O PAPEL DOS MITOS NA FILOSOFIA

Nadja Lira – Jornalista – Pedagoga – Filósofa

Os gregos criaram vários mitos para passar mensagens ou ensinamentos para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos. Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral. 

Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa explicando a origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.

 A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: Do verbo mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar).

Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira esta narrativa, porque confiam naquele que narra: É uma narrativa feita em público, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador.

O mito era narrado pelo poeta-rapsódio. Os gregos acreditavam que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra – o mito – é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável.

Grande parte destas lendas e mitos chegou à atualidade e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos, políticos e culturais.

Os mitos nasceram com os primeiros agrupamentos humanos, portanto, têm a mesma idade dos homens. Logo não podem ser considerados como coisas do passado, não desapareceram, mas, continuam plenamente vivos. Seja porque as sociedades primitivas (indígenas, tribais, etc.) continuam existindo, seja porque o mito fundamenta as atividades e o comportamento dos indivíduos.

Os mitos ajudam a entender como se dispunha a sociedade naquela época.  Representa o primeiro esforço da humanidade para explicar as coisas e suas causas. Sob o véu da fantasia, há nessas “histórias” uma autêntica procura das “causas primeiras” do mundo. 

Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo aquilo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos.

A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.

Os principais seres mitológicos da Grécia Antiga eram: Heróis -seres mortais, filhos de deuses com seres humanos. Exemplos: Ártemis ou Hércules e Aquiles. Ninfas – seres femininos que habitavam os campos e bosques, levando alegria e felicidade. Sátiros – figura com corpo de homem, chifres e patas de bode. Centauros – corpo formado por uma metade de homem e outra de cavalo, e muitos outros.

Uma das figuras mitológicas mais conhecidas é o Minotauro e já foi tema de filmes, desenhos animados, peças de teatro, jogos etc. Esse monstro tinha corpo de homem e cabeça de touro. Forte e feroz, habitava um labirinto na ilha de Creta. Alimentava-se de sete rapazes e sete moças gregas, que deveriam ser enviadas pelo rei Egeu ao Rei Minos, que os enviavam ao labirinto. Muitos gregos tentaram matar o minotauro, porém acabavam se perdendo no labirinto ou mortos pelo monstro.

De acordo com os gregos, os deuses habitavam o topo do monte Olimpo, principal montanha da Grécia Antiga. Deste local, comandavam o trabalho e as relações sociais e políticas dos seres humanos.

Os deuses gregos eram imortais, porém possuíam características de seres humanos. Ciúmes, inveja, traição e violência também eram características encontradas no Olimpo. Muitas vezes, apaixonavam-se por mortais e acabavam tendo filhos com estes. Desta união entre deuses e mortais surgiam os heróis. 

A Filosofia nasceu na Grécia entre os séculos VI e VII a.C., promovendo a passagem do saber mítico (alegórico) ao pensamento racional (logos). Essa passagem ocorreu, através de um longo processo histórico, sem um rompimento brusco e imediato com as formas de conhecimentos utilizadas no passado.

Durante muito tempo os primeiros filósofos gregos compartilharam de crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento racional que caracterizava a filosofia.

A utilização do logos (a razão) para resolver os problemas da vida está vinculado ao surgimento da pólis, cidade-Estado grega. A pólis foi uma nova forma de organização social e política desenvolvida entre os séculos VIII e VI a.C. Nela, eram os cidadãos que dirigiam os destinos da cidade.

Como criação dos cidadãos, e não de deuses, a pólis estava organizada e podia ser explicada de forma racional.

3 Pessoas comentaram
Dutra Assunção

Eis a explicação em detalhes abramgentes porque o povo brasileiro chamam o presidente Bolsonaro de Mito!

Dutra Assunção

Eis porque o povo brasileiro chama o predidente Bolsonaro de Mito.

Dutra Assunção

Eis porque o povo brasileiro chama o presidente Bolsonaro de Mito!

Entre na discussão!

Fique tranquilo, seu email está seguro.