Romance forense: O amor em segredo de Justiça

Heráclito Noé – Advogado

Um jovem advogado teria, em envelope grampeado na parte interna da capa de um processo, se dirigido à nova juíza da comarca – ambos solteiros, através da seguinte petição:

"Eu, bacharel em direito
Conforme a lei em vigor, 
venho com todo o respeito
Requerer o seu amor.

Meu coração tem urgência.
E não podendo esperar,
peço que Vossa Excelência
Me conceda a liminar.

Caso eu a tenha ofendido
Com a inépcia do pedido,
Rogo pelo amor de Deus:

Se me faltou algum tato,
Prenda-me por desacato,
Mas prenda nos braços seus"

Prontamente, a magistrada teria despachado à mão, numa folha sem timbre, aposta dentro de um envelope de insinuante cor rosa, mandado entregar no escritório do advogado.

"Em toda a minha carreira,
Como juíza de direito,
Nunca vi tanta besteira,
Nem tamanho desrespeito.

Minha conduta moral
É lei que não se revoga
Nem com sustentação oral
Debaixo da minha toga.

Por isso, ilustre advogado,
Seu pedido tresloucado
Indefiro nesta liça.

Depois, com a noite em curso,
Fora do expediente,
Eu aguardo o seu recurso.
E que se faça presente,
Mas em segredo de Justiça".

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