Reflexões sobre o livro “Sonetos” do comunicador Júnior Rebouças

Fernando Douglas PereiraGraduado em Administração pela UniFacex, tecnólogo em Gestão da Qualidade pela Universidade Estácio de Sá, pós-graduado em Gestão de Projetos pela UNP

A escrita não é um simples conjunto de símbolos, é quase como uma espécie de magia que na batida de algumas teclas, no contato da tinta com o papel, acaba carregando inumeráveis formas de interpretação, imaginação e criação. Ela tem a fabulosa capacidade de nos tirar desse mundo que por vezes é tão cheio de trevas e vaidades preconceituosas, então nos elevar a um mundo superior, longe de toda dor que envolve cada ser.


Mas o poder e a importância da escrita vão além de nos servir como vela em meio as trevas tristes, porque a própria história da humanidade de forma coletiva ou individual pode ser revelada através dela, nos lembrando sempre do passando para a criação de um futuro diferente.


Portanto quando alguém se dispõe escrever está na verdade também grafando partes da sua alma e da história que envolve seu tempo, isso implica em expor o escritor de certa maneira e medida, revelando quem é, e o que sente, tanto quando escreve como no decorrer de sua vida, quando ele próprio se lê através das linhas que foram escritas. Para isso é preciso ter coragem e habilidade.


Além disso, quando alguém escreve, pensa não somente nele, mas, imagina as possíveis interpretações futuras, pois um livro quando publicado se torna uma espécie de combustível para a cultura e para o entendimento das próximas gerações, de como era a vida daquela época e daquele que escreveu.


Dessa forma, publicar um livro é dar um presente para a humanidade, por isso, essas reflexões escritas a respeito da obra Coletânea de Sonetos do autor Manoel Rebouças da Costa Júnior, é uma forma de agradecimento pelo livro que foi presenteado para todos os que são profundos, que através dele as emoções e maneira de ver o mundo do autor é compartilhada.


No soneto Versos da explicação (página, 11) é possível ver essa transmissão de sentimentos e visão, nele o autor desnuda sua alma e mostra no início da obra como pretende passar de forma simples, no entanto, profunda sua forma de ver o universo onde ele está inserido, isso pode ser denotado quando ele escreve:

“Textos poéticos de um verão
Sem o uso de métrica
Sem rima rica ou estética
Onde a caneta só entendia a emoção

Em São José de Mipibu num lindo alvorecer Foi onde veio o aflorar essa parte
A veia criativa da arte
E a vontade indomada de escrever

Longa temporada sem criar Tristeza, sem alegria no ar
E o mal que chegou de supetão

Reagir com lápis a grafar
Sem medo de erra, assumi arriscar
Prosa com rima, sem convenção”

Nestes versos o autor revela como a obra começou e o mergulho profundo que ele deixou que sua mente desse ao escrever, isso permite quase que de forma diretamente proporcional ao leitor conseguir entrar também nessas aguas profundas, hora turbulentas outras calmas, as vezes turvas, mas também límpidas da mente do escritor.


Essa profundidade das palavras do autor faz nossa mente viajar em busca de entender qual era o momento vivido por ele, esse entendimento nos levar a ponderar sobre nossa própria vida e a capacidade que temos de fazer florescer beleza mesmo nos momentos mais críticos.


A totalidade da obra não se resume somente em formas de ver o mundo de maneira séria, a coletânea de sonetos não é rígida, pelo contrário, ela é multiforme. Portanto, pode também ser admirada de outras maneiras, algumas picantes como em um dos versos do soneto Alcova (página, 14):

“As escondidas haveremos de estar
A noite já presencia iniciais de felação
Odores, grunhidos de prazer, na escuridão
Em sensual ação, estamos a nos apaixonar”

Já no soneto Você (página, 15), a configuração muda de algo quente para um cenário romântico de um verdejante viçoso.

O tempo todo penso em você
Ôoo coração abobalhado, destemperado

E a vida que me balança igual tornado?
Como devo me conter?

Aceitar a condição de apaixonado!
Será solução lutar por essa paixão?
E depois, como ficará o meu coração?
Satisfeito, feliz, contemplando?

