No pátio da Igreja…

Por Haroldo Varela 

As pessoas mais simples são as primeiras a chegarem,  saem de seus povoados em paus-de-ara, com as suas melhores roupas engomadas, calças de poliéster vincadas, brilhantina e os olhos cintilam de tanta admiração. É dia de festa!

Dia de conhecer os padrinhos que nunca viram.

-kleidson, peça a bênção ao seu padrinho, exige a mãe, ao filho.

Parque infantil, com roda gigante, carrossel, com muitas luzes colorida A igreja, toda iluminada. Os auto falantes agudos já tocam as primeiras músicas e mandam mensagens:

-“De um alguém para um alguém, receba essa linda página musical…”. Oferecimentos  desses fazem  no mínimo uns cem namoros, na festa, pois ajuda os tímidos a tomarem a iniciativa.

Sorvetes coloridos (daqueles sem sabor. Aí me lembro do passeio dos barcos do parque, que quando está ficando bom, o homezinho (“Ah,fdp”) trava com uma tábua… Agora, sigo para a fila da roda gigante. Essa sempre quebra quando está no alto. Os tiros ao alvo, a pescaria, argola, nas carteiras de cigarros Hollywood, Continental…. vou arriscar, nunca tive sorte.

Mas o bom mesmo é a emoção! Ver a mulher virar macaco e, por mais que esteja prevenido, sempre me assustava. E a rifa, misturada com bingo e leilão ? Sai de tudo: frango assado, petiscos e ainda corre-se o risco de voltar para casa com uma galinha ou um bode, vivos! Os lances são por vaidade, cada um querendo mostrar o quanto tem… se as prendas, doadas pelos fiéis, atingissem aquele valor no mercado, passaria a criar os animais para venderem  por um preço estratosférico.

À noite segue e já é hora de dormir. As gambiarras vão  se apagando, mas a festa continua… Amanhã é o grande dia! O baile da festa.

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