza Souza. Na pauta, o polêmico retorno das aulas presenciais.

Laelio Costa, solicitou a secretaria Lúcia Martins que o Município aguardasse a conclusão do processo de vacinação dos trabalhadores da Educação e, por enquanto, desse continuidade às aulas remotas como forma de salvaguardar a integridade física da categoria.

Lúcia Martins disse que sofre enorme pressão por parte dos pais dos alunos e até mesmo de alguns professores, que, segundo ela, anseiam por esse retorno. 

Laelio Costa lembrou que a pandemia ainda é uma realidade e o número de vítimas – embora em queda – ainda é expressivo. Para o representante do SINTE, a melhora nos índices deve-se a  aceleração do processo de vacinação. Ele lembrou ainda que a demora no processo de aquisição das vacinas por parte do governo federal é o principal responsável pelo impasse que estamos vivendo. 

Lúcia, entretanto, vê o processo de retomada como algo irreversível, apoiando-se nas recomendações realizadas pelo MP, SEEC e UNDIME/RN.

Para Laélio, o momento é de cautela, já que, uma nova variante – a Delta – com maior poder de disseminação, começa a se alastrar pelo país, fato que tem gerado precaução e temor entre os especialistas.

“O cuidado não é só com o trabalhador da Educação mas com a comunidade escolar como um todo. Sabemos que os casos que envolvem crianças são mais raros, entretanto, pelo fato delas serem assintomáticas, corre-se o risco de atuarem como vetores de transmissão do vírus da escola para casa ou vice versa. 

Somente na rede municipal são 26 unidades de ensino, com milhares de alunos e algumas centenas de profissionais envolvidos. O impacto se torna ainda maior quando somamos a esse contingente, o número de familiares  (pais, mães, tios, avós, avôs, irmãos, etc) que cada professor (a), funcionário (a) e aluno (a) possui.

Além disso, vale lembrar que um número expressivo de trabalhadores da Educação oriundos de municípios próximos à São José  podem se infectar nos seus locais de origem e trazer consigo o vírus, ou então, aqui adquiri-lo, levando-os a infectar parentes e amigos nas suas cidades.

“Apesar da diminuição do número de casos, precisamos de cautela porque, mesmo com a aceleração do processo de vacinação, os dados atuais ainda pedem cautela”, declara Laélio.

Para Thimuza Souza, as escolas se prepararam para a retomada adquirindo insumos através dos recursos disponibilizados pelo PDDL Emergencial. Segundo ela, a prefeitura tem auxiliado as unidades de ensino com o envio de materiais diversos. A respeito dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) foi dito que a prefeitura está agilizando a aquisição de máscaras, toucas, batas, botas e luvas. Quanto a circulação dos ônibus e a merenda escolar, foi comentado que não serão empecilhos nessa retomada.

A secretaria de Educação reconhece que duas escolas da rede apresentam infra estrutura deficitária: são elas, as escolas Cônego Pedro Paulino no Mendes e Angelina Vasconcelos de Farias, no Bairro Novo. Lúcia disse  que a prefeitura está construindo novos prédios para abrigar as escolas citadas. Para ela, existem condições de adapta-las ao retorno gradual, fato que o sindicato considera pouco provável nesse momento.

Para Laelio Costa, ambas escolas deveriam funcionar exclusivamente de forma remota, uma vez que não há previsão de funcionamento dessas novas instalações agora, em 2021.

Na próxima semana, a representação do SINTE em São José de Mipibu, deverá visitar as escolas citadas, além de outras da rede, para averiguar não somente a infra estrutura dos estabelecimentos escolares como a implantação das adaptações necessárias nesse período pandêmico.

Um ponto que o SINTE também diverge é aquele que diz respeito à forma como se dará a retomada das aulas presenciais. Diferente da forma adotada noutras cidades do RN e na Rede Estadual, São José não opta por um retorno gradual, mas pelo funcionamento imediato da educação infantil, ensino fundamental I e II a partir de uma mesma data: 09 de agosto.

Quanto as comorbidades, o SINTE defende que os profissionais  retornem as suas atividades presenciais 28 dias após a segunda dose. A secretária concorda que esses profissionais aguardem a 2a dose dando continuidade  – até lá –  com o trabalho remoto que já vem realizando.

Diante dos 28 dias especificados em bula pelos fabricantes AstraZenica e Pfeizer, a secretaria afirmou que levará essa informação para a reunião do Comitê da Educação e para o Conselho Municipal de Educação na próxima terça-feira (27) e promete acatar o que for decidido. (lembrando ainda que grávidas e funcionários com mais de 60 anos devem desempenhar suas funções no atual modelo remoto).

Francialdo Rocha disse que o sindicato intensificará a comunicação com os trabalhadores da educação pelo blog e pelas redes sociais para que sejam noticiadas eventuais ocorrências de casos de covid nas unidades de ensino, ausência de insumos, equipamentos de proteção, etc. O sindicato defende que diante da ocorrência de casos numa determinada escola, o espaço seja temporariamente fechado e reaberto  dias após mediante criterioso processo de desinfecção.

O SINTE espera que os membros do Conselho e do Comitê sejam compreensivos diante das reivindicações acima citadas e não se deixem levar por pressões midiáticas equivocadas pois nada – absolutamente nada –  pode ser mais precioso que a vida humana

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