Nelson Gonçalves já visitou o Arpege

Lara Paiva – Jornalista – Editora do Portal Brechando

Era o ano de 1977, quando o cantor Nelson Gonçalves realizou um show na capital potiguar, no qual o dinheiro do ingresso ajudaria nas obras da Catedral de Natal. O show dele custava 60 mil cruzeiros, o pessoal da Catedral de RN arrecadou apenas 20 mil, mesmo assim decidiu fazer a sua apresentação.

Após o show, Nelson, como um bom boêmio, visitou o cabaré Arpege, no bairro da Ribeira. Na fotografia está Nelson Gonçalves estava na entrada do Arpege. A imagem lhe mostra ao centro com uma fã que trabalhava no local, a dona Francisquinha (proprietária do Cabaré) e dois produtores do cantor.

Além disso, a rádio Cabugi transmitiu toda a apresentação, que está disponível no You Tube.

Ele ainda visitou novamente nos anos 80 em Natal, numa apresentação no Iate Clube.

Quem é Nelson Gonçalves

Nelson Gonçalves era o nome artístico de Antônio Gonçalves Sobral. Ele foi um cantor e compositor brasileiro e muitas vezes a imprensa o cita como o maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 79 milhões de cópias vendidas até março de 1998, fica atrás apenas de Roberto Carlos, com mais de 120 milhões.

Além disso, ele interpretava músicas que falavam de amor, da boêmia e também recebeu elogios do Frank Sinatra.

A foto de Nelson Gonçalves no Arpege foi encontrada por , uma vez que publicou nos grupos de história do Facebook. Ela aconteceu nos anos 80, Nelson faleceu em 1998, vítima de um infarto.

História do Arpege

Argepe existiu até a década de 1990, ficava na Rua Chile, após o cruzamento com a Tavares de Lira, na esquina com a Travessa Venezuela  Construído primeiramente no século XX por um família de alemães, tendo inicialmente funcionando como um “Secos e Molhados”.

Em 1941, o empresário Nestor Galhardo adquire parte da edificação, tendo o intuito de instalar sua própria gráfica, ocupando apenas o pavimento térreo, o que restou do prédio após o ano de 2020.

Além disso, Galhardo decidiu abrir, portanto, um cabaré no pavimento superior, que seria administrado primeiramente por sua amante e entrada era feita através da Travessa Venezuela, próximo ao Cova da Onça.  

No ano de 2010, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Após a morte de Nelson Galhardo, seu neto tenta manter os negócios

Após a morte do seu proprietário, o  seu neto, que também se chama Nelson Galhardo, assume a administração dos negócios. Durante algum tempo, a gráfica permaneceu em atividade, porém fechou as portas. O local serviu como cenário aos filmes “For All- Trampolim da Vitória” e “O Homem que Desafiou o Diabo”.

Uma chuva destruiu todo o prédio

Hoje o prédio não existe mais.  As fortes chuvas de 21 de junho de 2021 derrubaram de vez a parte superior de onde funcionara o Arpege, cabaré tão popular quanto o de Maria Boa.

Chovia às 04h40 da manhã quando o resto do pavimento superior do prédio, que já estava parcialmente destruído, desmoronou de uma vez.

Até junho de 2020 o prédio estava parcialmente demolido

Com o desgaste do tempo, boa parte do piso superior do antigo cabaré esteve destruído. Antes, no entanto, as ruínas do prédio já dava os primeiros sinais, quando metade do piso superior caiu 10 anos antes. Veja a foto a seguir.

Hoje só resta o térreo do prédio. Além disso, a jornalista Cinthia Lopes postou em seu Instagram o resultado de como ficou, portanto, o antigo cabaré. Veja:

Foto do perfil de cinthialcardoso

“Foi ao chão mais uma parte do prédio de 80 anos localizado na rua Chile, Ribeira. O imóvel de três andares foi construído por uma família de alemães nos anos 40, depois funcionou a Tipografia Galhardo, mas ficou famoso por abrigar a boate Arpege, o cabaré de cortinas de veludo vermelhas e radiolas de ficha que funcionou até a década de 1990.O prédio de traços arquitetônicos bonitos é um entre os mais de 500 que fazem parte do polígono de tombamento realizado em 2010 pelo IPHAN nacional.No meio de uma pandemia e tantos acontecimentos urgentes, a notícia de um prédio antigo particular que ruiu é até desimportante, como disse alguém no Twitter.Pode ser, mas o monte de metralha no chão ressalta também o retrato do fracasso. Das leis que não atendem à finalidade Muitos anos se passaram desde a primeira vez que alguém falou em “revitalização da Ribeira”. Oportunidades foram deixadas de lado. O tal legado da Copa virou papel de algum projeto rabiscado para o PAC das Cidades Históricas. Lembro das matérias que falavam: ‘dinheiro tem, faltam projetos’. Quando eu ainda andava pela Ribeira, ouvi de um turista perdido na porta da TN espantado com a quantidade de prédios em ruínas. “Parece que houve uma guerra!
Pois…” Cinthia Lopes

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