O papel do professor

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Neste último dia 04 de outubro, enquanto dava aula na escola onde trabalho, tive a grata satisfação de receber a visita de um ex-aluno. A princípio não o reconheci por causa da máscara que todos somos obrigados a usar em tempos de pandemia. Depois, porque ele está muito diferente: Cresceu, está bem mais alto do que eu, já começa a falar grosso e o rosto já apresenta sinais de uma barba vai tomar conta do seu rosto. Em nada ele lembra o menino franzino, tímido, sentado no fundo da sala e dando trabalho para realizar as atividades propostas em sala em aula.

Ele chegou, pediu licença para entrar na sala onde eu dava aula e disse que queria dar-me um abraço, porque sentia muita saudade de mim e das minhas aulas. Lembrou das músicas com as quais costumo receber meus alunos e disse cheio de orgulho: “Professora, eu já estou no oitavo ano e agradeço por tudo o que a Senhora me ensinou”. E continuou dizendo o quanto tudo o que lhe foi ensinado estava sendo útil e que tudo aquilo que lhe foi ensinado seria levado para o resto da vida. E ainda fez mais: pediu licença para assistir minha aula e eu o recebi com muito carinho e uma ponta de orgulho.

A atitude deste aluno, cujo nome eu não consegui lembrar imediatamente, me deixou muito feliz, emocionada e me fez pensar na responsabilidade que encerra a atividade de um professor e em tudo o que é ensinado em sala de aula. Cada gesto, cada palavra, cada atitude de um professor em sala, marca profundamente a vida do aluno. É como se fosse um carimbo impresso em uma folha de papel em branco, que jamais se apagará.

Sempre penso que, a cada ano, em cada sala de aula e em cada turma onde o professor atua, ele está plantando uma sementinha de conhecimento em seus alunos. Este profissional, porém, jamais colhe os frutos desta árvore cuja plantação ele iniciou. A sementinha lançada vai germinar (ou não), sem que o profissional tenha conhecimento do seu feito. Isto ocorrerá até o momento em que o aluno decidir vir visitar seu antigo mestre, conforme fez este aluno.

É em momentos iguais a estes, que o professor se dá conta do poder transformador da escola, da Educação e do papel que ele representa na vida das crianças que lhe são confiadas todo os anos. Momentos iguais a este recompensa o profissional por todo o trabalho que dá iniciar crianças no mundo da leitura e da escrita.

Afinal, o trabalho de um professor vai além de ensinar a criança a ler, escrever e contar. O professor educa o aluno, contribui para a formação do seu caráter e o prepara para a vida. O professor ainda prepara alunos para que se tornem cidadão conscientes dos seus direitos e deveres, com capacidade para pensar por conta própria.

A visita inesperada do meu ex-aluno deixou-me muito emocionada, feliz e me trouxe uma certeza: A de que, como professora, eu estou no caminho certo na realização do trabalho que desempenho na sala de aula. Ele ainda me fez lembrar da minha trajetória estudantil e do quanto sou grata aos meus professores, bem como o quanto estes profissionais que me ajudaram a formar o meu caráter são inesquecíveis.

Meus professores são seres especiais que estão tatuados dentro do meu pensamento e do meu coração. E eu sigo-lhes os passos esperando que como professora, eu também possa permanecer tatuada no coração de alguém.

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