Poucas e Boas

Valério Mesquita (mesquita.valerio@gmail.com)

01) Corria o ano da graça de 1992. O então deputado federal Fernando Freire convoca ao Rio os deputados estaduais Nelson Freire, José Adécio e Carlos Marinho para uma importante operação de reengenharia política: transferi-los do PFL para o PDS. O trabalho de persuasão ficara a cargo do envolvente mister Paulo Maluf que saíra de São Paulo, sozinho, incógnito, a bordo de um Eletra da Varig para o Aeroporto Santos Dumount, aonde já o esperava Fernando. De lá para a casa de Freire, uma escala de Maluf no Copacabana Palace a fim de registrar-se e deixar a pasta de viagem. Ao caminhar até o apartamento o líder paulistano é surpreendido pela voz rouca e amistosa de um velho servidor do hotel: “Doutor Maluf, que prazer o senhor aqui”. Enfim, aquelas palavras amigáveis dos profissionais de hotel com os velhos conhecidos. Confiando e permitindo-se a mais intimindades, o decano recepcionista aventurou-se: “Doutor Paulo, se o senhor quiser companhia à noite é só falar comigo. Sou muito discreto e guardo segredo de tudo”. Maluf fez que não ouvia. Mas, o velho carioca estava com a corda toda: “Ademar de Barros, Juscelino, Carvalho Pinto sabem que sempre preservei o sigilo”. Maluf apenas riu e apressou-se a entrar no carro dirigido pelo deputado potiguar. Confessou que aprendera ali, que, tanto na política como nos hotéis, nada mais constitui segredo. E foi jantar, conversar e tocar piano até tarde para convencer e embalar Nelson, Adécio e Cacau. Só que os deputados potiguares não se renderam nem a Chopin revivido entre vinhos franceses através das mágicas e malufadas mãos do dr. Paulo.

02) Avelino Matias, vulgo “Meu Pai”, é uma das melhores figuras folclóricas da política potiguar. Dentre muitos causos de que foi protagonista, colhi um, ocorrido aqui em Natal. Estava em uma reunião fechada com mais umas dez pessoas ligadas à ex-Funabem quando, de repente, a sala foi invadida por um poluente, ou seja, um silencioso gás intestinal. Todos se entreolharam e procuraram disfarçar tapando discretamente o nariz. Mais alguns minutos, novamente, nova bufa sorrateira incomodou os presentes. E veio aquele constrangimento muito próprio nessa situação. Mas, aquela reunião em sala fechada parecia fadada à sabotagem. Com pouco tempo surgiu o terceiro e terrível flato ainda mais podre. De repente, ante os perplexos e circunstantes funcionários, levanta-se Avelino e sentencia em voz alta e pesarosa: “Meu pai”, “minha mãe”, eu sou um homem doente. Para não trazer mais problemas eu vou me retirar”. O alívio foi geral. 

03) Antenor Rocha, ex-vereador macaibense, é mais conhecido como Agenor da Tripa. Certa noite, num comício em Cajazeiras, distrito de Macaíba, Agenor havia concluído o seu discurso quando foi procurar um local para urinar. Em muitas casas do interior a latrina é no quintal. Ao penetrar no escuro pela lateral do terreno, teve logo a má sorte de receber um banho d’água servida proveniente da cozinha, lá nos fundos da casa. Molhado mas consciente de que não foi casual, encontrou a “casinha” fechada. Como a vontade apertava entrou sítio adentro. Num local escuro começou “a verter a água do joelho”. De repente, quase morreu de susto: uma mulher estava agachada no mesmo serviço. ”Cabra sem vergonha, vá mijar a p.q.p!!”, gritou a mulher desesperada. Agenor saiu às carreiras para o local do comício. Assustado e todo mijado, me confessou gesticulando nervosamente: “Doutor, eu pensava que era um jumento, mas era uma “véia” braba como os seiscentos diabos”. 

04) Jacaúna Assunção me contou esta, passada em sua Santana do Matos. A Câmara Municipal de Santana, em certo período, era presidida pelo vereador João Braz, brabo que nem siri em lata. O regimento interno era o grito no pé do ouvido de quem ousasse desafiar a ordem estabelecida. Mas, o vereador Manoel Bezerra “cantou de galo” em plena sessão e começou a fazer barulho. Não se contendo, o presidente João Braz, do alto de sua indignação, esbravejou em alto e bom som: “Silêncio, respeite esta merda!!!” 

05) Comício de Ronaldo Soares em Açu. Povo doidão na praça. O locutor vibrante anuncia a palavra de Chico Galego, candidato a vereador, líder da Lagoa do Piató. Ao receber o microfone sem fio, assustou-se com o equipamento e tratou de reclamar: “Cadê a correia dele Lourinaldo, cadê a correia, esse bicho não vai falar de jeito nenhum!!!”. Aí a galera vibrou.

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