Poucas & Boas

Valério Mesquita – [email protected]

Antônio Oliveira, 86 anos, gozando de saúde invejável, amanheceu com uma forte dor na panturrilha esquerda. Aconselharam-no a procurar um médico. “Doutor”, disse Antônio, “Eu tô com uma dor danada na ‘batata da perna’. O que será?”. O médico examinou o paciente e diagnosticou: “Antônio, não é nada demais. É coisa da idade”. Antônio Oliveira rebateu. “Discordo, doutor, essa outra perna é da mesma idade, e não tem nada. Bem que eu não queria vir aqui”. Encerrou a consulta, reclamando pelos corredores da clínica, em meio aos carões da mulher.

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Agenor Nunes de Maria, depois que aterrissou em Brasília, fez de tudo para aparecer na mídia. Missa, batizado, briga de galo, o escambau. Convidou Agenor, ele chegou! Certa feita, dada a proximidade do vizinho estado da Paraíba com o Seridó, o então governador de lá convidou o nosso senador para uma visita especial, onde aconteceria uma série de inaugurações pelo interior. A caravana estava chegando ao então distrito de Belém do Brejo, banda de música, animando a praça, além de foguetório explodindo em toda parte. No palanque oficial, Agenor “jogava confetes” no anfitrião da festa. Em dado momento, o marujo-feirante-senador, mandou o verbo: “Vocês não imaginam a minha alegria nesta hora em que estou pisando o chão de Belém, terra onde Jesus nasceu!”. Os paraibanos se olhavam, sem entender nada do mapa geográfico do parlamentar de São Vicente.

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Joaquim Inácio de Carvalho Neto, partia do sertão rumo à capital como um corcel desenfreado. Parecia ter com língua de fogo, atingindo a quem cruzasse seu caminho. Em Natal, via rádio, o jornalista Erivan França rebatia seus ataques. “O cavalo doido pensa que com suas bravatas, nos assusta! Escolha as armas e venha para o duelo! Aqui nós mostraremos como lidar com animal bravo. Aqui, costumamos colocar freios, arreios e sela em todo tipo de equinos e fazê-lo trotar pelas avenidas”. Tal e qual, um torneio macabro de impropérios, Carvalho Neto, irado, rebatia: “Meu avô dizia que chaleira, bajulador, deitado é um porco e em pé é um toco. Eu vim para cortar o mal pela raiz e também as asas dos bacuraus agourentos pelo tronco”. Ao final deu zebra. Tanto Carvalho como França foram surpreendidos pelo prazo fatal de validade. Apenas, ficou o estilo, o modelo do duelo político desenfreado que fez escola e seguidores memoráveis depois como: Eugênio Neto, Magnus Kelly e outros.

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