Não ligue! Mande um zap


Cefas Carvalho – É Jornalista e escritor
Tenho por mim que o WhatsApp, aplicativo de conversas que no Brasil ficou conhecido como “zap zap” é das melhores coisas já inventadas pelo Ser Humano, juntamente com a frigideira antiaderente, a garrafa térmica e a pizza de lombo com catupiry. A inserção do zap em nossas vidas acabou por dinamizar aspectos diversos da vida, como trabalho, família e relacionamentos, além de alterar formas da comunicação interpessoal. Claro que o zap tem lá seus defeitos, enfim, faz com que recebamos bobagens a todo mundo, que fiquemos mais tempo nele do que deveríamos, que trabalhemos bem mais do que antes, mas, nada é perfeito.

Para mim, a principal mudança gerada pelo zap em relação à comunicação já arcaica pelo telefone é justamente que o zap faz com que a pessoa não necessite telefonar para a outra. Basta apenas que ela envie a mensagem e o receptor a verá quando puder, evidentemente, e responderá igualmente quando lhe for possível, como reza a regra da civilidade e do bom senso. Pelo menos o zap deveria fazer com que as pessoas não telefonassem..

Mas, não funciona assim e seria cobrar muito bom senso de um povo que elege um presidente que não sabe mastigar camarão. Piadas à parte, o fato é que telefonemas tornaram-se anacrônicos com o advento do zap,ou pelo menos deveria ser assim. Não falo aqui de casos extremos, de familiares em situação de socorro, de um amigo do peito que sofreu um acidente de trânsito, de uma filha que conseguiu um emprego, de uma pessoa querida do outro lado do oceano, não me refiro a celebrações, apuros, problemas entre pessoas que têm relações interpessoais constantes.

Falo aqui daquela ligação perfeitamente desnecessária, do telefonema de um conhecido distante que lembrou de você do nada, do amigo do amigo que quer um contato de uma pessoa, de um ex-vizinho que pergunta se você ainda tem uma ferramenta para emprestar, do primo que liga sete da manhã para perguntar se você sabe se vai ter carnaval este ano. Enfim, tentativas de comunicação que poderiam ser feitas e resolvidas de maneira mais elegante e funcional com meia dúzia de mensagens de zap.

Coloquei os exemplos do parágrafo acima no gênero masculino não por acaso. Já percebi que a quase totalidade de quem me liga (sem necessidade real) em vez de mandar mensagem de Zap são justamente homens. Mais exatamente homens entre 45 e 55, héteros, classe média alta. Sim, eu sei que você está balançando a cabeça e pensando que pego no pé desse perfil. Porque é justamente o perfil de “dono do mundo”, que se acostumou a ter o que quer em mãos na hora que desejar. Se ele quer ligar para alguém, seja para Cefas, para fulano ou beltrana, porque não o faria? Por que esperar que vejam a mensagem e respondam? Afinal, ele tem urgência em marcar aquela cervejada semana que vem ou tirar uma dúvida sobre política ou futebol.

Em tempo: Raramente ou quase nunca recebo telefonemas de pessoas fora do perfil citado. Todos os outros perfis mandam mensagens e elegantemente esperam que eu visualize e responda, como, aliás, faço com absolutamente todo mundo.

Espero que após este texto bem humorado amigos e conhecidos não vistam a carapuça e problematizem algo “besta” como isso. Mas fica a vontade de que parte das pessoas se conecte com os novos tempos e novas tecnologias, não apenas nas ferramentas e modo de usá-las, mas na etiqueta básica nas relações humanas com novidades como redes sociais e zap.

Ironias à parte, continuamos todos amigos. Mas, por favor, não ligue. Mande zap!

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