Poucas & Boas

 

Valerio Mesquita ([email protected])

01)  Esta é antiga, mas boa. Dinarte Mariz, ainda menino em Serra Negra, levava o sugestivo apelido de “Anum Branco”, principalmente quando se banhava no rio Espinharas. Era consolado por Leogevildo Aureliano da Costa, vulgo Preto, que abastecia no rio os barris num burrico. “Não se incomode não, “seu” menino, que você ainda vai apadrinhar eles tudinho”, sentenciava Leogevildo. O tempo passou e a amizade dos dois nunca feneceu. No final do governo, Mariz lembrou-se de premiar “Preto” com alguma coisa. Pediu a Antônio Soares, chefe do Gabinete Civil, um daqueles cargos que tinha certeza que Aluízio Alves não botava a baixo. Era a fase do inventário. Soares já tinha a receita: “Diretor de Divisão, Padrão V”. Dinarte chama Etevaldo, vulgo Galego, oficial de gabinete: “Ô, menino vai chamar ali Preto!”. No Natal Club, onde foi achado, Leogevildo, sem perder a calma pergunta: “O que é que Anum Branco quer comigo?”. E lá se foi. Ao ver chegar aquela desengonçada figura, dona Nani e Ana Macedo, servidoras fiéis e tutelares do Palácio Potengi, foram logo perguntando ao governador: “Mas, o senhor vai mesmo nomear esse homem Diretor de Divisão Padrão V e aposentá-lo em seguida, vai?”. Dinarte olhou fixamente as interlocutoras e respondeu, sem pudor político, mas com ternura humana indescritível: “Ô Nani, esse homem vendeu bicho, loteria, a vida toda. E hoje, só hoje, acertou na milhar”. Papo encerrado.

02)  Em Bom Jesus, Pimenta e Alexandre faziam dupla de área imbatível nos comícios de Lelinho Azevedo. Alexandre, por exemplo, verboso discursador foi escalado para apresentar o candidato a vereador cujo apelido era Cumaru, semi-analfabeto residente na área rural do município. O orador após gastar todos os adjetivos disponíveis e indisponíveis taxou o candidato de “figura indefecável”. Naquele momento, Cumaru comovido bateu levemente no ombro do Alexandre: “Muito obrigado, amigo”. Mas, um intrigante “espírito de porco”, quando o candidato desceu do palanque, esclareceu-o sobre o significado da palavra “indefecável”. Reação de Cumaru, dedo em riste, na cara de Alexandre: “Seu f.d.p, cagado você vai ficar se eu perder a eleição…”.

03)  Cenário dessa história é o Tribunal de Júri, reunido em Macaíba, cuja jurisdição abrange o município de Bom Jesus. Um dia, antes do julgamento, a única testemunha de um crime ocorrido na cidade era o popular Chico Timbuca. Foi procurado por familiares do réu para negar terminantemente que presenciara o crime. Na hora de sua inquirição, após a leitura da qualificação da testemunha, filiação, profissão, etc., veio, ao

final, a pergunta arrasadora do juiz: “O senhor estava presente ao assassinato de Fenelon?”. Chico Timbuca levantou a cabeça, fitou o réu e calmamente se dirigiu ao juiz: “Espere, Doutor, e o compadre Fenelon morreu?”. 

04) Em 1981, o ex-Secretário do Interior e Justiça Manoel de Brito foi a Brasília para uma audiência com o ministro da Justiça. Levou consigo o diretor dos Estabelecimentos Penais do Estado, o saudoso amigo Célio de Figueiredo Maia. A audiência marcada para as 15 horas, permitiu a ambos almoçarem no restaurante do Hotel Bristol, regado a caipirinha para se lembrarem do velho Nasi de guerra. Encerrados os trabalhos gastronômicos seguiram impávidos ao cumprimento do dever. Mas o nosso Célio havia se excedido nas caipirinhas e estava eufórico e falastrão. A chegarem ao hall do Ministério da Justiça, Célio não conteve o seu comentário irônico ao avistar um grupo de militares graduadíssimos, apontando: “Brito, esse pessoal aí nunca deu um tiro num preá”. A voz sonora de Célio e os olhares furtivos dos militares de que haviam escutado algo, fizeram as pernas de Manoel de Brito tremerem até o encontro com o Ministro.

2 Pessoas comentaram
Rosa Regis

MARAVILHA… Kkkk

Carlos Eduardo de Oliveira Menezes

Prezados leitores: Esses causos aqui relatados no Alerta, nos trazem à lembrança e, porque não dizer, também un pouco do saudosismo de uma época riquíssima de personagens da política norte rio grandense. Há muitos envolvendo os ex governadores Garibaldi, Aluísio Alvez, Lavoisier Maia etc. Rimos muito .

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