Minha casa, minha vida

Nadja Lira • Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Ser dona e proprietária da minha própria casa, ter um lugarzinho para chamar de meu, sempre foi um dos sonhos acalentados durante minha adolescência, especialmente porque precisei sair da casa dos meus pais muito cedo, a fim de estudar. Morar em casa de parentes e amigos, não é nada fácil e graças a Deus, consegui realizar este meu sonho antes de completar 25 anos de idade.

Depois de vários anos residindo em uma casa localizada em um conjunto habitacional, descobri que este tipo de moradia tem uma série de vantagens. A maior de todas é o fato de não precisar desembolsar todos os meses, uma quantia significava a título de taxa de condomínio, o que pode representar uma grande economia no orçamento doméstico.

Quem mora em apartamento jamais se livra do aluguel mensal. E isto sem contar que você paga por um imóvel sobre o qual você não tem a menor autonomia. Afinal, todos os seus atos dentro do seu apartamento são observados pelos vizinhos e levados ao conhecimento do síndico. Existem muitas regras a serem respeitadas por quem mora em apartamento. Parece piada, mas existe hora até para se usar um liquidificador.

Outra vantagem de morar em uma casa diz respeito à privacidade desde que se construa um muro alto, a ponto de impedir os olhares curiosos. Outro ponto positivo é a possibilidade de se modificar e ampliar a construção, deixando o imóvel do jeito que melhor lhe convier.

Ao mesmo tempo em que se economiza com taxas de condomínio, o proprietário de uma casa é obrigado a pagar à Prefeitura Municipal, o Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU – valor que é reajustado anualmente e cujo valor dificilmente retorna em serviços para o contribuinte.

Quem reside em apartamento, além de pagar taxa mensal para usufruto dos benefícios do condomínio, ainda paga o IPTU e as multas por possíveis infrações cometidas, caso desrespeite alguma das regras do lugar.

Em Natal, por exemplo, todo dono de imóvel paga valores absurdamente altos, para conviver com ruas escuras, sujas e esburacadas. A situação está tão ruim, a ponto de dar medo dirigir pelas ruas da cidade, uma vez que se tornou frequente veículos serem engolidos pelos buracos que tomam conta do asfalto.

Morar em uma casa também garante o direito de se realizar uma festa que pode varar a madrugada, desde que o proprietário tenha o bom senso de não perturbar a vizinhança, com um som exageradamente alto. Afinal, aqueles que não foram convidados para a festa precisam repousar.

Para os amantes da natureza, a casa pode ser o lugar ideal para se viver, porque no ambiente sempre vai haver espaço para o cultivo de um jardim. Além disso, em uma casa também vai sobrar espaço para se criar um animalzinho de estimação. E isto sem contar com o quintal espaçoso para a brincadeira das crianças.

Diferentemente de um condomínio vertical onde existe beleza, apartamentos luxuosos e confortáveis, morar em uma casa garante a possibilidade do proprietário ter uma área de lazer individual. Tal conforto não é possível em um condomínio vertical, onde o lazer é obrigatoriamente dividido entre todos os moradores.

A área de lazer construída na sua própria casa, ainda apresenta uma vantagem: Ali só serão convidadas, as pessoas cuja presença lhe seja agradável e com as quais você cultiva uma amizade sincera.

Outra grande vantagem de se morar em uma casa é a liberdade total e irrestrita para fazer a reforma que se quiser e que o orçamento doméstico permitir. Em um apartamento dificilmente existe esta possibilidade. Existem regras de condomínio acerca de obras e mudanças de fachadas. Além disso, a reforma pode incomodar a vizinhança com o barulho.

Minha casa foi adquirida através de um programa do governo federal, semelhante ao atual Casa Verde e Amarela. O imóvel foi pago com muito sacrifício, mas me deixa feliz por não precisar desembolsar um valor mensal para quitar um aluguel. Mas, o melhor mesmo é saber que eu tenho um lugar aconchegante para chamar de meu cada vez que volto do trabalho ou de uma viagem.

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1 comentário

  • Carlim d'Bee disse:

    Inquilino do universo (letra de Serafim Adriano e Liette de Souza, 1982), retrata o momento cada vez mais aguçado de nossa alienação ao Estado e à iniciativa privada, em decorrecia de nossas necessidades prementes. Nascemos, crescemos e mais cedo ou mais tarde nos é cobrado o preço. “Eu já pago esse chão pra caminhar, Eu já pago esse chão pra caminhar
    Pago a água pra beber
    Pago até pra sorrir
    Sei que paguei pra nascer
    Eu pago o sucesso e pago o fracasso
    A subida e a descida
    Pago pra viver, mas não sou dono da vida
    Tenho que seguir minha caminhada
    Eu pago tudo não sou dono de nada”

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