Sobre hipocrisia e música “pervertida”

Cefas Carvalho – É jornalista e escritor

Dia desses vi em postagem de um amigo, uma figura complicada que eu conheço desde a adolescência aqui em Natal, hoje conservador/bolsonarista, gritando contra os tempos atuais de “perversão, libidinagem e obscenidade na música” (palavras dele, certamente se referindo a Pablo Vittar, Anitta etc).

Fiquei com vontade de recordá-lo que nos esbarramos em pleno show dos Raimundos na Ribeira, em 1996, na turnê de lançamento do lendário “Lavô tá novo”, na qual tanto eu como o conhecido – que estava bem louco, inclusive – vimos Rodolfo (vocalista da banda, hoje evangélico e reaça) cantar aos gritos músicas como “Sereia na pedreira”:

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“Tentação é vê ela molhadinha na minha frente

Fico imaginando seu rabo quente

Me dizendo: “Sim! Vem que hoje eu sou só pra você”

Ontem sonhei com você

Por isso só penso em te comer a noite inteira

Pra repetir aquela manhã de quinta-feira”.

Aí também lembrei que encontrei esse camarada, e muitos outros neo-puritanos natalenses, no show dos Mamonas Assassinas, na mesma época, no finado Machadinho, cantando:

“Roda roda vira, roda roda vem, nesse raio de suruba, já me passaram a mão na bunda, ainda não comi ninguém”.

Enfim, a hipocrisia e a falta de memória desse pessoal são comoventes. Mas eu me lembro, viu “conservadores”!

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3 Comentários

  • Angela disse:

    Verdade, sempre houve música de linguagem chula. Antigamente visto como rebeldia, irreverência; hoje, escrachada. Escuta quem gosta.

  • Terezinha Tomaz disse:

    Sempre houve e vai haver essas músicas de duplo sentido, de linguagem chula, mas a escolha pra ouvir é sua.

  • Risalva A B Azevedo disse:

    A qualidade musical perderam vez e voz nas mídias sociais. Infelizmente as rádios abertas tem contribuído com com a propagação do que não presta.

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