Sobre o ato de escrever

Nadja Lira –  Jornalista – Pedagoga – Filósofa.

Algumas pessoas consideram o ato de escrever, uma atividade penosa e muito difícil. Considero o ato de escrever igual à montagem de um grande quebra-cabeça, no qual as peças a serem encaixadas são as palavras. Semelhante a um quebra-cabeça, a arte de escrever nada mais é do que uma brincadeira de montar: as palavras estão expostas e ao escritor caberá somente, o trabalho de escolher as peças para encaixa-las de maneira adequada. Assim, nascerá um texto que irá apresentar as características que você escolheu para ele.

Também considero o escrever como um ato de grande responsabilidade: todo aquele que escreve se desnuda; mostra ao mundo um pouco de si, de suas ideias, suas crenças, seus pensamentos e suas opiniões. Uma vez expostas, estas ideias e opiniões irão influenciar outras pessoas de forma benéfica ou maléfica, de modo que é preciso muito cuidado naquilo que se pretender externar. Afinal, uma única ideia pode gerar milhões de interpretações e isto se torna assustador.

A grande escritora brasileira Clarice Lispector falou sobre o medo de tinha de escrever, no seu livro, Um sopro de vida. A esse respeito ela diz o seguinte: Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? Talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo. (pág.6 -1978)

Segundo o dicionário Michaelis, de Língua Portuguesa, escrever é representar por meio de caracteres ou sinais gráficos; exprimir-se por escrito; compor ou redigir um trabalho literário ou científico; andar em curvas ou ziguezagues; fazer letras. 

Em relação ao ato de escrever, o poeta Pablo Neruda afirmou: “Escrever é fácil. Você começa com maiúscula e termina com um ponto final. No meio, coloca ideias”. Clarice Lispector ainda expressa sua opinião acerca da escrita. Segundo ela, “escrever é procurar entender; nada mais do que procurar reproduzir o irreproduzível; é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada”. 

Para mim, escrever é uma terapia. Gosto de escrever quando estou feliz. E quando estou triste, escrevo para aliviar minha tristeza. Nos momentos de profunda tristeza, escrever tem para mim, o valor de uma purgação; uma catarse; uma purificação mental que serve para renovar minhas energias físicas e mentais.

Autora da crônica, Nadja Lira, quando editava o Jornal de Natal, nos anos 2000

Antes de escrever, necessário se faz conhecer bem a Língua Portuguesa. Afinal, este não é um privilégio de professores, gramáticos ou de escritores renomados. Todo brasileiro que se preza, tem a obrigação moral de conhecer bem o seu idioma. A leitura de textos diversificados também ajuda nesta empreitada, porque possibilita ao indivíduo adquirir conhecimentos sobre os mais variados temas e assim, pode-se argumentar com propriedade acerca do assunto escolhido.

Escrever é viajar para um mundo mágico.

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2 Comentários

  • Angela disse:

    Fácil, difícil, profundo… Além dos conhecimentos linguísticos, é necessário sensibilidade no uso das palavras.

  • Risalva+Brazão disse:

    Que bacana ler sobre a delícia de escrever de forma poética. Entre a letra maiúscula e ponto final de que refere-se Pablo Nerruda, uma pitada de sensibilidade é um bom aperitivo para favorecer a criatividade e intensidade dos escritos.

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