Seguirei o caminho, ao seu lado
Talvez até como namorado
Não haverá desalinho, só empatia

Caminhada para mato aberto
Haverá felicidade no lugar certo Só com amor, sexo e poesia”

Em outros sonetos como Na Gruta (página, 16), cavalgadas em Areia Branca (página, 17), O que é que eu vim fazer em Ponta Negra? (página, 18), também é passada poesias de amor, mas dessa vez o amor falado do escritor é pela cidade e região que vive, as emoções passadas e alguns momentos vividos podem ser sentidos nos versos.


O leitor terá também a oportunidade de refletir junto com a leitura a respeito de questões sócias, no soneto Violência contra a mulher é crime! (página, 19), é abordado de forma clara como isso é triste, decadente e de final trágico, o autor escreve de uma forma muito profunda no trecho a seguir.

“Tinha uma linda entristecida
Não suportou o álcool e a violência
Era agredida com veemência
Virou enlouquecida”

A obra também contém homenagens feitas aqueles que partilham e que fazem parte da vida e história do autor e de todos aqueles que são ligados a ele, porque cada um deixa e leva um tanto quando passa na existência de outro indivíduo.

Dessa maneira a obra como um todo passa por vários caminhos e cenários mais diversos, desde os de amor, questões sociais, pessoas e regiões, isso mostra a capacidade do autor multifacetado de transitar por vários sentimentos.


Isso faz com que os leitores possam viajar por muitas emoções e sentir de maneira diversa em cada soneto, portanto essa obra é capaz de passar as mais variadas sensações para todos os que lerem.
Quando dado o valor verdadeiro para a leitura dessa coletânea de sonetos, o leitor pode sentir uma serie de toques em sua psique vindos dos sentimentos fixados do autor em cada verso de cada soneto.


Por fim, desejo agradecer a Júnior Rebouças pela oportunidade de ler sua obra e a partir dela ter gerado essas reflexões, e sei que outras nasceram não somente feitas por me, mas também por todos os leitores que poderão desenvolver, parafraseando Friedrich Nietzsche, é preciso ter um caos em si, para poder dar à luz uma estrela dançante.

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9 Comentários

  • João disse:

    Que massa! Deu vontade até de ler o livro! Alguém sabe o @ do Fernando? Parece ter um bom conteúdo.

  • Vanda disse:

    Fernando Douglas, que leitura singela e profunda que você fez do livro “SONETOS” de Júnior Rebouças. Você se conectou com os sentimentos e emoções do escritor imprimido em cada palavra. Uma leitura de sensibilidade e alma. Parabéns. Fiquei imaginando sua leitura do livro, A TECELÃ DO SEU DESTINO…

  • Zelha disse:

    Que maravilha! Já conhecia o trabalho de Fernando em gestão, ele entende muito do assunto, principalmente como otimizar, só não conhecia esse lado dele na parte literária, o cara bate de todo lado, kkkk, sucesso sempre.

  • Lidiane disse:

    Que alma sensível a sua, Fernando.
    Nos direcionando a um olhar que muitas vezes deixamos escapar. Parabéns!!

  • Evaldo da Silva Pires disse:

    FERNANDO DOUGLAS sinceramente desde da primeira vez que lhe vi eu falei esse rapazinho é um gênio parabéns pela a boa colocação da obra da literatura.

    • JULIANA MELO DA SILVA disse:

      Eu fico encantada com tanta sensibilidade e o quanto você é dedicado em tudo que faz. Eu não esperava menos de você, comentou a obra com riqueza de detalhes e nos deixando com vontade de ler o livro.

  • Jonathan disse:

    Senhor Fernando, quando vai ser sua nova entrevista sobre finanças e gestão pessoal?
    Onde está vendendo esse livro que você comentou? Tem @ para seguir?

  • Monike disse:

    Muito bom ! Fiquei até com vontade de ler o livro. Imagino a satisfação que deve ser para o autor ver sua obra ser comentada com tanta vontade de se fazer entender e sentir. Pra mim isso só engrandece a obra, parabéns aos envolvidos.

  • Juliana Melo da Silva disse:

    Eu fico encantada com tanta sensibilidade e o quanto você é dedicado em tudo que faz. Eu não esperava menos de você, comentou a obra com riqueza de detalhes e nos deixando com vontade de ler o livro.

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